segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!! (O Relato) Cap. V

... continuação

Começou às 05:40 esta jornada, que agora, cerca de 72 horas decorridas, sinto que me tornou mais completo.

Esta m/viagem preencheu de certo modo alguma da enorme angústia que fica quando se perde alguém e se sabe que não se fez o suficiente, em tempo útil, para demonstrar o que realmente sentimos cá dentro.

Quando damos por essa falha geralmente já é tarde demais e depois fica aquela dor e a angústia de não podermos fazer nada para emendar, mesmo que pouco, essa falha.

Sempre comuniquei pouco. É capaz de ser defeito ou feitio. É capaz de ser de infância. Sempre fui bastante fechado comigo e com os sentimentos, que raramente deixo sair fora da armadura que crio à minha volta. Na passada sexta-feira abri a ‘armadura’ q.b..

Tudo ficou preparado de véspera. Roupa pronta e dispositivos com as respectivas baterias carregadas. Telemóvel, 'Silver' Garmin, MP3, Máquina de Fotos e NDrive. No dia, teria apenas de fazer as sandes e descascar fruta para o abastecimento reforçado que planeara para meio caminho.

Levantei-me às 04:00. Seguiram-se as rotinas dos dias especiais. Por volta das 05:00 um prato de nestum. Seguiu-se-lhe a equipagem, com especial atenção aos pontos mais sensíveis ao atrito, mamilos, virilhas e dedos dos pés, profusamente envolvidos em vaselina. Às 05:30 estava a sair de casa e às 05:40 a jornada teve início.

A temperatura era baixa. Estávamos afinal no dia mais frio do ano.

Iniciei em regime de marcha forçada e fiz os primeiros 2 Kms neste modo. Ao longo das cerca de 15 horas da m/jornada evitei ao máximo pensar em tempos e em médias. A viagem era para ser feita, fosse em 12 ou em 24 horas. Era essa a única preocupação: Fazê-la!

Alguém me relembrara, dias antes: “ as subidas são para ser feitas a andar” (Luís ‘Tigre’ Miguel). Este recado acompanhou-me durante todo o dia. Cada vez que via uma subida, passava a regime de passo forçado. Aproveitava para hidratar, responder aos SMS do Jorge Branco e de vez em quando a mastigar qualquer coisa. Cada vez que passava uma localidade, aproveitava igualmente para registar, para mais tarde recordar!

E ainda há placas pintadas em azulejo!!





Esta parte inicial era uma das partes que eu mais temia. Era sair para a rua a horas impensáveis para ir correr. Estava escuro e frio. E eu estava ali, no meio da estrada, (quase) sózinho. Havia alguém que me acompanhava.

Acabou por não custar assim tanto. Apenas comecei a correr por volta do 2º Km. O trânsito era escasso e os Kms passavam-se calmamente.

As primeiras 2 horas foram feitas a 8Kms/Hora. Estava a portar-me bem. O sol começava a levantar-se e a mostrar um dia que seria muito bonito.





Por volta das 02:30 hrs de percurso parei para tomar o 2º pequeno-almoço. Soube-me muito bem. Meia de leite, 1 queque e 1 café.

Segui caminho, para logo à frente complementar com uma sandes mista caseira.

No farnel, nesta 1ª metade do percurso, ia: 1 Barra / 1 Gel energéticos, 2 Bananas, 1 Sandes Mista, 1 Pacote Polpa 100% Fruta (do Alex… ), 1 dose de amendoins salgados / de cajú salgado / de sultanas, 1/2 pacote de chipmix, 1 lt de água, 2 porções do bolo energético.

A 1ª parte, até aos 16 Kms era a mais exigente em termos de subidas. Depois começou o carrossel de subidas e descidas e o passo, mesmo que involuntariamente, aumentou um pouco, para a casa dos 9 kms / hora. O trajecto tem muita subida e descida mas é na sua grande maioria tudo ligeiro.

Mesmo depois do sol nascer o frio fazia-se sentir.

O meu equipamento para a viagem foi: 1 gorro de malha, 1 luvas de malha, 1 T-Shirt, 2 Polares, 1 Corta-Vento, 1 Colete Reflector, 1 Bidon com cinto à Tiracolo, 1 Bolsa Tiracolo, 1 Mochila, 1 Led na Mochila, 1 fita reflectora na Mochila, 1 Calções, 1 Meias e os GT-2150.

Optei por levar calções unicamente por razões práticas. Comecei-me a imaginar a ter vontade de encostar, para ir ao WC, alguma dúzia de vezes com aquela água toda que iria beber e a ter de tirar aquela panóplia de artigos para conseguir tirar as calças. Com os calções, como bem me entenderão, as coisas ficam mais acessíveis (…).

Claro que há o reverso da questão, e esse residiu no facto de ter ido para a rua, com aquele frio, de calções. De vez em quando olhava para as pernas e via-as encarnadas (...). Claro que a pessoa abstrai-se e continua, sem ligar. Só muito mais tarde, quando já em casa me meti debaixo do chuveiro, é que me apercebi dum ardor em reacção à água quente a cair, principalmente na coxa esquerda. Tinha as coxas queimadas, do frio que apanharam na viagem!! A esquerda estava em pior estado porque o lado esqº foi o que andou sempre mais perto da berma e exposto ao frio que vinha, principalmente do lado esquerdo.

Consegui passar as piores partes do percurso, em questão de trânsito, antes da hora de ponta e por isso o percurso para lá, correu de modo pacífico. Em cada subida petiscava e hidratava. O físico não reflectia qualquer tipo de cansaço. Sentia-me muito bem.

Outra questão que me levantou algumas dúvidas foi a falta de conhecimento do trajecto. Em 2 fins-de-semana anteriores fizera o reconhecimento até cerca dos 30 Kms, mas os últimos 20 Kms eram completamente desconhecidos. Olhar para um mapa no GoogleMaps, GPSIES ou Garmin é diferente do que estar no local, ver subidas, descidas, cruzamentos, curvas sem bermas, etc, etc. Mas também aqui esses temores se revelaram infundados, pois nunca andei realmente perdido e se alguma vez me desviei do percurso traçado, foi engano desprezível em termos de distância.

A cerca de 10 Kms no final da 1ª parte comecei a sentir um dedo do meu pé esquerdo. Aqui outro facto digno de ser registado, para futuras situações. A 3 dias da minha demanda, encontrei na SportZone umas meias de compressão. Era um artigo que há algum tempo ambicionava experimentar e não resisti, logo nesse dia, terça-feira passada portanto, as experimentei, no último treino antes da viagem de sexta. Comecei a pensar levá-las na viagem. Apesar de tudo o que já aprendi e que os outros me ensinaram, acerca do equipamento a levar ou especialmente a não levar, acerca dos repetidos conselhos para não se estrear nada em dias de eventos especiais, meteu-se aquela na cabeça e pronto. Ainda as lavei, na tentativa de lhes dar algum uso, pelo simples facto de as lavar num programa leve. Claro que esta m/experiência tinha de dar mau resultado.

A 10 Kms de atingir a 1ª metade da viagem começo assim a sentir o dedo, que foi assim até ao final. Valeu o ‘banho’ de vaselina à partida, às 05:00 quando me calcei e que repeti agora, a meio caminho, porque felizmente levei comigo um tubo de vaselina. Descalcei-me, comprovei a existência duma bolha, coloquei mais uma extra dose de vaselina e voltei a calçar-me. A bolha, de facto, só voltou a dar sinal já perto do final, a cerca de 30’ de casa. Do mal o menos e podia ter corrido bem pior.

Estávamos perto das 12:00 hrs, perto dos 50 Kms e perto do meu destino.

Pelo caminho mais de 6 horas para pensar. Muito bom. Muito bom!!

Cheguei ao destino eram 12:16 hrs e tinha cerca de 51 Kms feitos. Enquanto subia a última rua, antes de chegar ao meu destino, sentia-me feliz. O meu sonho de há uns meses estava prestes a ser concretizado.






Continua ...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!! (A Viagem) Cap. IV

... continuação

Passaram cerca de 24 horas sobre a hora da chegada e da conclusão da minha demanda.

Está tudo ainda muito fresco e num momento livre, apetece-me partilhar convosco possivelmente o factor mais importante para ter sido um verdadeiro sucesso esta minha viagem: ter deste lado um Amigo chamado JORGE BRANCO.

O objectivo da 'demanda' estava muito bem definido, muito antes da partida.

Há um ano que foi gradualmente ocupando mais tempo dos meus pensamentos. Foi esse objectivo que me ajudou nos momentos + difíceis antes e durante a viagem.

Mas acresce a esse incentivo, sem dúvida nenhuma, o facto de ter tido, nas cerca de 15 horas de viagem, alguém que deste lado sempre me acompanhou.

Levantei-me às 04:00 de acordo com o planeado, mas demorei-me um pouco mais nos últimos preparativos e acabei por conseguir iniciar a viagem apenas às 05:40, quando o plano era ter arrancado às 05:00.

Às 05:00 recebi o 1º SMS do JORGE BRANCO. "Boa Estrada" desejou-me ele. Logo ali fiquei muito admirado por alguém se levantar de propósito às 05:00 para me enviar um SMS.

Depois, ao longo da viagem, foram exactamente 16 SMS. Leram bem: 16. A viagem durou em termos absolutos cerca de 15 horas. Foram assim cerca de 1 SMS por cada hora de viagem.

Só quem já empreendeu jornadas deste tipo, de longa duração, poderá perceber a força que dá receber qualquer tipo de incentivo no seu decorrer.

Não é para todos poder ter esta sensação de bem longe, saber de alguém que connosco está empenhado em determinada tarefa.

Para mais numa viagem, com o carácter solitário da minha.

Mais do que a descrição da viagem, que poderá ficar para mais tarde, considero ser o mínimo que eu devo fazer, como forma de agradecer a ajuda que o JORGE me deu ontem.

Enviei-lhe 1 SMS ontem, à porta de casa ainda antes de fazer alguns alongamentos. Não sei se alguma vez irei conseguir retribuir-lhe este gesto.

Para já fica o meu Obrigado Jorge.

continua ...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!! (De Partida) Cap. III

... continuação

O saco para o regresso está praticamente fechado.

Os abastecimentos estão alinhavados.

Ultimam-se os preparativos para a minha 'Quest'.

Vejo e revejo tudo o que me apercebo exija a m/atenção. Tenho montes de papéis na mochila que me acompanha diariamente. Uns que planeiam itens em repetido. Vou escrevendo sobre tudo onde quer que arranje um pouco de papel. Em casa, no comboio, no almoço, ando sp a olhar para o moleskine e para as notas que vou tomando.

Imagino a viagem, Km a Km, de 10 em 10 Km, a metade da viagem, os abastecimentos, o equipamento, o frio, o escuro dos 1ºs 20Kms, os sítios por onde passarei, os cães soltos, os sítios que não reconheci nas viagens parciais que fiz de bike na zona (não fiz o reconhecimento in loco dos últimos 20 Kms) e procuro antecipar qualquer eventualidade.

Na m/cabeça já tudo roda à volta desta 'aventura'. Gostava de a encarar estritamente como uma viagem de reflexão. De memórias. Afinal é para isso que corro, para não esquecer. Mas a componente física assume a sua real importância. Mesmo apoiado pelo telemóvel e com ajuda a cerca de 1 hora de distância, fazer 100Kms não é coisa que considere de ânimo leve.

A motivação está em alta e a consciência do que aí vem faz com que a cabeça neste momento só tenha 1 assunto. É nesse que estou agora concentrado na maior parte do tempo.

Esta noite acordei às 04:15. Eu sei que será pura coincidência, mas é precisamente essa a hora a que deverei acordar na próxima madrugada!!

A partida será às 05:00.

As 05:00 de dia 3-Fev alteraram o rumo de algumas vidas, a minha inclusive!!


Continua ...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!! (A bagagem) Cap. II

... continuação

Ultimam-se os preparativos para a minha 'Quest'.

Já comprei uns artigos de iluminação, uma vez que farei cerca de 20% de noite e uns suplementos energéticos.

O equipamento não suscita dúvidas. É velho, como convém para uma jornada que durará acima das 12horas.

Entretanto já obtive a participação dos meus Filhos + velhos, que irão estar a 1/2 caminho. Este importante contributo altera um pouco a bagagem e o farnel.

Para já, ficou assim a lista para o 'Dia D':

Cap. I (Incontornáveis)
- Alguns €uros
- Telemóvel
- GPS 'Silver', claro!
- GPS (NDrive) para auxiliar em caso de dúvida no percurso
- Mapa c/Rota em papel (just in case ...)
- Colete Reflector
- Corta-Vento
- Luz de sinalização para a mochila
- Bandas reflectoras para os braços
- Bidon 600ml (cintura)
- Garrafa de Água (0,5lts)
- Amendoins c/Sal, Barras e Géis, Passas d'Uva
- Chocolate
- Bolachas ou bolo seco
- 1 Compota 100% Fruta
- Analgésico/Anti-Inflamatório tipo Brufen ou Paracetamol
- MP3
- -


Cap. II (Dispensáveis)
- 1 sandes de fiambre
- 1 pacote de sumo
- n cubos de marmelada
- máquina fotográfica
-


Cap. III (Saco para abastecimento aos 50Kms e viagem de regresso)
- 1 pólo
- 1 t-Shirt para mudar a meio caminho
- 1 garrafa de água 1,5lts
- 1 Compota 100% Fruta
- 1 garrafa de coca-cola 0,5lts
- 1 sandes de presunto (claro ...)
- carregador suplementar para Garmin
- fruta (banana, laranja, pêra)


Se conseguir, irei arrancar às 05:00. Fica também alguma reflexão sobre os 'petiscos' nos abastecimentos.

1ª hora = barra + água
2ª hora = gel + água
3ª hora = peq almoço avantajado + água
4ª hora = banana+ bolachas + água + sal
5ª hora = polpa de fruta + gel + água
6ª hora = bolo + café + água
7ª hora = sandes de fiambre + coca-cola + água
8ª hora = sopa + fruta + barra + água
9ª hora = amendoins + cajú + passas + água
10ª hora = sandes de presunto + mini + água
11ª hora = chocolate + água
12ª hora = polpa de fruta + bolachas + água
13ª hora = sandes de presunto + pacote batata frita + mini
14ª hora = amendoins + cajú + passas + água
15ª hora = mini
16ª hora = mini
...
...
vamos a ver se dou com a porta!!


Continua ...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!! (A bagagem)

Com base em alguma (pouca) experiência, em leitura de exemplos de malta com + experiência que eu, no bom senso e claro, no meu gosto, vou inaugurar aqui uma lista com artºs que me irão acompanhar na m/jornada.

Com o tempo e com as experiências que fizer até lá, a lista irá sendo 'afinada', para que no 'Dia D' haja menos hipóteses de algo correr mal!

Cap. I (Incontornáveis)
- 1 t-Shirt para mudar a meio caminho
- Alguns €uros
- Telemóvel
- GPS (NDrive) para auxiliar em caso de dúvida no percurso que carregar no 'SILVER'
- Mapa c/Rota
- Colete Reflector
- Frontal com luz de presença atrás
- Bidon 600ml
- Amendoins c/Sal, Barras e Géis, Passas d'Uva
- Analgésico/Anti-Inflamatório tipo Brufen ou Paracetamol
- MP3
- Carregador suplementar para Garmin
- Corta-Vento
-


Cap. II (Dispensáveis)
- 1 sandes de fiambre
- 1 pacote de sumo
- n cubos de marmelada
- máquina fotográfica
-


Continua ...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

UTANascentes. A 1ª aventura de 2012




Sábado, dia 7 de Janeiro de 2012, pela frente + um treino especial, o 1º do ano.

Tinha visto a proposta lançada no Fórum, poucos dias antes, e fiquei logo preso ao desafio lançado. Começou por ser o UTAN - Ultra Treino de Ano Novo a que alguém acrescentou UTANascentes.

O objectivo era unir, as Nascentes do Almonda e do Alcoa e andar cerca de 50Kms no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros.

Quem lançava o desafio era nada menos que a Família Serrazina. Jorge o único que até aqui tinha o privilégio de conhecer e agora o Luís, responsável pelo percurso que iríamos percorrer.

Fiquei ‘preso’ à proposta e à envolvente em que a mesma se realizaria.

Interrogações, claro, para a extensão …

Sexta-feira deito-me por volta das 24:00 e coloco o despertador para as 04:00!! Nunca na m/vida me tinha levantado tão cedo!! Mas quando o despertador tocou, devo tê-lo desligado de forma automática e fiquei “só + 5’”. Acordei, passados os meus calculados 5’ (!!!) e iniciei calmamente a rotina das madrugadas de corridas. Afinal, para mim, pouco passava das 04:00am!!

Estava eu nas lavagens quando o Alex Jr. acorda. Fico em pânico!! Aquela hora o rapaz acordar poderia significar atraso pela certa. Mas o rapaz apenas precisava dum aconchego e passados 5’ lá voltou a pegar no sono.

Volto para as lavagens e é aí, depois dos olhos realmente lavados que vejo as horas (!!!!) são 05:30!!! O ponto de encontro, a cerca de 100Kms de distância, deveria ser alcançado às 06:30 e eu estou ainda em boxers!! Visto-me a correr, como a correr e saio para a viatura. São 05:45.

Quando coloco as coordenadas que o Jorge tinha indicado, congelo!!! A hora de chegada que o GPS indica é às 07:01!! Altero logo a rota definida e redirecciono-a para a CREL – Carregado e A1. Ultrapassados muitos limites de velocidade, passo em Aveiras às 06:20 e ligo ao Jorge. Tinha + cerca de 25’ de caminho pela frente e precisava que esperassem por mim.

Logo o Jorge me descansou, pois ainda faltavam cerca de 3 elementos. Cheguei ao ponto de encontro às 06:42. Nada mau. Cerca de 10’ de atraso, dadas as circunstâncias, era aceitável!! Faltavam 2 elementos e fiquei + calmo. Ainda tive direito a um café que me soube 5*****.

Passados poucos minutos era dada a ordem de marcha, para o nosso ponto de partida, na Nascente do Almonda. Fui a correr ao carro, enfiei o que me lembrei no saco e em passo de corrida fui para a carrinha. Eram cerca de 30’ de viagem, e o sol começava a clarear a manhã fresca. Começava-se logo ali a visualizar paisagens esplêndidas. A meio do caminho, olho para as minhas calças e o símbolo do fabricante – Nike, a branco. “ A branco ? “ interroguei-me. “Mas este símbolo parece-me que sempre foi preto, desde que comprei as calças!!” Calmamente baixo-me e apalpo a zona dos fechos nas pernas e constato que estão virados para dentro!! Conclusão: com as pressas vesti as calças ao contrário!! “Espero que tenha tempo para as virar, antes de partirmos”. Chegámos à nascente do Almonda, territórios já conhecidos desde que em 2010 fiz o Trail, a prova que com distinção o Aníbal Godinho organiza anualmente.
Lá fui a correr para trás dum arbusto e com um rápido ‘streap tease’ as calças foram vestidas correctamente. Pouco tempo para preparar e mais uma surpresa: não trouxe o bidon! Portanto, estava sem nada para beber, durante os próximos 50Kms, e completamente entregue, portanto, aos abastecimentos organizados.

Em troca do bidon, decido-me a levar comigo a máquina, para ilustrar esta aventura, prestes a começar.



Após a foto da praxe, junto à nascente do Almonda, a actividade inicia-se, passavam alguns minutos das 08:00, e os 18 participantes começam a galgar a ‘parede’. O sol tinha nascido há alguns minutos e as vistas são de tirar o fôlego.

O pelotão vai intervalando o andamento em passo forçado e a corrida. Vou na cauda, com a Célia Azenha, a quem já tinha acompanhado na edição de 2010 do Vale de Barris.

O PNAC abrange uma área de cerca de 35.000 hectares de maciço calcário e tenho a impressão que passamos por cima dele todo. É pedra, pedra, depois + pedra e ainda +pedra!!

Stº António, Alvados, Minde, são nomes que vou ouvindo e por onde vamos passando. Mas o que fica mais gravado na m/cabeça e principalmente no meu corpo é o Carrasco. Este arbusto inunda as numerosas encostas que vamos passando, ora para cima, ora para baixo, por vezes com inclinações que assustam.

Não sou do campo. Não estou acostumado a treinar por cima de pedra e através do carrasco e trovisco. O Luís Serrazina, por exemplo, fez todo o caminho com calções (!!!).

Gradualmente os Kms vão passando. Por volta da ½ Maratona o dedo começa a doer-me e vai andar assim durante uns Kms e um bom par de horas.

Os abastecimentos são 6******. Foram cerca de 5, se não estou enganado e onde eu aproveitava para beber o que conseguia (!!!). Água, sumos, cerveja, broas com frutos, pão, queijo, doce, bananas, tangerinas, maçãs era basicamente o que era disponibilizado, por uma equipa de voluntários que nos acompanhou todo o dia. Para eles o meu muito obrigado!!



Principalmente as descidas, gradualmente, vão-me custando mais. Os pés estão muito doridos, pela enorme quantidade de pedras que estão no nosso caminho.

É de realce o cuidado que os nossos anfitriões nos dispensam. Geralmente ocupo a cauda do pelotão, juntamente com a Célia Azenha, que em modo de Pausa, se prepara para mais uma das suas épocas em grande, em que percorrerá + Kms do que eu hei-de percorrer em 3 ou 4 das m/épocas. Mas somos sempre acompanhados seja pelo Jorge seja pelo Luís. Ocasionalmente, lá à frente faz-se uma pausa e o pelotão volta a reagrupar. É isto que eu entendo por um treino em conjunto, onde o convívio fala mais alto que as performances individuais.



Este não é claramente o meu pelotão. A grande maioria daquele pessoal são ultra maratonistas, habituados a Kms que para mim são impensáveis. Família Serrazina, com destaque para a Glória, que parece que nem pousa os pés nos milhares de pedras que percorremos, Aníbal Godinho e outros. Outra parte do grupo é pessoal novinho, provavelmente com cerca de metade da m/idade, e a quem os Kms não pesam ainda!

Mas nunca me senti sozinho. A maioria do pessoal esteve muito tempo parado á espera dos mais lentos e isso criou um espírito de grupo excepcional.

De vez em quando passamos em terrenos um pouco mais soft e aí corre-se um pouco e sabe bem. É um ‘spa’ para as solas dos pés.

Atingimos o último abastecimento com o sol quase a desaparecer e temos já a certeza que iremos chegar de noite. Descemos mais uma encosta acentuada, mais carrasco e mais pedra à descrição e atingimos finalmente terrenos mais baixos e planos.

Iniciamos a última parte do n/trajecto e a Glória passa à minha frente. Colo-me nesse grupo, que tento acompanhar. Mas a Glória está fresca (!!!). Sei que atrás de mim vem o Jorge e o Aníbal e numa bifurcação, opto por não arriscar e espero por eles. É com eles que vou então o resto do trajecto, até ao final, por um caminho iluminado pela lua cheia. Até ela ajudou à jornada.

Chegamos à nascente do Alcoa por volta das 18:30 e a m/aventura está terminada.

Mudo de roupa, agarro-me a um pacote de sumo de uva, sumo mesmo (…) e mato a sede.

No caminho o Jorge comenta que a jornada de hoje foi um “aquecimento”!! Amanhã há provas de corta mato para os distritais!! Está a gozar comigo. Só pode!!

São cerca de 15’ de retorno até à ‘base’. Lá, já está outra equipa que preparou uma longa mesa com vária comida, para nos receber. Tenho de ir embora. Lamento muito Jorge e Compª, mas não posso ficar. Para não ser completamente insensível a quem esteve quase todo o dia a cozinhar para nós, aceito uma canja, que me sabe como há muito não sabia uma canja. Pudera, esta canja foi bem sofrida!

Tenho de arrancar e terminar a m/aventura.

Agradeço ao Jorge, Luís e a todos os Serrazinas que tão bem nos receberam, tão bem nos orientaram e guiaram num dia rico de emoções.

Agradeço à equipa que nos proporcionou os abastecimentos. Foi mais um ponto alto nesta organização.

Agradeço às senhoras que na base estiveram a cozinhar e apresento as m/desculpas por ter saído sem ter provado nada mais para além da canja de galinha!

É isto que gostaria de fazer.

É um pouco tarde. Estou um pouco fora de tempo, eu sei. Com os meus 51 anos é já difícil acompanhar grupos com a rodagem que este tinha. Mas é isto que gostaria de fazer. Correr assim é muito diferente.

Os Serrazinas mostraram como se faz bem um convívio a correr. Um exemplo.

Obrigado a todos


Nas contas dos meus treinos ficaram +50Kms e cerca de 10 horas de actividade!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Correr ... Por quem não esqueci!!

Fez precisamente ontem 11 meses que a ideia nasceu.

Afinal, a corrida foi algo que fez parte da n/vida, durante uns valentes anos, até que em 1986 saí da minha casa de Benfica.

Mesmo depois, casado e a morar na 'Porcalhota', ainda houve alturas em que fiz o meu treino entre a Porcalhota e Benfica, apenas para a surpreender. E surpreendia sempre!!

Já o escrevi algures, que foi com ela que fui pela 1ª vez visitar a outra Mãe, a das Meias Maratonas. Fomos os 2, num Mini, á Nazaré, onde me estreei nas corridas a pé, no ano de 1985, em que corri a minha prova.

Depois disso ainda voltámos lá, mas sempre acompanhados por + alguém.

Mas para ela era especial, como é óbvio. Foi a minha maior fã.

Por isso a ideia nasceu, há precisamente 11 meses. Correr por ela e visitá-la, uma vez por ano a correr.

Para já será este ano, o mais difícil por se tratar do 1º ano, por não estar minimamente preparado, por nunca ter corrido uma distância parecida sequer, por conhecer mal o trajecto, por ..., por ...

Depois, gostava de fazer desta jornada o 'main event' anual. Seria para ele que me prepararia todos os anos e todos os anos faria a viagem, sempre no dia 3 de Fevereiro.

Todas as outras provas, passariam a ser encaradas 'apenas' como treinos.

Enquanto conseguir correr é essa a ideia que eu tenho. É este o meu Projecto. O Projecto.

Será um Projecto pessoal. Será algo que quero, tenho e devo fazer sózinho. Sem companhias ou colaboração de qualquer origem. Será, como é comum ler-se, uma jornada em completa autonomia!

O objectivo é sómente fazer uma visita de cortesia. Para matar saudades e passar uns minutos antes da viagem de regresso a casa.

Calculo que devam rondar os 55Kms para cada lado. Cada vez que vou a um mapa, google, gpsies, mapmyrun, garmin, dá uma rota diferente e um diferente número de Kms. Por isso já desisti de procurar obter uma distância certa. Faço a viagem e depois logo a meço!!

Esperava ter tido + tempo para treinar. Depois da Maratona, teoricamente lançado com algum margem suplementar de endurance, tive no entanto de parar os treinos por causa da dor na articulação do pé (hálux), reflexo ainda do incremento de Kms para me preparar para aquela prova. Recomecei a treinar, com regularidade, apenas na semana do Natal. Tenho por isso, até lá, 5 semanas.

Daqui a 1 mês espero por isso conseguir "Correr ... Por quem não esqueci"!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Revista do Ano de 2011

Acabou!
Finalmente!!

2011 não deixa saudades e foi com uma sensação de alívio que me despedi dele, no passado dia 31.

Nem tudo foi no entanto mau e apesar de tudo tenho de ter algum optimismo e olhar muitas coisas boas que apesar de tudo aconteceram.

No ponto de vista desportivo, que é o que pretendo aqui realçar, foi o ano em que terminei a Ultra Maratona Atlântica e em que fiz a minha 4ª Maratona.

Após a experiência fracassada de 2010, em que desisti aos 28Kms, na edição deste ano da UMA já consegui terminar. Foi uma vitória digna de realce.

Quanto à Maratona, terminei em Dezembro, a minha 4ª Maratona. Em relação à 3ª, fiz menos cerca de 20'. Foi por isso cerca de 30 segundos que roubei em cada Km em relação à edição de 2010. Foi igualmente nesta Maratona que cortei a meta acompanhado pelo Alex Jr.. Foi a 1ª de muitas que espero ele passe comigo!

Muito mais importante que os tempos obtidos, é perceber que o corpo começa a ganhar ritmo, após cerca de 2 anos de prática, sem grandes paragens.

2011 foi o ano em que conheci o meu fiel 'SILVER' - Forunner 305, que recebi em Janeiro e que desde aí não mais me abandonou, em todos os treinos de corrida.

Foi igualmente um ano em que felizmente e excepto algumas situações de algum alarme, consegui correr sem lesões.

Tive a questão do músculo da perna direita, possivelmente resultado de algum excesso para a UMA e depois tive a questão do hálux do meu pé direito, igualmente resultado do aumento de preparação para a Maratona.

Fora estas duas questões e obviamente o período do 'defeso' de Ago/Set, em 2011 consegui correr sem problemas de maior.

2011 trouxe igualmente a piscina como O Treino por excelência das quartas-feiras. Depois de em 1980 ter feito mais ou menos de forma regular, treino de piscina, consegui em 2011 voltar a fazer 100 piscinas seguidas nas minhas sessões de treino. (Re)comecei a fazer piscina após a operação ao menisco, em inícios de 2010. Em 2011 fazer 1 hora de treino e 100 piscinas passou a ser O Treino e isso é sem dúvida uma vitória essencialmente da persistência sobre o esforço, face aos benefícios que retiro daquele dia.

A m/época, em termos competitivos, foi reduzida à Meia da Areia (Maio), à UMA (Jul), à Meia da Nazaré (Nov) e à Maratona (Dez). Ainda tive outras experiências planeadas, mas acabei por as anular.

Sinto-me satisfeito com este meu calendário.

Gostava de experimentar, por exemplo, o Trail de Sicó, ou o do Alqueva.

Gostava de voltar ao Vale de Barris e a Almonda.

A acrescentar alguma coisa aquele calendário, será por aí que irei avançar. Cativa-me mais a terra. Não estou minimamente virado para o alcatrão!!

Estes foram os números do ano de 2011:

Actividades = 206 (corrida + piscina)
Distância = 2.220 Kms
Tempo = 246:49 horas
RC Médio = 132 BPM
Calorias = 192.320

Planos para 2012 tenho, 'apenas' 1!!

Apenas 1 projecto, pessoal, em que irei tentar fazer qualquer coisa a rondar os 100Kms!

Esse é sem dúvida O Projecto para 2012!!

Será já em Fevereiro. Tenho por isso 1 mês para me preparar!!

Nessa 'aventura' o importante é chegar ao meu destino. Não será tanto uma corrida, mas mais uma jornada.

Será sem dúvida uma aventura. Se conseguir fazê-la será uma vitória magnífica.

Embora pessoal, sei que os meus Amigos me acompanharão neste projecto. Sem grandes relatos, sem grandes mensagens. Irei apenas confiar em que estarão comigo, naquelas estradas que irei percorrer.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

São Silvestre Pirata de Monsanto

A Pirata está a afundar-se!


Quando decidi participar na 2ª Edição da São Silvestre de Monsanto, decidi também que desta vez não ia de carro.
Vi a distância até à partida, que ronda os 7Kms e organizei-me de modo a ir e vir pelos próprios meios.
A 1ª parte da minha Pirataria, foi por isso de casa até ao ponto de partida.
Saí de casa por volta das 20:20, fiz Linda-a-Pastora, Carnaxide, Serra de Carnaxide, Alfragide, Decathlon e Parque de Campismo.
Os cálculos falharam por cerca de 12' e quando cheguei já o comboio da pirataria tinha partido.
Não fiquei muito preocupado, até porque conheço minimamente Monsanto e 12' seriam (pensava eu ...) facilmente recuperáveis.
Lá me meti ao caminho, naquela altura a um ritmo um pouco abaixo dos 6'/Km.
Em cima do 2º Km o 1º engano!
Junto à passagem sob a A5, saído da mata e um pouco desnorteado, estupidamente viro à esquerda em direcção a Pina Manique, quando sabia perfeitamente que deveria virar à direita, em direcção a Montes Claros.
Andei cerca de 300mts e apercebi-me do erro, já quase na rua de acesso aos Bombeiros. Voltei para trás e lá fui eu, agora pelo caminho correcto.
Até Montes Claros o traçado foi seguido, mais ou menos de modo correcto. Quando cheguei à Rotunda comecei a ouvir pessoal e pensei que teria alcançado o 'carro vassoura'. Estava enganado!!
Dei a volta no anfiteatro, conforme o traçado disponibilizado e aqui, entre os 4º e o 5º Kms novo engano. Quando dei por mim estava junto aos edifícios da Faculdade de Arquitectura! Tinha descido demais! Novo retorno!!
Mais volta menos volta lá voltei eu à Alameda Alfredo Keil e segui em direcção à Rotunda e ao viaduto sobre a A5. Aí sim, apanhei finalmente o Luís Parro, com funções de 'carro vassoura'. Com o Luís iam cerca de 1/2 dúzia de participantes(...). A partir dali, apercebi-me que de uma Pirataria se tratava, porque eram vários os grupos auto-formados, que por sua vez adoptavam o trajecto que melhor lhes calhava.
Eu sei que chamar à coisa uma 'Pirataria' é muito giro e fica bem.
Eu sei que fomentar a atingirem-se números perto das 2 centenas de participantes é muito interessante.
Mas depois e tal como me apercebi ontem, dada a partida, ninguém, ou quase ninguém, excepção feita ao Luís Parro, se preocupou com esses participantes, claramente incapazes de correrem 16Kms naquelas condições.
Depois, como se veio a comprovar, o chamado "convívio" resume-se à parte dos comes e bebes.
Será que é esse o objectivo desta iniciativa? Cerca de 200 pessoas juntarem-se 1 vez por ano para comerem e beberem? Parece-me que não!!
Eu sei que cada um tinha a responsabilidade de gravar ou memorizar o traçado que o Parro disponibilizou. Eu não posso culpar ninguém de me ter perdido 2 vezes e não é essa a questão.
Quando alguém escreve num tópico para irem correr para Monsanto à noite, que é muito giro, que "ninguém fica para trás" para trazerem os filhos, irmãos, esposas, etc, será que não está implicitamente a assumir alguns riscos? E se alguém se perdesse ontem, quem dava por isso? E se alguém se perdeu ontem, alguém deu por isso??
O que aconteceu ontem foi n grupos de pessoal, a correr no meio de monsanto, em possivelmente cerca de 170 trajectos diferentes!!
Bem, mas voltando ao meu trajecto. Entre os 7º e o 9º Kms nova alteração, ao traçado original, cortando distância, seguimos pela estrada para Pina Manique, quando o traçado original indicava uma entrada para o mato à direita e depois para a esquerda dessa estrada.
Chegados a Pina Manique, alguns grupos juntaram-se e mesmo com o autor do trajecto presente, logo uns se decidiram seguir por um lado e outros pelo outro.
Segui o Parro, obviamente e com ele seguimos cerca de 10.
Aqui, nesta altura e com o percurso completamente adulterado, já cada um seguia por onde queria.
Voltámos a Pina Manique e depois daí em direcção a Montes Claros. A partir daqui, seguiu-se o traçado divulgado anteriormente. Junto ao estádio, passou por nós um grupo que fazia nitidamente a sua 'prova'. Entre eles reinava a boa disposição. Passaram por nós e rapidamente desapareceram. Lá seguimos, depois daí, completamente em singular. Perdi-me do Parro e nunca mais vi a cauda do pelotão. Se até ali ia tudo disperso, a partir daquele encontro acidental, foi cada um por si, a ver quem corria mais!
Cheguei ao Parque de Campismo e comecei a última parte da minha Pirataria: o regresso a casa. E que regresso!!
Decidi aqui fazer outro caminho, que evitasse passar outra vez pela Serra de Carnaxide e estar a subir e a descer.
Por esta altura as forças estavam praticamente esgotadas e ainda faltavam cerca de 7 Kms para casa. Fui à descoberta, desta vez por baixo, junto à zona comercial (Makro, etc) em direcção a Carnaxide, pretendia eu via Outurela. Mas perdi-me novamente (...) e pouco tempo depois vi-me no meio do Bairro 18 de Maio!!
Aqui meus caros amigos, senti-me mais isolado do que há alguns minutos atrás, completamente sózinho no meio de Monsanto by night.
O ambiente era realmente pouco amistoso (...) e áquela hora havia muito movimento por ali ...
A ouvir algumas bocas, lá segui o meu caminho, que não sabia bem qual era!!
Perguntando aqui e ali, lá consegui chegar ao Hospital de Stª Cruz. A partir dali estava novamente em terrenos conhecidos e rapidamente regressei, até porque a partir daqui é sempre praticamente a descer até Linda-a-Pastora.
Por volta das 23:30 estava à porta de casa. Alguns (poucos) alongamentos, porque estava esfomeado e gelado e a aventura terminou ali.
Fiz 7Kms + 14Kms + 7Kms = 28Kms, nas 3 partes da minha Pirata!

Dificilmente participarei noutra aventura destas, pelo menos nos mesmos moldes.
Agrada-me a ideia de se piratear a iniciativa. Percebo que os 'campeões' não têm qualquer obrigação de andar em 'comboio', mas o objectivo também não é aquele que ontem ficou evidenciado. Ou seja, não me parece que os companheiros que idealizaram esta iniciativa (Parro, Peregrino, Jorge Branco), sonhassem que se tornasse naquilo que ontem se tornou, ou seja, numa série de grupos a correrem em Monsanto à noite!!
Tenho a impressão que não foi bem isto que eles idealizaram para a sua (deles) iniciativa.
Como o António Pinho ontem avançava, antes fazer um trajecto acessível a todos, do que acabar por ter muitos trajectos de acordo com os diferentes ritmos de cada um.
Eu ia nesse sentido e propunha fazer 2 ou 3 trajectos, de distância e graus de dificuldade diferentes, até porque Monsanto o permite. Arranjava 2 ou 3 participantes para cada um dos trajectos e a partir daí fomentava-se que todos andassem dentro dum desses grupos. Para os 'campeões' qualquer coisa a rondar os 30Kms, depois um 2º grupo para um trajecto intermédio, como o que foi proposto para ontem e finalmente um terceiro trajecto, mais curto, para quem não quisesse ou pudesse fazer muitos Kms.
Para alguém que ande, em Monsanto, a 4'/Km, demora o mesmo tempo a fazer 30Kms do que alguém como eu, a fazer 20Kms. Acho que com relativamente pouco esforço, se conseguem trajectos em Monsanto, para ritmos diferentes de modo a não espalhar demasiadamente pessoal por Monsanto, fomentar algum convívio também durante a prática desportiva e que permitisse que os 3 grupos chegassem sensivelmente ao mesmo tempo ao ponto de partida.
Nas (poucas) iniciativas em que participei até hoje no BTT, as organizações sempre têm 2 circuitos, um mais técnico/longo que o outro. E os 2 grupos que se formam, são sempre acompanhados de início ao final, não ficando ninguém para trás ou para a frente de tais grupos. Porque não fazê-lo com a corrida? Será que desvirtualiza assim tanto o carácter 'Pirata' desta São Silvestre? Acho que não!
Assim, nesses moldes, talvez eu participe em nova aventura!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A minha 4ª Maratona


(A chegada mais desejada. Corri os últimos 200mts com o meu Alex Jr. Foi o culminar perfeito para uma prova perfeita.)




E chegou finalmente o dia há tanto aguardado. O dia da Maratona de Lisboa. A minha 4ª Maratona.

A 1ª em 1987 (obrigado João Lima) a 2ª em 1990, a 3ª em 2010 e agora esta, em 2011. De realce, ser a 2ª consecutiva, o que dado o meu historial francamente irregular, passa a constituir obra!

Pouco dormi à noite. Não consigo explicar o estado de excitação, mas sou assim e não há nada que possa fazer. Foram 8 semanas em que foi raro o dia em que a Maratona não me passou pela cabeça. Deitei-me cedo mas depois para adormecer ...

De manhã acordei cerca de 40' depois da hora marcada e a preparação foi necessariamente acelerada. De qualquer modo consegui chegar ao 1º de Maio à hora pretendida e com o tempo que gosto de ter para me preparar.

O tempo está nublado, a temperatura óptima e aparentemente pouco vento. Condições boas para correr, portanto.

O ano passado o factor que pesou negativamente na m/preparação foi a queda que dei a cerca de 4 semanas da Maratona. Nessa altura, os resultados da queda limitaram os treinos específicos que tinha planeados. Este ano foi uma dor que me surgiu, há 2 semanas, na zona do Hálux. Sendo uma articulação muito solicitada na corrida, influenciou bastante os últimos treinos e infelizmente a minha prova, a partir dos 21 Kms.

Voltando à preparação, tive atenção reforçada numa massagem com Voltaren na zona da articulação, o que veio, concluí depois, evitar as dores na 1ª parte da minha prova.

Concluída a preparação, dirijo-me para a partida onde encontro diverso pessoal do Fórum. Lá estava o Ricardo Diez, o Carlos Fonseca, o Luís Parro, o Rui Lacerda (sempre muito concentrado). Faço no início da Rio de Janeiro o meu aquecimento, alguns exercícios para alongar e o habitual 'trote'. A cerca de 5' chego-me ao pelotão e aguardo.

Às 09:00hrs o tiro é dado e arranco na molhada.

Desta vez dispenso o marcador de ritmo. Desta vez tenho o meu fiel 'Silver' e é com ele que irei estabelecer o meu ritmo.

Lutei por esta Maratona. Foi uma luta às vezes diária para conseguir o meu treino. A minha vida não me dá a disponibilidade que necessitaria e por isso não é pacífico conseguir fazer o meu treino, quando e nas condições que o idealizei. Tenho consciência do que fiz e como fiz. Por isso, nas últimas horas antes da partida, passei do objectivo inicialmente definido (baixar as 04:00hrs), para algo mais audacioso, que passou a ser algo, embora indefinido em questões de tempo, substancialmente abaixo daquele 1º objectivo. O único senão seria, como foi, o dedo do meu pé!!

1ºs Kms e a média ronda os 05'/Km. Sinto-me bastante à vontade. É a 1ª parte da prova e eu sei que, em condições normais, conseguirei manter um ritmo nesta cadência, pelo menos até aos 21Kms. A dúvida foca-se da escala da degradação de tal cadência na 2ª metade, e é nessa dúvida que vou progredindo na minha prova.

Para uma cadência a 03:30hrs à Maratona

5Kms = 26' (+1')
10Kms = 51' (+1')
15Kms = 01:15' (+0')
20Kms = 01:41' (+1')
25Kms = 02:06' (+1')
30Kms = 02:32' (+2')
35Kms = 03:00' (+3')
40Kms = 03:30' (+10')
42Kms = 03:39' (+9')
42,190Kms = 03:42' (+12')

Faço Meia Maratona perto das 01:45hrs. Continuo a sentir-me à vontade, mas agora vem a parte que se revelou como mais complicada para mim. Debato-me com a dúvida do limite da m/resistência e em saber como me sentirei no Martim Moniz, zona onde se inicia a parte mais dificil desta Maratona, entre os Kms 37 e 40.

Na zona da 24 de Julho, começo a sentir dores no pé. Estas dores irão manter-se e infernizar-me os restantes 20Kms.

A Maratona é isso mesmo: muita dor e grande espírito de sacrifício. Não acredito que se possa fazer uma Maratona na 'desportiva'! Para ser Maratona tem de haver 50% de físico + 50% de mental. A capacidade de aguentar a dor é essencial para se fazer uma Maratona. Eu enfrento bem melhor a dor que o cansaço. O ano passado, por exemplo, não consegui resistir à Almirante Reis e fiz praticamente a passo os Kms 39º e 40º.

Conseguir ir ignorando a dor no pé e os Kms iam passando, gradualmente mais devagar. Aumentaram as ocasiões em que olhei para o relógio ...

Aos 30Kms passo ligeiramente acima dos 5'/Km. Aos 35Kms a diferença sobe para +3'. Na Praça do Comércio apanho o Fernando Andrade e logo ali me decido fazer durante uns Kms alguma entreajuda. Esta táctica revela-se muito positiva, porque chego ao cimo do Areeiro, que no ano passado fiz a passo, com forças para avançar de novo para cadências junto dos 5'/km.

Assim que alcanço o Km 40º aumento o ritmo, consigo fazer o último Km em 04':48" (!!).

Entro na Avª EUA e o ritmo está óptimo. Será uma entrada em força no estádio. À entrada do estádio, uma surpresa excelente, a minha Filha está à minha espera com o Alex Jr. e a prova acabou logo ali, a cerca de 300mts da meta. Pego-lhe na mão e convido-o a correr com o Papá, como tanta vez ele faz. Mas está ali muita gente e o rapaz fica constrangido e recusa-se. Olho para trás mas já não vejo a Joana e estou positivamente com o 'menino nos braços'. Não tenho alternativa e lá o convenço a ignorar a multidão. O rapaz lá se mentaliza e a recta da meta é feita num esticão (...), como ilustra a imagem que inicia este relato.

Corto a meta. Concluo a Maratona.

Sinto horriveis dores no pé e estou com um empeno daqueles. O Alex Jr. não permite alongamentos. Quer ir ver o tractor que ali está estacionado.

Terminou aqui um dos grandes motivos da minha inveja para com o António Almeida. Cortei a minha 1ª meta com o meu Alex Jr. Muitas se lhe seguirão, assim eu tenha sorte em continuar a poder correr e a contar com a presença dele nas próximas metas que alcançar.