segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O pequeno pormenor do sinal '+'!!

O  meu próximo projecto é o "Ericeira Trail Run", mais especificamente o "Ericeira Trail Run 60+"!

Após o AX Trail de Outubro, será a 2ª estreia nesta época, que coloco no meu calendário de eventos.

E porquê o "...60+"??

O 60 entende-se bem, vou à versão dos 60 Kms, ok. Mas o '+' confesso que me levantou algumas dúvidas. Não pelo sinal em si, que conheço há muitos anos e associo naturalmente a somar algo, mas porquê o sinal? Se deu para entender facilmente que seria qualquer coisa a somar aos 60, já os números exactos foram à partida uma incógnita, até porque para mim, depois de fazer 60 Kms, qualquer coisa que venha a mais, representa sempre algo com assinalável importância.

Se fosse "60 -" nem colocaria qualquer questão, nem vos estaria aqui a maçar. "60 -" agrada-me à partida. Mas o '+' tanto pode ser 61, como 69!!

Sabendo eu que em certas circunstâncias levo 15' a percorrer 1 Km e estando definido tempo limite para o Trail 60+ (12 horas), já os meus Amigos entenderão, espero eu, o fundamento da minha cogitação!!

Depois de andar um pouco às voltas no sítio web e fb do evento, lá esclareci que serão de facto 61 971 Kms!! Pronto, está esclarecido e realmente fica mais estético no panfleto ou flyer do evento meter 60+ do que 61 971 Kms!! Também podiam simplesmente meter 60 Kms e os 1 971 metros serão 'peanuts' a exemplo do que se faz por essa parvónia fora.

Fico assim decidido, logo ali, que se a malta da Ribeira d'Ilhas pode ter o '+' deles, também eu posso adoptá-lo, no concreto para caracterizar os treinos que conseguir e souber fazer nestas 5 semanas que me separam do 20 de Dezembro. O meu '+' servirá para traduzir o que eu conseguir de mais (+) valia para os meus treinos, seja do ponto de vista físico, técnico ou até lúdico.

Só para não me ficar atrás dessa malta!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O prémio

Corro há cerca de 30 anos e neste longo período de tempo, se bem com diversas interrupções pelas mais diversas razões, ganhei nas corridas apenas 2 prémios.

O 1º, algures em 1986/1987, um 7º classificado num "Grande Prémio do Casal do Marco" (...), ali para a outra margem. Valeu-me 2 discos LP (!!!), de artistas que nem me atrevo a mencionar os nomes.

Depois desse, em 2011, na Meia da Areia da Caparica, organizada pelo Mundo da Corrida, fiquei em 3º lugar no meu escalão. Como é hábito e regra geral depois de correr nunca fico no local, por esta facto só soube do prémio no dia seguinte, porque alguém me deu os parabéns, no então ainda existente Fórum. Se bem que algumas vezes prometido, nunca cheguei a receber esse prémio.

Há algumas semanas, num desafio lançado pelo João Lima no seu blog, convidava os interessados a participar num concurso lançado a propósito da 3ª participação do João na Maratona.

Participei, por graça e por graça ganhei com a resposta mais aproximada à questão: "Quantos participantes terá a Maratona do Porto 2014?", com a resposta 4 001.

Claro que, novamente esquecido do assunto, foi o próprio João que me deu os parabéns alguns dias depois de terminada a sua aventura.

Combinámos tentar um encontro na Nazaré, que se veio a concretizar e no domingo passado lá nos cruzámos junto à chegada. Tive então o prazer de receber mais um prémio, que vai assim para a minha restrita mas valiosa sala de troféus.


Agradeço ao João Lima o prémio, que muita honra e prazer me deu receber, inclusive com direito a foto do momento.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Visita às Mães - II

E lá fui eu, de visita às Mães.

Mais uma ida à Nazaré.

Tudo dentro do horário. O Alex Jr. a ajudar quando às 05:15 saltou para a minha cama. Foi o sinal. Dei-lhe o lugar, hoje até agradecido por me evitar outros percalços.

Saída às 06:00 em ponto e viagem calma.

A manhã esteve de chuveiros. Apanhei vários. Uns dentro do carro e outros directamente na cabeça!

Chegada às 07:40 e vou à volta já habitual, que começa por cumprimentar o mar.


Estava grande ontem o mar. Na marginal muitas poças e muita areia da praia. Nas portas taipais de  protecção. Sinais mais que prováveis da força das últimas marés. A praia norte deveria estar com excelentes vistas, mas neste domingo já estava de plano traçado para outros rumos.



Concluído o passeio e deixados os respeitos ao mar, rumo em direcção à Arcádia e ao meu momento de abstracção.

Discreta e calma, como gosto dela, lá dentro a habitual azáfama dos inícios de dia, com o deambular entre a cozinha e o balcão, num terrivelmente sugestivo desfile de pedaços de céu à minha frente. Bolos, mais bolos. Tabuleiros carregados deles e eu a babar-me. Se eu pudesse ...


" ... 1 pão de deus e um café escaldado s.f.f."    é o pedido habitual e que se repete com alguma impaciência. Mas o serviço é felizmente rápido e cravo sem complacência os incisivos naquele pedaço que se desfaz na boca, logo de seguida empurrado pelo golo de café, que podia ser delta, mas pronto, também não convém ser esquisito em demasia. Enquanto estou neste momento, os meus olhos cravam-se no tabuleiro dos queques e bolos de arroz. É a perdição! 
"... por favor dê-me um queque ..." peço agora com a voz embargada pela vergonha de ter cedido à gula. 

Saciado parto agora em direcção à Filarmónica, para o habitual compasso de espera pelas 08:30 para obter o dorsal.

É sempre a parte mais chata da manhã, mas prontos, com um pequeno ... atraso lá se abre a porta do velho edifício. Este ano calhou-me o 712.



Tenho que me apressar que as 09:00 estão quase aí. Chip nos sapatos de reserva e dorsal na t-shirt. Estou pronto para o aquecimento. Tenho 2 horas e cerca de 17 Kms de passeio de ida até a Valado dos Frades.

O registo do  'aquecimento'

Já fizera esta versão do meu aquecimento em 2012, que agradara tanto pelos Kms como pelas vistas. Nesses tempos a vinda à Nazaré servia de preparação para a Maratona e daí nascer o 'aquecimento' como forma de prolongar e fazer aqui um treino longo. Depois a Maratona mudou-se para Outubro mas a tradição manteve-se.

O trajecto rodeia o imenso vale, num percurso agradável e calmo. Quase não se vê vivalma e a calma só é interrompida por um tractor que passa para os campos alagados.

Pelo caminho levo com 3 chuveiros, o que aliás não estranho porque a Nazaré no geral e esta volta ao Valado em particular estão associadas a muita chuva.

Esforcei-me por andar sempre junto ou acima dos 6'/Km, que é o meu ritmo de conforto. Mas estava algo preocupado com o facto de não recordar com exactidão a distância da volta e de recear chegar de novo à Nazaré para além das 11 hrs. Por isso a média que no final registei de 05:50"/Km até nem é má de todo.

Para o Valado as vistas são essencialmente campos de cultivo e árvores de fruto. No regresso o cenário passa a ser essencialmente zona de pinhal, o que enche as medidas.

Chego de novo à Nazaré, às 10:40 hrs e estão feitos cerca de 17 Kms, que souberam muito bem.

Dá tempo para tudo e o stress acalma.

Mudar de roupa, tratar dos pés com o reforço da incontornável vaselina, hidratação e calorias q.b.. São 10:55 quando estou de volta em direcção à marginal. Quando passo as cordas que delimitam a zona da partida, o speaker começa a contagem.

Estamos cá!! Pontualidade!! Ufa!!!

Estou na 40ª Edição da prova que foi o meu baptismo nas corridas à altura chamadas de "populares". Foi altura do movimento spiridon e tudo são memórias nesta altura quando me integro no carrossel e recupero o ritmo. Estarão ali, segundo ouvi algumas horas antes, cerca de 1500 participantes.

A volta à vila dá-me o prazer de ver a pequena grande Rosa Mota. Outra senhora. Não enjeito a oportunidade e ando ao seu lado talvez 1 Km. Não é para todos correr ao lado duma verdadeira campeã!!

Aqui e ali os chuveiros continuam, mas está uma bela manhã para correr na Nazaré.

Os abastecimentos são água e esponjas. É o habitual na Nazaré e nem é preciso mais nada, é o essencial.

A ideia principal é gozar o momento, mas é sempre difícil manter ritmos. Tem a ver com o meu feitio. Na Nazaré e na volta à Vila, com tanta gente à volta, ainda é mais difícil. A média que farei andará na casa dos 05:25", o que obviamente é bem acima do que seria desejável, mas de qualquer forma senti-me sempre bem e no retorno obriguei-me a andar com grupos com o ritmo que queria, como forma de não acelerar. Para o fim quis acelerar um pouco e os últimos 3 Kms fi-los a 05:21", 05:16" e 04:40", respectivamente.

O vento sopra contra, depois do retorno. Sinto-me bem e estou em constante controlo de passo. Determino que só depois dos 19 Kms poderei alargar o passo e é o que faço.

A longa marginal, interminável noutros tempos com outros ritmos, pareceu-me menos longa desta vez.

Corto a meta à vontade. Está feita mais uma Meia da Nazaré.

Tiro o chip e recebo o saco final. Ansioso apalpo e apercebo-me que se confirma: esta ano voltou o pratinho, já habitual na Nazaré e que infelizmente foi trocado por uma medalha muito pouco atractiva em 2013.

Faço os alongamentos, como é habitual num banco já fora da zona da meta.

Está terminada a visita à mãe das Meias. Falta agora a 2ª parte, a mais importante, a visita à minha Mãe.

Aí vou eu Mãe.

Até para o ano Nazaré!


O registo da  meia

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Visita às Mães

Aproxima-se mais uma visita às Mães.

Este ano calha a 9 de Novembro.

Para a Mãe, a das Meias Maratonas, o dorsal será o 712.

Para a outra Mãe, a minha, não preciso de me inscrever, tenho acesso VIP!

É tempo de recordações.

Outros tempos, em que me iniciei nisto das corridas, aqui há 30 anos, numa edição em que fui, acompanhado pela minha Mãe, chovia a cântaros e cheguei tarde ... 

Nessa que foi a minha 1ª edição na Nazaré, tinha eu 24 ou 25 aninhos, fiz qualquer coisa a rondar a 01:30 hrs. Nas calmas e quase sem treinos, claro! Com 24 anos quem precisa de treinar?

Foi o início do bichinho das corridas.

Hoje já me estou a preparar. Vou fazer a lista das compras para amanhã. Como sucede desde 2010, a Nazaré é agora apenas prazer de estar. Prazer de ir lá e gozar ao máximo aquelas horas lá. Já não vou para correrias, como outrora.

De véspera vou tirar o fato de treino do roupeiro, que visto 1 vez por ano e apenas para esta visita.

Vou levantar-me (se ouvir o despertador ...) às 05:00hrs, para arrancar às 06:00hrs.

É chegar bem cedinho e dar um passeio na Marginal. Uma ou outra foto ao mar, claro. É a Arcádia, o café e o pão de deus, quentinho a desfazer-se na boca. Gula pura.

Depois é o 'aquecimento'. Este ano voltarei em princípio à volta até ao Valado. Serão 18Kms de passeio. Apenas para pensar e recordar tempos tão bons que ali passei, sem dar por isso. Agora dou por isso e usufruo o que posso e sei usufruir.

Depois é o regressar à vila, minutos antes da Meia começar. Mudar de roupa, comer e beber qualquer coisa, descer a rua e entrar no carrossel.

Misturo-me com os outros e vou à boleia daqueles milhares, cada um com o seu sonho na Nazaré.

O meu sonho é continuar a ir lá, apenas ir e estar lá uma horas, a usufruir!

Depois conto-vos o resto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

AX Trail

ou


o Trail Puro e Duro!


 Ainda me doem as pernas.

Ainda tenho aquele andar esquisito.

Ainda tenho as memórias frescas.

Ainda não recebi um alerta do Raposa a chamar-me preguiçoso.



Está por isso na hora de passar para aqui algumas memórias da minha participação no AX Trail, ou Trail da Serra da Lousã, ou ainda, Trail Aldeias de Xisto.

O trail em que participei no passado sábado, dia 18 de Outubro, foi pela minha curta experiência neste tipo de eventos, a aventura mais difícil que concluí.

Fiz poucos é certo, afinal de contas descobri o trail apenas em 2010!

Barril, Almonda, Sesimbra, Almourol, Entroncamento e Portalegre, foram as minhas anteriores aventuras. A Lousã foi a que mais me custou fazer!

Sapateira, em Castanheira de Pêra é local onde tenho casa de familiares e por isso passei lá a noite e antes das 08:00hrs já tinha o dorsal em meu poder.




Entre o incontornável café da manhã e os derradeiros preparativos, passou-se cerca de 1hr. A organização informara que os participantes deveriam aceder à câmara de chamada (gosto disto ...) 30 mins antes da partida e por isso lá fui eu.

Quando cheguei à zona da partida, perto das 09:00hrs havia uma fila, ou melhor, uma molhada, com cerca de 30 metros, para levantar dorsais!

A partida marcada para as 09:30hrs foi adiada para as 09:50hrs, essencialmente (e com o meu mau feitio ...) porque, com mais de 30 anos de corridas populares, ainda há organizações que parecem complicar aquilo que outras já aprenderam há muito. Claro que o hábito imputado ao povo Português de deixar tudo para a última hora, serve sempre de desculpa, mas o certo é que o justo (ou pontual) continua sempre a ser o prejudicado, porque haverá sempre pecadores (ou atrasados), enquanto houver organizações incompetentes que o permitam.
  • - Levantamento de Dorsais (muito primitivo)
  • - Controle de partida (qual controle?)
  • + Percurso com altimetria no próprio dorsal (muito útil)
  • - Abastecimentos (muito pobres e em locais inadequados)
  • + Marcações (impecáveis)
  • - Saco final (nem água quanto mais saco)
Para fazer tempo (...) encontro o Pedro Marques de volta dos 'dopings', qual alquimista medieval e pouco depois o habitual lenço encarnado sobre a cabeça, que identifica o pára Joaquim Adelino.

Aqui e ali a chuva cai, miúda, mas a temperatura está excelente e quase não há vento.

Faltam cerca de 15 mins mas a organização mantém o acesso à câmara de entrada (continuo a gostar disto ...) fechado. Eles gostam mesmo de molhadas, de tal modo que é precisamente o que acontece quando a 10' da partida finalmente se começa a aceder à zona da partida, forma-se outra grande molhada!!

Eu continuo lá bem atrás, resguardado da chuva e aguardando.

O controle do acesso resume-se à activação do chip que nos vai marcar no pulso em todo o trajecto. Todo o restante material nomeado como obrigatório, é simplesmente ignorado. Pergunto para que serve nomear material obrigatório se depois não há o consequente controle. Vi pessoal a arrancar em manga cava e outros claro, como aqui o 'tanso', de corta-vento!

Mais vale dizer que é da responsabilidade dos participantes o que levam vestido e deixar a cada um essa responsabilidade. Deixem-se de mariquices!

Às 09:50hrs é finalmente dada a partida e lançamo-nos logo perante o 1º grande obstáculo: o Parque Eólico, a cerca de 900 mts. A maior parte do caminho é feito em fila e quando chego lá acima, debaixo de chuva, vento e nevoeiro, ouço as enormes pás a zumbir por cima de mim, embora não as veja! Vou acreditar que elas de facto estavam lá!

Começamos depois a descer, em direcção ao Ameal e Catarredor. Há descidas muito técnicas. Ainda aguento as primeiras escorregadelas, mas a 1ª sobre o 'back side' e a segunda sobre o joelho direito, lá vou duas vezes ao 'tapete'. Felizmente ambas sem consequências.



Boa vida.

Ouvem-se os numerosos cursos de água, com correntes fortes, cheios da águas da chuva que tem caído nos últimos dias. As vistas estão um pouco prejudicadas devido ao nevoeiro que cai sobre as serranias, mas aqui e ali dá para ver que estamos perante cenários de rara beleza.

Aos 13Kms finalmente o 1º abastecimento. Já me fazia falta. Está instalado numa casa de xisto. É engraçado mas pouco funcional. Há pouco espaço para o pessoal que se quer chegar às mesas. A oferta não sendo escassa, também não deslumbra. Concentro-me nas sandes de chouriço e na coca-cola.

Arranco pelas ruas forradas de pedra abaixo. Numa dessas pedras, que para além de molhada da chuva, está cheia de lama dos numerosos sapatos que a pisaram antes de mim, foi o 3º esbardalhanço. Sem espinhas. Todo juntinho, outra vez sobre o back side, felizmente! Esta foi mais dura que as anteriores, mas felizmente manteve as consequências nulas das outras e sigo viagem, para dar lugar a quem vem atrás de mim, que é o 'cliente' que se segue e cai, também ele juntinho na mesma pedra, um pouco menos juntinho que eu, porque sobrecarrega o cotovelo direito e transparece mais dor nesta queda, mas pronto, segue.


Vamos descendo e vamo-nos cruzando com caminheiros que sobem a encosta. A descida é para mim por demais técnica para ensaiar sequer qualquer tipo de corrida e sigo pelo seguro, a passo. Vou descontraído e bem disposto, a gozar o 'prato' que é usufruir dum espaço daqueles.

Chego à Srª da Piedade. Depois de uns Kms a descer é altura agora de subir, em direcção ao Trevim. Daqui até aos 30Kms é sempre Up, Up, Up!!

Uma levada com um débito impressionante faz as maravilhas durante mais de 1Km. Por mais que uma vez me dá vontade de me enfiar lá dentro, mas ...

A levada da N. Srª da Piedade.

Chego ao 2º posto de abastecimento, igual na oferta ao anterior. Há menos pessoal neste apenas porque sou eu que estou a ficar para trás, por isso com menos pessoal, não que a área seja significativamente maior. Alguém do UTAX pergunta se não há uma sopinha ... Se os abastecimentos do UTAX foram iguais aos do AXTrail, aquele pessoal passou alguma fominha ...

Começa agora o caminho para o Trevim. Uma looonnnga subida. Venho há uns Kms acompanhado com um galho que apanhei algures. Transformado em bastão, neste período serve-me várias vezes de sustento, para tentar recuperar o fôlego, tal é a dificuldade da subida. Antes, noutros locais, serviu-me de equílibrio, tal como nas levadas. Volto a andar perto do José, que por esta altura começa a debater-se com caimbras. Por um par de ocasiões empresto-lhe o meu bastão, que é coisa que não faço por muita gente ...

Há alturas em que olho para cima e duvido se consiga dar mais um passo!

Quando esforço mais um pouco a tosse volta. São resquícios da gripe do último fim de semana e que condiciona o meu esforço principalmente nesta altura, em que preciso de mais oxigénio.

De Trevim para Senhor das Neves.

Não deixa transparecer as dificuldades.

Os Fuji Trabuco revelaram-se bons aliados nesta que foi a estreia destes sapatos. Muito confortáveis e com boa aderência na generalidade dos pisos que encontrei. O que aconteceu lá atrás no xisto era inevitável, excepto para o Spider Man!!

Está nevoeiro lá em cima no Trevim. Venho há alguns Kms com um pedra no sapato e aproveito uns degraus para me sentar e tratar do assunto. O UTSM está ainda fresco e não quero repetir o que me aconteceu lá.

O José segue caminho enquanto trato dos pés, mas logo a seguir apanho-o. Está aflito com caimbras e não se consegue mexer. Gozo com ele quando me pede para lhe apanhar uma luva que havia deixado cair, apenas porque ele nem dobrar-se consegue.

Ficamos ali no alto um pouco. Eu sem saber bem o que lhe fazer para aliviar a dor e ele ainda pior que eu. Ele diz-me para ir à minha vida (...). É impossível deixá-lo ali, no meio do nada. Um par de Kms à frente haveria de comentar com ele, que ao longo de quase todo o percurso, inclusivé nestes pedaços mais complicados, nunca tínhamos passado fosse por quem fosse ligado à organização.

Senhor das Neves

Recomeçamos a marcha. Vencido o Trevim, vamos agora em direcção a mais um topo, que é no Senhor das Neves. Sinto-me bem e alargo um pouco o passo com vontade de acelerar. Não ando nem 500 mts, quando sinto um esticão seguido duma dor enorme no interior da coxa esquerda. Nunca tinha tido tamanhas dores e agora inverteram-se os papéis. É o José que espera e eu que agarrado à perna contenho o grito que haveria de ecoar por aquela serra. Estive cerca de 1 minuto de volta da perna, descontraindo o possível, de maneira a ajudar a que o músculo aliviasse. A coisa aliviou mas fiquei assustado. Durante algum tempo esforcei-me por dar passos mais curtos de modo a distender um pouco menos aquele conjunto muscular.

Chegámos sem mais novidades ao Senhor das Neves e em teoria o percurso passaria agora a ser mais fácil. O que de facto acontece, porque começamos um longo descida, só que se trata dum trilho 'single', muito técnico devido ao piso e à elevada concentração de pedras, sempre a propiciarem quedas ou entorses.

Vistas fenomenais!


Chegamos ao 3º e último posto de abastecimento, que por sorte é no exterior, perto dum café. Não hesito e corro para uma mini gelada. Só depois deste aperitivo me aproximo da mesa para meter desta vez essencialmente tostas com marmelada. Já tenho entretanto o José stressado a apertar para arrancarmos e tenho que abreviar o abastecimento. Chega entretanto o Joaquim Adelino que cumprimento satisfeito por o saber ali, já quase (...) no final. Arranco com o José. Temos pela frente 12 Kms essencialmente a descer.

O José lança-se em corrida e eu vou atrás, com pouca vontade de correr. Mas ele não desarma e gradualmente o ritmo vai regressando e torna-se mais fácil correr. Estou já em terrenos conhecidos,  dos treinos que por aqui faço, quando tenho a sorte de passar aqui alguns dias. Já com o tal ritmo e sem que me aperceba, distancio-me gradualmente do José. Vou olhando para trás e acredito que ele andará ali perto, atrás de mim.

O José a puxar por mim.

Chego ao Poço do Corga e tenho a Família à espera. O pequeno Alex corre para mim e esqueço completamente o cansaço. É um bálsamo ver aquela pequena grande força da natureza, cheio de alegria de me ver ali numa "corrida", como ele realça. Entretanto o Joaquim passa por mim. Vai lançado! Estou um bocadinho ali com eles e retomo o caminho.



Ganhar alento ...

Participativo o Alex indica-me o caminho correcto e molho novamente os pés na levada junto ao Corga.

Fresquinha ...

A Tara ainda me acompanha durante uns metros ...

Vou sózinho já há alguns Kms e passo alguns participantes. Chego-me ao Joaquim que está com uma destas forças ... Debate-se igualmente com caimbras. Pede-me para lhe tirar uma embalagem de magnésio da mochila. Tenho alguma dificuldade em ajudá-lo porque o homem nem para aquilo quer parar!!

Eu sinto-me bem e estou animado agora que faltam apenas 3 ou 4 Kms para a meta.

Começo a estranhar a demora do José. Com a paragem que fiz no Corga supostamente deveria apanhar-me, o que de facto não aconteceu. Olho várias vezes para trás e nunca mais o vejo. Volto a andar a passo e vou assim durante uns minutos na esperança de o ver, mas nada do José.

Um a um vários dos participantes que eu passara lá um pouco para trás, passam por mim, mas nada do José. Começo a pensar nas caimbras e volto para trás. Com a referência do lenço, vou perguntando se alguém passou por ele, até que encontro um participante que me diz tê-lo ajudado a algumas dezenas de metros atrás, a sair duma zona de lama. Continuei a andar para trás, até que finalmente vejo o José a andar. A partir dali vamos de novo junto até à meta. Ele já não consegue correr e mesmo andar se torna por vezes complicado. Tenho magnésio na mochila e ele toma uma carteira. Provavelmente foi muito tarde porque até ao final não se registaram quaisquer melhoras.

São praticamente 19 horas e começa a ver-se mal. Antes do final há ainda à nossa frente um curso de água para atravessar. Tem cerca de 10 metros de largura e na parte mais funda cerca de
50 cms. Cheio de calhaus no fundo, provoca a queda dum participante que atravessa à nossa frente.

Eu vou à frente com o pau/bastão a detectar os obstáculos à frente e o José vem apoiado, com as mãos nos meus ombros. Calmamente atravessamos aquilo e do outro lado da margem há familiares dele que o esperam, para o apoiar naqueles metros finais.

O ânimo dele aumenta mas está claramente aflito e com dores. Mais alguns metros à frente e estamos a cerca de 100 mts da meta. Tenho novamente o Alex Jr. à minha espera.

Digo para o José: " ... quando quiseres ...", convidando-o ao sprint final para a foto.

A cerca de 30 metros retomamos o passo de corrida, para cortar a meta.

Alguma fotos e está terminado.

Distraído com a alegria de terminar e o querer falar com o Alex Jr. saio do local por baixo das fitas que o demarcam. Uma menina da organização faz-me sinal e eu penso que me terei esquecido do saco final. Volto atrás.

Dirijo-me a uma mesa e oferecem-me um boné de finisher. Agradeço e fico na expectativa do que virá a seguir. Eles ficam igualmente a olhar para mim e apercebo-me que o saco final era aquilo mesmo: um boné!

Pergunto se não há pelo menos uma garrafa de água. Indicam-me os balneários ...

Àparte este àparte, a aventura está terminada, estou aparentemente bem fisicamente, tenho ali a minha Família e estou a 10' dum banho, de água fria!!

Venha a próxima.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Enfermeira Tatiana

A Enfermeira Tatiana estava enganada!

Se há classe profissional da qual eu tenho o maior respeito e consideração, é a classe dos Enfermeiros. Para além de ter sido a profissão da minha Mãe, acho que é uma profissão das que mais ligação tem com as pessoas, quando elas mais precisam e isso toca-me muito especialmente.

Mas ...

Estava enganada a senhora enfermeira Tatiana!

Ao telefone, na manhã do passado sábado, dia 11 de Outubro, ouviu em silêncio o rol de queixas que eu lhe fazia.

"... dói aqui, pesa ali, escorre por acolá, etc, etc ..."

Depois vieram as perguntas tipo 'chapa'. Respondi a todas sem quaisquer hesitações ou dúvidas.

Mas aquela última era uma armadilha em que caí desprevenido!

" ... fez alguma intervenção nos últimos dias que de algum modo que pudesse diminuir-lhe as defesas, estilo pequena cirurgia ...?? "

" Não " respondi de pronto!

A Enfermeira pede 2 minutos para consultar os conselhos farmacêuticos que se adaptavam ao meu caso e enquanto fiquei em espera confidenciei com a Dora " bem eu sempre fiz uma maratona aqui há uns dias ... "! Meio envergonhado de estar sequer a colocar uma dúvida, acerca de um evento passado há cerca de 5 dias e da hipótese de esse evento estar de alguma forma relacionado com o mal que me afectava há algumas horas.

Mas mesmo envergonhado, mas protegido pela confidencialidade da linha telefónica, relatei-o à Enfermeira Tatiana, assim que esta voltou à linha.

A técnica afastou de pronto qualquer hipótese de uma coisa ser consequência da outra! " Não! Isso já passou há 5 dias e não pode haver relação!!" afirmou peremptoriamente!

Mas havia de facto relação entre a Maratona que terminara no dia 5, perto das 12:30 e o processo degenerativo que se verificara explicitamente no meu corpo nas última horas do dia 9, com sintomas mais evidentes a partir das primeiras horas de dia 10!

Assim que a chamada terminou fui para o meu santo Google e pude comprová-lo, pela quantidade avassaladora de artigos que encontrei relacionando a Maratona com o sistema imunitário e os efeitos devastadores duma sobre o outro, por vezes até 15 dias após a realização da Maratona!

Claro que aceitei os conselhos da Enfermeira Tatiana, aliás ainda estou hoje a seguir o tratamento prescrito, mas fiquei convicto que ela está pouco informada quanto a este assunto em particular.

Retiro (espero eu) deste episódio mais um ensinamento que tem a ver com o PDI e o efeito que tem a Maratona sobre o meu corpo.

Espero que me lembre disto daqui a cerca de 1 ano, se tiver a sorte de vos vir aqui relatar a minha maratona de 2015 e começar, assim que cortar a meta no Parque das Nações, com cuidados especiais de reposição do meu sistema imunitário.

Os meus agradecimentos à Enfermeira Tatiana e ao serviço 'Saúde 24' que me poupou uma ida desnecessária a um médico e contribuiu para que rapidamente iniciasse o tratamento.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Maratona 2014

Não há volta a dar. Os tempos das maratonas não estão fáceis para um 'cota' entrado, algo preguiçoso e extremamente guloso como eu.

Desde os meus 53 que o senti de forma mais acentuada, o decrescer da 'pica' quando toca a ir correr. Felizmente que depois o gozo que retiro do treino mantém-se, mas para ir custa-me mais.

Será a ternura dos 50?

Nos dias que antecederam a partida, pensei muito sobre qual seria o meu objectivo para aquela que em termos competitivos continua a ser a prova de estrada mais importante da minha época.

Sublinhei para deixar claro que estou a falar em termos competitivos e em provas de estrada.

A minha época tem normalmente 3 eventos em estrada (Nazaré, Runa e Maratona), sendo que a Maratona é o único dos 3 eventos que encaro como uma competição.

Em 2012, na última versão da Maratona de Lisboa, fizera uns excelentes 03:30, igualando o tempo que havia feito na Maratona de 1990, com 30 aninhos portanto. Em 2013, na 1ª versão da Maratona da Costa do Estoril, subi para os 03:38 e portanto este ano tinha de decidir se ia lançar-me outra vez atrás da ilusão dos 5'/Km, ou se iria baixar um pouco a fasquia.

Confesso que com o meu feitio não foi fácil decidir-me (ou aceitar a realidade), embora da parte física todos os sinais apontassem para a 2ª hipótese, a pôrra da cabeça ainda vai tendo veleidades doutros tempos, há muito idos e que não voltam mais.

Mas se foi difícil antes da prova começar decidir-me, foi muito fácil fazê-lo pouco tempo depois dela começar. Foram precisos apenas 6 Kms, já em pleno esforço e já com o aquecimento feito, para cair na realidade e descer à terra. Senti perfeitamente que continuando no ritmo de 5' a coisa iria dar o estouro e logo ali passei sem hesitar a 'Safe Mode', para a partir dali começar então a minha Maratona de 2014.

Até aos 6Kms ouvi o corpo queixar-se da festa de anos da véspera, onde claro comi coisas pouco aconselháveis a um concorrente a uma maratona e pior que isso, bebi bastantes (...) líquidos, o que até nem seria muito negativo, não fora esse líquido conter álcool (!!!). A seguir o corpo queixou-se da noite curta. Mais para a frente, lá para os 30Kms, o corpo voltaria a cobrar dos treinos longos que não fiz e claro, sublevar-se obrigando-me a nova adaptação no ritmo.

O meu registo de treinos indica muito claramente que entre o início da preparação para esta Maratona, em 10 de Agosto e o dia 4 de Outubro, fiz 25 sessões de corrida, sendo que em apenas 4 dessas sessões fiz treinos acima dos 20Kms. A sessão mais longa foi de 25,5Kms, em 31 de Agosto(!!!).

Com uma preparação destas digamos que pensar sequer fazer 5'/Km durante 42Kms é lirismo puro.

Fica assim traçada a história da minha maratona de 2014. Na expectativa até aos 6Kms, a gozar o momento até os 30Kms, a esforçar até aos 37Kms e finalmente a sofrer até aos 42Kms!

O que fiz dos 37Kms para a frente, foi puramente acreditar que conseguia. Olhei muito para o chão. Parei em 3 ocasiões e nesses 3 momentos foi a cabeça que me fez retomar a corrida, porque o corpo já não estava lá.

É incontornável: não há milagres, principalmente quando se corre uma maratona!

Basicamente faltaram as pernas. Faltaram os treinos longos.

Poderia arranjar desculpas com a alteração da data de realização da Maratona, mas tenho a sensação que se o calendário se mantivesse, chegaria a Dezembro com as mesmas dificuldades em ter uma preparação capaz.

Por isso dou-me por satisfeito em ter chegado ao fim, 48horas depois de ter terminado aparentemente não há lesões e somar mais uma maratona ao meu currúculo.

Agora importa descansar um pouco porque daqui a 3 semanas tenho mais uma aventura, na Lousã, com a participação no AX Trail.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Em pausa! A corrida segue dentro de momentos!!

O facto de ter perdido aquele  &%#@»§  daquele ferry no domingo estragou-me o final da época, mas desgraça à parte ela está acabada e é agora tempo  de fazer uma pausa, curta, para logo de seguida voltar e iniciar uma outra época, mais uma felizmente diga-se!!

A UMA tem terminado as minhas últimas épocas e a Nazaré reinicia-as. Com a alteração do calendário da maratona, chamada de 'Lisboa', introduzida no ano passado, as coisas modificaram-se um pouco, mas apenas quanto ao reinício e não quanto à conclusão.

Agora é tempo de férias, da corrida e durante 1 ou 2 semanas vou descansar conforme estava já pensado. Depois na nova época é começar de modo a conseguir 8/9 semanas de preparação para o 5 de Outubro.

As sessões de piscina irão manter-se até eles fecharem a coisa, para manutenção, na 2ª quinzena de Agosto. Tenho por isso mais 3 semanas de sessões boas por lá.

A época 2014/2015 já está a ser pensada e irá provavelmente começar assim:

  • Maratona da 'Costa do Estoril', aka de 'Lisboa', 5 de Outubro
  • AXTrail, 19 de Outubro
  • Meia Maratona Internacional da Nazaré, 9 de Novembro
  • ...


Aqui já uma estreia, com um evento na Lousã, nas Aldeias de Xisto, num local que conheço mal mas de que gosto muito.

Depois logo se vê, mas para já estou de Férias!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

UMA 2014

Nunca me tinha acontecido, mas é mesmo assim, fica mais uma (amarga) experiência e uma dura lição para o futuro.

Saí de casa às 05:15, tentei ... tentei mas não consegui. Cheguei tarde demais a Setúbal! Experimentei um misto de revolta e impotência.

E assim, possivelmente por 5 minutos ficaram por terra 12 semanas de esforço e sonhos sempre sonhados, para mais uma jornada da UMA, que se iria juntar às anteriores 4.

Passados alguns minutos de baralhação e outros tantos na tentativa de recuperar alguma sanidade mental que ainda conseguisse naquela manhã, tomei o rumo da Caparica e fiz a 'minha' UMA, igualmente na costa atlântica, se bem que um pouco mais a norte que a outra.

http://connect.garmin.com/activity/551570798




sexta-feira, 25 de julho de 2014

UTSM 2014 - De volta ao estádio

O ataque ao PAC7 é muito complicado. O ano passado com a sopa no estômago e o calor nas costas foi dos que mais me custou fazer. Este ano, apesar do calor tenho o café e a coisa até se faz. A calçada romana massacra os pés e o calor desgasta. Começa a importante gestão do esforço. Aproveito todos os cursos de água que encontro para meter os pés de molho. Pode ser asneira (ouvi dizer que coze a pele ...) mas aqueles breves instantes com os pés enfiados na água revitalizam.

Aproveito também para molhar o lenço e enfiá-lo encharcado de volta na cabeça. Durante alguns minutos fico com a cabeça mais fresca. Chego a Castelo de Vide.


O ano passado a alguns metros do PAC havia um ponto de distribuição de minis, mas este ano já não há mimos, por isso se quero mini tenho que a arranjar e é o que faço. Num dos extremos da praça há um café onde bebo uma geladinha. Neste PAC só meto líquidos, opção de que me irei arrepender mais tarde.

Arranco restabelecido e maravilhado com a geladinha em direcção ao PAC8. Está agora mais calor e a calçada romana ainda não acabou!!

É algures por aqui que enfrento a luz da reserva do 'combustível' a acender perigosamente, numa série de subidas, mais uma. Tinha passado dois pequenos grupos de participantes, quando aconteceu e sinto o combustível a faltar. Estou a cerca de 5 Kms do PAC e por isso tenho de me desenrascar já.

Escolho uma sombra, sento-me calmamente e recorro de imediato à minha reserva. 1 dúzia de tâmaras!

Calmamente, uma a uma, marcham. Depois de alguma água o 'depósito' está de novo atestado e posso seguir viagem. Tive sorte na escolha, porque aquelas pequenas resolveram a questão, ainda antes de assumir ser um problema.

Passado algum tempo chego ao PAC8. O susto serviu de exemplo e até ao final farei um esforço por meter sempre algo sólido nos abastecimentos, mesmo que tal começasse nessa altura a fazer-se com resistência, uma vez que o estômago estava cada vez mais queixoso.

À saída deste PAC cruzo-me de novo com a Célia e será aqui a última vez que nos cruzamos. A próxima será na meta, já depois do banho e quando estiver já em descanso.

Entre o PAC8 e o PAC9 houve alterações ao percurso em relação a 2013. Ficou mais técnico e por isso mais lento. O incentivo aumenta com a memória das Pizzas no PAC9.

O estômago continua a queixar-se. Por esta altura começa a ser complicado ter água sem ser quente. Passado pouco tempo dos abastecimentos aquece e já não sabe bem. Felizmente a organização coloca uma distribuição suplementar entre PAC. Suspeito que é água não tratada, mas não tenho alternativa e bebo o que consigo. Passo por outro café e claro, mais uma mini gelada!

Por esta altura começo a sentir o calcanhar direito. Vem desde há alguns Kms em cima duma pequena pedra. Era tão pequena a pedra, que andei tempo demais à espera que com o movimento do pé se deslocasse dentro do sapato, para local onde não incomodasse. Mas não, a pedra não se mexeu e eu andei tempo demais com a pedra no sapato e quando finalmente me dispus a tratar do assunto, já tinha sido escalado para a categoria de problema e depois de parar, durante 1 mísero minuto e retirar aquela pedra tão pequenina do sapato, o mal estava feito e o calcanhar saíra debilitado de tanto pisar a pequena pedra e agora custava-me pousar o pé correctamente.

De resto a pizza soube-me muito melhor em 2013!!

Quando chego ao PAC, recordo 2013 em que, debaixo duma chuvinha certinha, nos enfiámos, eu e o António debaixo da ombreira da porta, onde estavam as mesas com as deliciosas fatias de pizza e foi um fartote de comer acompanhadas pela batata frita e a coca-cola!!

Este ano a esplanada estava até com muito bom aspecto. Cadeiras, mesas e até uns chapéus de sol. Lá à frente as fatias apetitosas aguardavam. Só que o apetite ...

Alguns metros atrás deste PAC, um companheiro vomitara um pouco á minha frente. Apercebo-me que há pessoal com problemas gástricos. Recordo as placas "Água não tratada" nos vários pontos de água por onde passáramos.

Faço um esforço por comer duas fatias, acompanhadas pela incontornável coca-cola. Acho que a coca-cola é a única coisa que meto no estômago e que me sabe bem.

Sigo viagem.

Vou em direcção ao PAC10 e agora pouca coisa me fará desviar de tal objectivo.


São poucos os Kms entre o PAC9 e o 10. Tempo de poupar alguma energia. Colocados para 2º ou 3º plano estão já quaisquer questões relacionadas com tempos finais, ou sequer ideias de tentar igualar ou mesmo superar as 18 horas de 2013. O único objectivo é chegar!

Faço a maioria deste percurso em marcha. Os trajectos a correr são muito poucos. O pé dói e o estômago está pior. Não vejo ninguém a correr e os (poucos) que passo vão ainda em pior estado que eu.

Depois duma grande descida chego ao PAC10 e peço de imediato uma mini. Em 2013 assim que chegámos aqui, fomos brindados cada um com a sua mini, mas este ano ...


" ... já não há amigo !!..." Oh que decepção!! Mas choro e diz-se que quem não chora não mama. Digo que o ano passado e tal ... Um dos membros do PAC, por sinal um participante da Ultra que desistira nessa madrugada, apiedou-se de mim e lá foi algures, buscar-me uma preciosa! Fiquei-lhe eternamente grato e deixei logo ali, reserva feita para 2015.

Estou agora motivado para a última parte. São cerca de 6 Kms, que vão parecer muitos mais. Desço a longa escadaria a alta velocidade e vou a correr praticamente todo o percurso até ao estádio e à meta. A proximidade do final e os cerca de 5 Kms anteriores feitos a passo restabeleceram algumas forças e estou de novo a correr procurando esquecer as dores no calcanhar. Neste trajecto até ao estádio irei passar muita gente, no mínimo terão sido 20, todos eles a passo. Eu consigo andar mesmo só nas subidas e o estádio nunca mais chega. Finalmente a marca dos últimos 200 metros e entro no estádio. Faço a meia pista a correr e corto a meta. Está feito!

A última barreira.

Ainda se vê a poeira levantada pela velocidade de passagem!!

Recebo a tão desejada medalha de cortiça, que premeia os "finishers" e descanso por ali uns minutos.


Um rápido check up assinala como ponto mais negativo o calcanhar. De resto sinto-me obviamente cansado mas muito bem. Vou para o banho.

Depois do banho retemperador, regresso à pista, onde encontro uma cadeira na qual me sento. Estamos todos com um novo andar, com aquele andar!!

Um a um mais participantes vão entrando no estádio. Passados alguns minutos a sempre sorridente Célia, escoltada por um grupo de 4 elementos. Fico ali uns minutos e depois chego-me a umas mesas com comida, para ver se consigo comer qualquer coisa. Bebo coca-cola e como 2 ou 3 batatas fritas. É a única coisa que consigo meter no estômago.

Encontro o José Magro, também ele desistente no Marvão por causa do estômago. À saída passo pelo restaurante e não resisto a + 1 imperial, para o caminho.

São 20 horas e vou arrancar. Tenho ainda o caminho para casa para fazer, mas por aqui, em Portalegre, já fiz o que tinha a fazer.

Tempo: 18:31:59
Classificação: 221º