segunda-feira, 27 de maio de 2013

II - Agora sim, sou um Trailer!

Cheguei a Portalegre e ao local da partida perto das 23:00hrs, já com uma camada de nervos daquelas...

As cerca de 3hrs de viagem permitiram-me um flashback nas minhas memórias e no meu caminho até ali, a Portalegre.

Tudo começou há cerca de 25 anos, com um desafio para cumprir os cerca de 21,097mts, na Nazaré. Pouco tempo depois e com a frescura dos meus vintes, foi o desafio dos míticos 42,195mts, na Maratona Spiridon, em Cascais.

Depois, vários anos mais tarde e já no início dos meus cinquentas, no meu 'nascimento' para o Trail, veio o concretizar do sonho do 'ultra', entendido como desafio superior aos 42,195mts.

Há cerca de 2 anos, devido a motivos da minha vida, vieram os 100,000mts.

No passado dia 18, em Portalegre, cumpri outro sonho, fazer uma prova de trail com 100,000mts.

Consegui!!

Portalegre surgiu como hipótese privilegiada, em 2012, quando no Fórum da Corrida, li rasgados elogios à qualidade da prova e à qualidade da organização.

Era o mínimo que poderia e deveria fazer, assegurar-me que haveria boas hipóteses de correrem bem os factores que não dependessem directamente de mim, ou seja, assegurar-me que no aspecto organizativo não seriam colocados quaisquer obstáculos à minha prestação.

Consegui!!

Depois de um ano passado, depois de alguns treinos, umas 'baldas' e algumas provas, eis que estou chegado ao 17 de Maio de 2013.

As últimas semanas não foram pacíficas.

A desistência no Ultra de Sesimbra não augurava nada de bom. Aliás, aquela prova foi um desastre do ponto de vista desportivo, o oposto do que eu fizera um ano antes.

Porque 2013 não tem sido um ano especialmente produtivo em termos de carga de treinos, muitas dúvidas se colocavam à minha capacidade em aguentar tal empreendimento.

À medida que os dias em falta iam diminuindo, crescia a angústia sobre se deveria ou não embarcar nesta aventura.

Passou-me muitas vezes pela cabeça desistir e adiar a viagem a Portalegre por um ano.

Nas vésperas da tão esperada e ao mesmo tempo temida sexta feira, no último treino que fiz, 3 dias antes, senti-me pesado, sem força e por isso profundamente desanimado.

Mas a natureza humana tem destas coisas, o medo transforma-se, supera-se e pensa-se "logo se vê"!!

Ali, em Portalegre, rapidamente me dirigi ao secretariado para recolher o dorsal (M44), de volta ao carro, ainda deu para beber um café numa roulote. Olhei para o relógio e fiquei mais descansado, faltavam ainda cerca de 60' para a partida.

Mais calmo equipei-me, como tantas vezes o fiz, embora lá no fundo, o nó no estômago me lembrasse, de vez em quando, que tinha pela frente 100Kms de pura montanha, num Trail classificado como  "Difícil"  e que concede 3 pontos aos finishers e candidatos ao Mont Blanc!!

Nos últimos dias as condições atmosféricas alteraram-se. As temperaturas baixaram significativamente e a chuva regressou.

Aqui foi um ponto a meu favor: temperaturas baixas e chuva!

  • Às 10:30 dirigi-me ao 'cadafalso'.
  • Às 10:40 fiz o check-in.
  • Às 10:45 estava no estádio, onde tudo iria começar e com muita esperança minha, acabar!
Muitas caras conhecidas. O Francisco Monte que ia fazer a estreia (e que estreia seria ...) nos 100Kms rumo ao Mont Blanc. O Joaquim Adelino, o Luís 'Tigre' Miguel, o Jorge Serrazina, o António Almeida, o Carlos Couto e muitos outros.
Sente-se ali um ambiente diferente da generalidade das provas a que estou habituado.

Não há grandes manifestações, há um clima de alguma tensão. Todos os segundos são aproveitados para ver e rever todos os aspectos no equipamento.

Troquei algumas palavras com o Francisco, desejei-lhe uma boa prova e alguns minutos depois era a partida.

E de súbito cerca de 300 almas são largadas no escuro, para os trilhos que nos separam de estar de volta a este mesmo estádio donde saíamos agora, em passo curto.

Como meio de me auxiliar a controlar o meu esforço e sempre com a Arrábida no pensamento, procurei o Joaquim Adelino.

Ele era repetente, conhecia por isso o traçado e o passo dele, como já pude comprovar em diversas ocasiões que andei ao seu lado, assemelha-se muito ao que eu precisava naquele início de prova.

Alguns Kms à frente encontrei-o. Ia acompanhado pelo Luís Miguel e juntei-me a eles. O que planeei seria fazer com eles a 1ª metade da prova, ver como me sentia nessa altura e depois decidir qual a táctica mais aconselhável nessa altura.

As minhas 'balizas' eram:
  • Pac3 em 07:00hrs
  • Pac6 em 14:30hrs
  • Pac9 em 21:45hrs
Se eu desistisse por falta de pernas, assumia tal limitação e voltava costas. Agora era impensável para mim ser afastado da prova por atingir algum destes PAC fora dos horários definidos.


Há o 1º curso de água e a 1ª cena digna de registo.
Um grupo de 4 espanhóis, todos equipados a rigor e com os bastões da moda. Mas os rapazes estavam com pouca vontade de molhar os pés e a certa altura, sobre as pedras no riacho, a fazer equilibrismo e atrás dos tais espanhóis, vejo as pontas de 2 bastões à frente dos olhos e assusto-me. O sujeito em vez de usar aquilo para se apoiar, estava a usar aquilo para me espetar!!
Desviei-me, atirei-me para a água e adeus espanhóis!!

Os trajectos entre PAC nesta altura são feitos quase em silêncio. Tudo está ainda muito no início. Ainda há muitos Kms pela frente e a noite propicía a algum recolhimento.

Escrevi na altura no tlm.: "1ª hora com 7Kms"
Tinha sido um trajecto acessível, tirando talvez o facto da longa fila que gerou aquele curso de água, com muita gente a querer esquivar-se à água.



No PAC1 - Viveiro (11Kms) ainda vou com o Joaquim e com o Luís. Foram 11Kms para aquecer sem nunca ferver!!

Alguns pedaços de banana e ala, para não arrefecer.

Passados 7Kms, no PAC2 - Alegrete, deliciei-me com tostas acompanhadas com marmelada, naquele coreto de difícil acesso.

Pac2 = 02:27hrs

Neste ponto do traçado mais uma cena digna de registo. Vamos ainda os 4, agora sei que o 4º elemento e que eu não conhecia era a Susana Brás. Aqui ajudo o Joaquim a vestir o corta-vento. Com mais a ajuda do Luís, andamos ali os três à procura  do capucho daquilo. Com 'apenas' 17Kms, já não dávamos com aquilo!!

Está frio e começa aqui o ataque às antenas e ao PAC3.

Escrevi na altura no tlm.: "3ª hora com 19,5Kms. Mais vento e frio. Venho com o Luís e o Joaquim aí atrás"

Adianto-me um pouco, embora nunca nos afastemos muito uns dos outros.

Ando aqui alguns Kms com o Tomé, do Mundo da Corrida. Faz-se silêncio naquela caravana. Tudo no escuro, tudo a passo e concentrado na tarefa que temos pela frente.

Mais umas notas no tlm.: "Vou agora sózinho. Elevação em 950mts. Está muito frio. Mãos e nariz gelados. 4hrs e 26Kms"

Pac3 = 04:54hrs

Adiantei-me um pouco e chego ás Antenas sózinho. PAC3 - Antenas. Está muito frio e muito vento. Uma bancada e um toldo, no meio do nada constitui o PAC3. Alguns elementos embrulhados em cobertores. Faço o controlo, peço um café, agarro em 2 queques e vou para dentro dum contentor, que felizmente alguém abandonou ali. Vários concorrentes vão desistir aqui. Hipotermia! Estarão a sentir o mesmo que eu senti há umas semanas atrás, em Sesimbra.

Escrevi na altura: "5hrs e 30Kms. Nas antenas os 1ºs abandonos. Estou gelado mas sinto-me bem. Sigo agora o Antº Almª. O ambiente aqui em cima é de fugir ..."

Vejo entretanto o António Almeida a arrancar e arranco com ele. Sei que em 2012 ele e o Joaquim andaram grande parte do percurso juntos, é por isso outro candidato para ser 'agarrado'. Sei por outro lado que o Joaquim tem a companhia do Luís, por isso vou à procura da minha.

"Apreciem agora estes 900mts de single track"  está escrito num placard no início duma descida, logo ali à saída do PAC3. Devo confessar que não apreciei nem 1mt daquele single track!!

O nevoeiro dissipava a luz do meu frontal, o frio fazia os meus olhos lacrimejarem e por isso foram 900mts sempre na expectativa duma queda, porque mal conseguia ver o caminho.

Felizmente, um pouco mais à frente começa a nascer o dia. Acompanhado pelo António encontramos o casal de 'lebres' Mota, com quem andaremos durante uns Kms.





Percorremos agora numa zona muito bonita e o nascer do sol é espectacular. É a Barragem da Apartadura, a nossa próxima paragem e final de viagem para mais uns quantos, que desistem ali.

Pac4 = 06:53hrs

Como pão com marmelada e coca-cola. Alguns minutos de intervalo e seguimos caminho, rumo ao PAC5.

sábado, 25 de maio de 2013

I - Agora sim, sou um Trailer!

Na quinta-feira, passado dia 16 de Maio, estava prestes a embarcar naquela que certamente representou a minha maior aventura em termos desportivos: a realização dum Trail com cerca de 100Kms.

A ideia de o fazer vinha já do ano passado, após Runa e os 100Kms que fiz.

Os relatos sobre a edição de 2012 e a qualidade outorgada à Organização, ajudaram à decisão que seria em Portalegre o local para a minha estreia (ou tentativa) de chegar aos 3 dígitos em Trail.

No nascer do ano novo, ataquei e fiz de imediato a minha inscrição.

De lá para cá muita coisa aconteceu, mas a ideia tomou forma gradualmente, começou a andar comigo, gradualmente à medida que o calendário avançava.

Um ultra treino em Sintra, a edição 'pirata' do Fim da Europa, Runa e Arrábida, foram os eventos de 2013, até chegar a São Mamede.

Dias atrás comprei um frontal Black Diamond que substituirá o do chinês que comprei há uns anos para a Pirata de Monsanto. Comprei a Manta de Sobrevivência, que com o apito que recebi em São João das Lampas completou o cabaz dos artigos obrigatórios definidos pela Organização.

Os treinos, esses foram fracos. De facto a preguiça não me dá apenas para a escrita, apanhou-me também outras funções. Treinos dispersos e na sua maioria desadequados para uma actividade daquelas.

Fiz o treino em Sintra, onde contei de início com a preciosa companhia do Francisco Monte e depois, mais à frente, com a do experiente Carlos Fonseca.

Deste recordaria, durante todo o tempo que decorreu até Portalegre, que tudo se resumia a Gestão de Esforço, quando o assunto eram eventos longos, tal como eu pretendia fazer em Portalegre.

A esta distância, acabo por lhe dar inteira razão.

Fiz Runa, claro, num passo sempre confortável porque ali pouco interessa se corro ou não, mas na Arrábida, em Abril, levei com um Reprovado, a encarnado carregado. Não passei dos 30Kms.
Razão: falta de pernas!!

Depois foi cerca de um mês a tentar à pressa arranjá-las. As pernas!!

Voltando à quinta-feira, dia 16, com que comecei este relato, confidencio-vos que passei o dia a imaginar que no dia seguinte estaria todo o dia a correr, em Portalegre e arredores.

Levantei-me e a essa hora estaria no dia seguinte a correr, há 7 horas!
Almoçei e a essa hora, no dia seguinte estaria a correr, há 13 horas!
Saí do serviço e apanhei o comboio para casa e imaginei que no dia seguinte, a essa hora estaria a correr há 18 horas!

Com o equipamento todo dividido e pronto eram 20:00hrs quando arranquei em direcção a Portalegre.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A (des)ordem das coisas.

Pensei um pouco agora que tenho 3 artigos para partilhar convosco.

Tenho andado preguiçoso, essa é a verdade.

Escrevi parte do relato da minha jornada de 2013 a Runa e ficou por ali.

Agora que venho de Portalegre, pensei se seria mais correcto manter alguma ordem cronológica, por força da qual o relato que deveria ser agora publicado seria aquele que descreve a minha ida a Runa, representando este evento o que para mim tem mais importância no ano.

Seguindo nessa ordem seguir-se-ia o relato da minha ida a São João das Lampas, fazer a estreia dos Trilhos do Fernando Andrade e finalmente a minha aventura e igualmente estreia no Ultra-Trail em São Mamede.

Se todos os relatos são importantes para mim, porque tenho gosto em partilhar convosco as minhas aventuras, tb não é menos verdade que quanto mais atrasar a publicação destes artigos no meu blog, mas desactualizados eles ficam e temo perder seguidores (...).

Acabei por me decidir em baralhar as coisas e publicar o evento que tenho mais fresco na memória e depois publicar os outros dois.

Runa porque o devo ao que partilharam esta minha jornada, à minha Família e ao grande Jorge Branco e o dos Trilhos apenas porque quero.

Obrigado a vocês por continuarem a dar-me o prazer das vossas visitas.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Cogitando sobre a minha maratona

A propósito dum comentário à minha mensagem sobre a Maratona de Lisboa do último domingo, que o Jorge Branco aqui deixou, dei comigo a pensar se de facto não estarei a 'esticar a corda' e a voltar aos tempos em que corria para tempos.

Recomecei a correr em 2010 e ao mesmo tempo descobri o Trail. Estreei-me no Trail de Vale de Barris, das Lebres do Sado e o meu conceito de corrida alterou-se radicalmente.

A partir daí passei a procurar locais com pisos moles para os meus treinos, passei a evitar dentro do possível e do razoável o alcatrão e a minha época passou a ser na sua maior parte feita em Eventos de Trail. Passei a procurar Eventos que não fossem estritamente 'Corridas', que tivessem algo diferente das 'Corridas' que até ali fazia.

O meu objectivo ao participar nesses Eventos passou a ser mais lúdico e menos competitivo. Claro que a minha 'escola' das corridas a pé dos anos 80 e o meu feitio fazem com que, mesmo irreflectidamente, haja sempre e em todo o lugar qualquer espécie de competição, disputa, mas esse é um espírito de há longa data e como tudo, alterá-lo requer prática e muito treino ...

Na minha última maratona, revivi os tempos em que corria apenas atrás de recordes, atrás de 'PB'.

Agora, apesar de nada ter planeado nesse sentido, o que é certo é que naquela manhã deu-me para ali e fui fazer uma 'corrida' à antiga!

Com o comentário do Jorge voltei, reflecti um pouco e não foi preciso muito para concluir que não vou alterar nada em relação ao passado recente. Vou continuar a procurar obter prazer na corrida e não recordes pessoais. Vou continuar a procurar o meu bem estar em vez de arriscar uma lesão que com os meus 52 anos tornar-se-ia provavelmente numa lesão crónica de médio/longo prazo.

Vou por isso continuar o meu treino para correr com os outros e não contra os outros.

Vou procurar observar e gozar o que me rodeia enquanto corro e não apenas o alcatrão à minha frente.

 Vou procurar Eventos onde me sinta mais do que um simples número para a estatística.

Faço cerca de 12 provas ou Eventos por época e quero que a maioria seja  just for the fun !!

Não quero que os 'eventos' se transformem em rotina. Gosto de diferenciar treinos de 'eventos'. Era incapaz de fazer, como alguns fazem, provas todos os fins de semana. Gosto de sentir a adrenalina nas manhãs de 'Evento'. Gosta da expectativa das vésperas. Com 50 provas por ano, tudo ia ser apenas mais um treino.

Provas como a Maratona serão uma excepção.

Eventos como Melides, Arrábida, Almonda, UTAN, serão a regra.

É nesses eventos que me sinto bem. Eventos onde há tempo para tudo, inclusive o simples acto de beber 1 copo de água com calma, sem estar com medo de perder o pelotão!

Claro que é natural que haja competição na minha actividade. Mas quero que essa competição seja mais comigo mesmo e não pelos recordes, ou tempos.

Claro que enquanto me der gozo, continuarei a fazer 1 maratona a 'abrir', mas será uma excepção na minha época, como aliás tem acontecido nos últimos 3 anos.

Obrigado Jorge por me teres feito parar um pouco e pensar, para assentar ideias.

E agora venha a próxima.

Para já vou para a cama porque amanhã tenho um rico treino em Monsanto, bem cedo, com o restante grupo dos 'Desalinhados'.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A minha Maratona, peça a peça!!

O António informou: 03:28:38. (tempo do chip) É por isso o meu tempo oficial.

Média: 04:58 / Km

E agora a pedido ...

Km 0 - Frio. Muito frio. Francisco Monte à partida. É para marcar em cima. Molhada. É furar lá para a frente, sempre à vista do Francisco que parece querer fugir ...

Km 1 - Apanho o balão das 3:30. Grande concentração. Mas lá para a frente logo dispersa!!

Km 2 - Descida para o Areeiro. Assim até parece fácil.

Km 3 - Av. de Roma. Está ali o Eduardo Santos (??). Está perdido concerteza!!

Km 4 - Vislumbro o Jorge Branco a gritar feito doido: "Olhó comboio das 3:30!!" Afinal é ele o homem que corria praticamente nos comboios!!

Km 5 - O frio já era ...


5:51 / 4:32 / 4:44 / 4:57 / 4:52


Km ? - Alvalade. Quando aqui passo dá-me sempre aquela vontade (...). E tem de ser, ali numa árvore.

...

Km 10 - Carnide. Algum cansaço. Ups, que é isto?? Cansado?? Abastecimento. Páro e bebo uns golos de água. Confusão com a malta das estafetas. 'Meninos' que correm uma maratona às prestações!! Homem que é Homem é a Maratona SÓ pra passar o tempo ao domingo de manhã ...


 4:48 / 4:49 / 4:49 / 5:09 / 4:38



Km ? - Colombo. Está tudo bem. A bandeirola cativa a atenção dos pedestres. O grupo é assim facilmente identificado como "O das 3:30". Sinto algum orgulho. Confesso-me!!

Km ? - Sete-Rios. Agora é um bocado a subir até ao CI.

Km 15 - José Malhoa. Abastecimento. À passagem pelos hotéis é só estrangeiros. E à passagem pela mesquita ouço algumas preces atrás de mim. Mais água e depois mais um forcing para recuperar o atraso. Até aqui já foram, acho que 3 paragens. Estes sprints desgastam. Mas se me engasgo ainda é pior.


4:45 / 4:46 / 4:49 / 4:54 / 4:55


Km ? - A.A.Aguiar. Uau!! Agora é pra descansar até lá abaixo!!

Km ? - Marquês de Pombal. Parece que sou eu que sou o estrangeiro aqui, no meio da fiesta espanhola! A vista de Lisboa daqui é espectacular!

Km ? - Rossio. Queixo-me do piso.

Km 19 - Pç. do Comércio. E finalmente alguma festa Portuguesa. Uns tambores e algum barulho. Os portugueses também não têm razão nenhuma para festas!!

Km 20 - A ligação ao Cais do Sodré, ainda em obras, reduz o espaço de circulação. Muita gente e dificuldade em correr. Mais uma água e o 'passeio' está a acabar-se.

5:08 / 4:52 / 4:44 / 4:50 / 4:55

Km 21 - D. Carlos I e é a Meia Maratona com 01:42:51! A margem de 2' é curta para o que ainda aí vem. Grande confusão com o pessoal das estafetas todos a afunilar a passagem.

Km ? - Alcântara e uma queda de dois. O magote à volta da bandeirola é tal que tropeçamos uns nos outros. É irracional a fixação que temos por aquele desgraçado que aceitou tamanho fardo. A marcação é literalmente em cima!! Depois acontecem destas. Se aquilo fosse comigo tenho a impressão que ficava ali, estendidinho!!

Km ? - Finalmente o retorno. Leva a habitual palmada. 'Só' faltam 12Kms. Vejo o António Almeida.

Km ? - Gerónimos. Afasto-me do balão para uma distância de segurança. Tudo começa a provocar-me atrito. O desgaste aumenta.

Km 25 - Mais um abastecimento. Há pessoal a atravessar-se à frente do grupo para ir beber água! Ouvem-se gritos!

5:00 / 4:57 / 5:00 / 4:57 / 4:57

Km ? - Av. 24 de Julho ao Domingo. Um passeio para alguns. Às vezes são 3 e 4 lado a lado, em amena cavaqueira. Vamos sem grande margem que fará falta depois para o Areeiro. O fuel diesel está a acabar-se!

Km 35 - Cais do Sodré. Acho que aqui tive direito a 1/2 banana!! Um dos mimos da organização!! Não foram muitos!!

4:57 / 4:55 / 5:01 / 4:57 / 5:02

Km 36 - Pç. do Comércio. E perco o balão! É o muro, enorme que se ergue à minha frente!!

Km ? - Martim Moniz. Subo o muro. Olhos no chão (Francisco). Olhos no chão. Mas não sou só eu. Aquilo parece uma via sacra de penitentes por ali acima, em direcção ao Areeeiro!

Km 39 - Pç. do Império. Apanho o Eduardo Santos que afinal não ia perdido. Pergunta-me pelo tempo. Respondo 03:15. Vou-me embora. Ele diz que vai com fome ... Faço contas e sinto que ainda tenho alguma hipótese. Faltam 3Kms e tenho 15' para os fazer.

Km 40 - Pç. do Areeiro. Adoro-a!! Recuso água. Acho que não conseguia beber agora!! Arranco feito desalmado!! Eu bem queria aumentar o ritmo mas acho que o corpo me ignora simplesmente!!

5:00 / 4:59 / 5:18 / 5:20 / 5:25

Km 41 - Av. de Roma. Um sujeito de bicicleta despeja spray nas pernas doutro que aparenta correr (...). Aquilo vai para os meus olhos tal a quantidade vaporizada!! Fujo dali. Continuam os pares e eu aos ziguezagues! O meu mau feitio está no seu auge e pareço rugir!! Av. E.U.A. Adoro-a ainda mais que à Pç. do Areeiro. A descer tudo ajuda mesmo.

Km 42 - Av. Rio de Janeiro. Mas aonde é que está a porta?? De manhã estava aqui mais perto!! Olho para o 'Silver' e ainda marca 3:29!! À m/frente vão dois espanhóis. Sinto-me como o Nuno Álvares. Estes têm de ser meus!!

Entro no Estádio e na recta da meta. Assim que consigo ver o pórtico descanso finalmente!

Consegui!!

4:54 / 4:49

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Maratona de Lisboa

A época 2012/2013 está no início.

Começou este ano com uma estreia no Monge, em excelente companhia do meu filho + velho Guilherme e dos meus amigos destas andanças Jorge Branco e Víctor Silva, que rapida e naturalmente foram adoptados como Padrinhos de 'baptismo' do rapaz!

Seguiu-se-lhe a inevitável Meia da Nazaré e agora esta, a Maratona de Lisboa, que termina o ano chamado de 'civil'.

Depois das férias de verão, propositadamente de descompressão também em termos de corrida, para poupar o esqueleto, simplesmente não me apeteceu começar em força com os treinos. Normalmente, os treinos recomeçam na 2ª quinzena de Setembro e esta ano pura e simplesmente não me deu para ali!!

Passou-se Setembro, passou-se Outubro e passou-se Novembro. Cá o rapaz a fazer 3 corridinhas semanais, de manutenção, sempre descontraidamente, nada de específico, mas a manter uma certa rotina corporal.

Na Nazaré o teste foi superado, com distinção. No final e após um aquecimento de 17Kms o tempo final abaixo da 01:45'.

Mas a Maratona está longe de ser 'apenas' duas Meias Maratonas.

Como já me conheço há uns anitos, à partida confessei-me  "...nem vale a pena planeares uma Maratona calma, porque já sabes..."

Os 5'/Km andavam a zunir ao ouvido há muito tempo. Experimentei na Nazaré e a coisa até se aguentou. Por isso olha ... não há-de ser nada e vai ser para sofrer ...

Às 08:55, na recta junto ao 1º de Maio, confessava-me ao Francisco Monte: hoje vai ser para doer. Para a 1ª parte sei que dá, até porque a 'coisa' é sempre a descer, depois será o que o corpo deixar!!

Assim que a partida é dada procuro o balão das 03:30!! Era este o desafio naquela manhã fria. 03:30!!

Parto sempre muito atrás. Facilita em termos de aquecimento, de ambiente, em termos de cheiros, em termos de cotoveladas e pisadelas mas dificulta noutras coisas, entre as quais o tempo que se perde até se conseguir correr qq coisa.

Outra coisa que é habitual em mim é gostar de começar calmamente e depois ir aquecendo, devagar, davagarinho e só após os 5 ou mesmo 10Kms começar num passo mais certo.

Mas para cumprir o meu objectivo havia que arregaçar logo de início e para agarrar o 'bandeirola' tive de dar ás canetas naquele 1º Km.

Assim que o agarrei colei-me que nem lapa. Eu e mais alguns 50 taradinhos, que rodearam o rapaz qual bóia de salvação no meio dum mar agitado e inóspito!!

Mas no início das provas longas eu vou cheio de água e nesta 1ª Meia fui obrigado a ir à latrina 2 vezes. Se juntarmos a estas duas paragens mais 4 nos abastecimentos, em que parei em todos para beber alguns goles de água, aqui está a explicação para alguma inconsistência no ritmo que consegui na 1ª parte da prova. Se me atraso mesmo que sejam 'apenas' 200mts, é um esforço suplementar que tenho de fazer para os recuperar e tenho a certeza que isto é pura e simplesmente falta de treino. Porque tudo se treina, até o básico de beber água e correr em simultâneo.

De resto foi como planeara antes da prova. A 1ª parte é realmente fácil. Tirando algumas subiditas, aquilo é um passeio. Mas o passeio se é em demasia paga-se caro, logo a partir do Cais do Sodré.

Embora em esforço, a partir dali aumentei a concentração no Km a Km. Lembrei-me da táctica do Francisco "... é olhar para o chão e continuar ..." . Procurei evitar tudo o que me causasse 'atrito' fosse de que género fosse. A partir dos 30Kms há muita coisa que causa atrito!!

A concentração de malta à volta do 'pacemaker' começou a enervar-me, com pessoal que não dá um milímetro entre eles e o sujeito da bandeirola. Já depois do retorno, afastei-me propositadamente daquele magote. Outra coisa que me enervou foi o pessoal mais atrasado da Meia Maratona. Eu sei que ele têm o mesmo direito que eu a andar ali. O facto de eu estar a correr a um ritmo exigente (pelo menos para mim ...) e eles irem em 'passeio', não me dá o direito de exigir ou esperar que eles se desviem por simpatia. Mas porque é que têm de fazer a Meia Maratona a andar e ainda por cima em paralelo, alegremente na conversa e a ocupar por vezes quase toda a largura da via disponível para correr??

É o eterno confronto de interesses, entre aqueles que têm expectativas de um qualquer obstáculo a ultrapassar e os outros, aqueles que consideram aquilo como uma simples manhã de convívio entre amigos!! Sinceramente por vezes inclino-me a que sejam eles que têm razão ...

Depois foram os abastecimentos, em que há pessoal que se atravessa positivamente à frente de toda a gente para agarrar a 1ª garrafa que é oferecida, na 1ª mesa de várias com abastecimentos. O pessoal da organização bem gritava "há mais garrafas à frente" mas para quê, era aquela, a que o pessoal queria a toda a força agarrar e depois era tudo a desviar de todos para evitar quedas!!

Enfim, já com muito desgaste (em vários aspectos) cheguei à Pç. do Comércio e pura e simplesmente a cabeça quebrou. Assim que começamos a subir a Rua da Prata fico-me para trás e lentamente vejo a bandeirola a afastar-se. É o 'Muro'!!

É o pior período. Martim Moniz, Almirante Reis. Em dia de Maratona odeio aquelas zonas de Lisboa!!

A bandeirola vai a cerca de 200/300 mts à minha frente e eu lá vou em direcção ao enorme prédio cor de rosa lá em cima, no Areeiro. Na Pç. do Império vejo á minha frente o Eduardo Santos. Cumprimento-o e ele pergunta-me com que tempo vamos. Respondo-lhe 03:13hrs e sigo caminho!

Poucos metros à frente passo a marca dos 39Kms, faço contas e de súbito a vida volta ao meu corpo!!

Espera lá!! Se vou com 03:15 aos 39Kms, tenho mais 3 Kms para fazer a 5'/Km!! É ainda possível!!

E todo torto lá experimento qualquer coisa que eu queria que se parecesse com um aumentar de ritmo, mas que devia parecer tudo menos isso a alguém que por incrível que fosse observasse por acaso o meu movimento. Em direcção à Av. de Roma acelero o que posso. Lá apanho novamente pessoal lado a lado alegremente em domingo de passeio e eu ali, com os bofes de fora a ter que ziguezaguear por entre eles.

Os espanhóis cheios de vida e garra puxam pelos seus. Os nossos, os portugueses não tiram as mãos dos bolsos, para não arrefecerem!!

Chego à Av. dos EUA e agora são 300mts a descer e lá vou eu, perto da síncope!!

Viro para a Av. Rio de Janeiro e o Estádio parece estar mais afastado do que há poucas horas atrás.

Entro no Estádio e começo a olhar de imediato para o pórtico, com o cronómetro que só consigo ver quando entro na recta da meta.

A marca das 03:29:5x está a virar e aí acredito, vou conseguir!!

E consegui. 03:30:08!! Se a Maratona fossem 'apenas' 42Kms tinha baixado as 03:30hrs. Com as esquisitices fizeram-na com mais uns metros e só por isso passei uns segundos daquela marca.

Fiz qualquer coisa muito parecida a isto em 1990, na minha 2ª Maratona, uma que terminou na Praça do Município, tinha eu os meus 30 anos.

Fiquei contentíssimo e prometi a mim mesmo que agora é que eu me vou esforçar, agora daqui prá frente, para entrar em beleza em 2013.

Seguem-se projectos importantes, aliciantes e desafiantes. Para já são apenas projectos, só em Janeiro decidirei.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Meia da Nazaré (Parte II)

Neste meu, até ver, último regresso às corridas, a ida à Nazaré evoluiu do aspecto puramente competitivo com que a encarei nas décadas de 80 e 90, para algo mais a ver com o prazer de usufruir daqueles ares e ambientes muito particulares nas manhãs de Novembro.
A Nazaré passou a não ser 'apenas' para fazer a Meia Maratona e passou também a ser uma desculpa para fazer um treino especial, longo ou específico, para a Maratona de Lisboa, que geralmente se realiza passadas 3 semanas.
A ideia passou a ser fazer alguns Kms suplementares, antes da Meia e depois fazer a prova, sempre em ritmo de treino.
Em 2010 foi um simples ir e vir no trajecto da Meia, a que se seguiu a prova em 02:00hrs.
Em 2011 variei o trajecto, para a via paralela à estrada que constitui o eixo principal da prova, junto aos campos, a que se seguiu a prova, novamente para 02:00hrs mas com 1 série de 1Km a cada 5 de prova, num ritmo perto dos 04':30"/Km.
Em 2012 melhorei o percurso do 'aquecimento', fazendo um circuito circular desde a Nazaré até Valado dos Frades e retorno à Nazaré.
Passei de 12Kms em 2010, para 14Kms em 2011 e finalmente para cerca de 17Kms nesta última versão, que agradou e que será em princípio a versão para ficar como 'A sessão de aquecimento' na Nazaré.
Este ano apanhei chuva durante todo este período do treino, que só parou na parte final, já à saída do Valado.
Fui o mais confortável que consegui, sempre acima dos 6'/Km e sempre a controlar os BPM. Cheguei ao carro a 15' do início da prova, tempo que foi suficiente para mudar de roupa e fazer um pequeno abastecimento.
Às 10:55 já estava na recta da meta à espera, lá no final de um pelotão que embora sem a extensão doutros que o tempo já ali presenciou, era ainda assim um belo pelotão.
Vi entretanto que estava atrás de toda a gente, junto ao pessoal da Prova de Marcha e tentei furar alguns grupos, sem grande sucesso. De modo que às 11hrs, quando a partida foi dada, ainda tive que ziguezaguear entre toda aquela gente que participando num 'Passeio' não deixam por isso de se preocuparem na posição em que partem e fazem menção de se chegar sempre mais à frente possível.
Acho que foi no 1º Km que decidi que nesta 38ª edição não iria, como nas precedentes, fazer a 2ª parte em ritmo de treino longo. Decidi ali mesmo naquele minuto, que iria testar a minha condição e o quanto conseguiria aguentar a fazer um ritmo mais elevado.
O objectivo passou então a ser o de ver até quando conseguiria aguentar um ritmo de 5'/Km. Iria por isso lutar por fazer qualquer coisa parecida com o que fiz em Maio, na Meia da Caparica.
Para aquela prova prepara-me especificamente. Para esta não fiz absolutamente nenhum treino desse género.
A outra meia foi na areia e esta seria no alcatrão, por isso as coisas estavam mais ou menos equilibradas, se nos abstraírmos dos 17Kms de 'aquecimento' que fiz nesta!!
Km a Km lá fui lutando. No retorno tive mais um adversário, o vento que desgastou.
Mas é assim a Nazaré, algo metafísico. Algo que foge à razão.
Por mais que eu tenha a alegria de retornar à Nazaré, sempre irei obter algo inesperado daquela prova.
É escusado fazer planos. Basta pôr-me a caminho e deixar o resto acontecer.
No passado 11 de Novembro aconteceu novamente Nazaré.
Até 2013 Nazaré!

A Meia da Nazaré (Parte I)

Há factos que só à posteriori assumem uma importância que nos escapara à data em que os mesmos ocorreram.
Estávamos algures em 1985, quando companheiros da actividade que na altura praticava me desafiaram para irmos à Meia Maratona da Nazaré.
Eram os anos de ouro da corrida a pé, do movimento das corridas 'populares' e a Meia da Nazaré era na altura uma prova das mais importantes que se realizavam a nível nacional.
Atalhando alguns pormenores, passadas algumas semanas estreava-me (sózinho ...) na Nazaré, numa edição com muita chuva e estreava-me também nas corridas a pé, coisa que na altura eu desconhecia quase que completamente.
Mal sabia que a Nazaré e a sua Meia Maratona, passaria a partir daquela manhã de dilúvio a ser muito mais que a vila piscatória de mar bravo que eu conhecia.
Nestes 27 anos, voltei à Nazaré em muitas manhãs de Meia Maratona, independentemente da forma física.
Aquela prova sempre teve vontade própria, muito para além da muita ou pouca forma física que eu tivesse na altura, ela foi sempre soberana sobre quaisquer que fossem os planos que eu tivesse feito para o desenrolar da prova.
A 2ª parte da década de 80 foi a altura em que melhores marcas obtive nas provas em que participei e a Nazaré sempre esteve acima dessa questão das performances, que na altura assumiam uma grande importância, como é natural em quem pratica desporto e tem 20 anos.
No passado dia 11 de Novembro, foi mais uma vez a Nazaré, ou o mar, não sei, quem tomou conta dos acontecimentos e me conduziu a vontade a partir das 11 da manhã.
Antes, cerca de 3 horas antes, já eu estacionava o carro após uma viagem calma e por caminhos já conhecidos. Desci a cumprimentar o mar debaixo duma chuva miúda e fria.
O mar é sempre diferente. O mar da Nazaré é ainda mais diferente. Não sei de será o 'canhão', ou o alinhamento entre a escarpa impressionante do sítio e o 'paliteiro' dos mastros alinhados e abrigados no porto, mas há ali qualquer coisa de especial naquele mar!!
Após os cumprimentos, o nervoso miudinho gradualmente apressa-me o passo e dirigi-me à incontornável Arcádia, para o café e o pão de deus habituais de há uns anos a esta parte. Aquele bolo meus caros leitores (...) a desfazer-se ainda morno na boca (...). Sabe sempre a pouco este deleite, mas nesta edição decidi prolongá-lo e ir desafiar a Batel a superar o desempenho daquele menu na Arcádia.
O Nuno Sentieiro há 1 ano atrás mencionara a Batel no seu comentário ao meu relato da Meia da Nazaré de 2011 e eu não sou de virar a cara a um desafio desses.
A casa tem realmente mais montra, é realmente mais pastelaria, mas não me convenceu. Afinal o que eu procuro não são as lojas mas sim objectos de prazer. Pequenos pecados da minha inesgotável gula.
A Arcadia é realmente bem mais modesta enquanto loja, mas naquilo que eu realmente procuro nas manhãs em que vou à Nazaré, que é o prazer de deliciar-me calmamente e sem barulhos a saborear o meu café e o meu bolo, ela provou ser a que melhor se adequa.
Tenho pena Nuno Santieiro, mas a Arcádia continuará a ser a eleita!!
Com 2 cafés e 2 bolos no bucho (...) seguia-se o dorsal e aí o chato de ter de esperar pelas 08:30. Fui o 1º a sair naquele domingo daquele pavilhão com o dorsal no saco e agora havia que acelerar para a 1ª parte da corrida do dia: o aquecimento!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Serei um corredor?

Ao revê-la, com um pouco mais de atenção, lembrei-me de a partilhar convosco e digam lá que é apenas distorção parental, mas eu parece-me que uma criança de 3 anos já tem todas as aptidões inatas para correr, bem melhor que quem o faz, ou pensa fazer, há muitos anos.



O posicionamento corporal, inclinado ligeiramente para a frente, a leveza que parece elevá-lo no terreno, a facilidade no movimento, que se espelha no rosto. Enfim, parece estarmos perante um pequeno grande campeão!!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Época 2011/2012 - O resumo

Começou com a Nazaré, como qualquer época que se preze deve começar.
A Nazaré fez a preparação para a Maratona de Lisboa. Fui à Nazaré fazer um longo e um intervalado com sentido na Maratona de Dezembro. Fiz 15Kms antes e depois fiz a Meia, com 1 em cada 5Kms para séries. 

NAZARÉ 1ª PARTE

O aquecimento
Foi excelente o meu aquecimento para a Meia Maratona. Uma cadência excelente sempre acima dos 6'/Km, que resultou numa média de 127 bpm e 06':26"/Km.
Muito certinho, adequado para o propósito pretendido.

Depois, foi mudar de roupa, hidratar, meter algumas calorias e seguir para o 'main event' do dia.


NAZARÉ 2ª PARTE

A Meia Maratona
Mesmo não querendo é difícil conter o entusiasmo de percorrer as estradas da Meia da Nazaré. O objectivo era fazer as 2:00horas e pelo meio ir fazendo umas séries de 1 000mts e foi isso que aconteceu. 
  • 6º   Km - 4:27
  • 11º Km - 4:12
  • 16º Km - 4:11
  • 21º Km - 4:15
De resto o ritmo médio foi 05':33"/Km e o ritmo cardíaco de 149 bpm em média.
Apanhei muita chuva nos últimos Kms, mas a Nazaré é sempre assim, intensa em todos os aspectos.
Seria bom sinal se conseguisse continuar a iniciar as m/épocas invariavelmente na Nazaré. Era sinal que continuava a correr e a manter a tradição da corrida e onde tudo começou para mim, há cerca de 25 anos.
Entre a Nazaré e a Maratona ainda fiz, em 18 de Novembro  o Treino Nocturno de

São João das Lampas,


na excelente companhia do Joaquim Adelino, a servir de guia, visto que fui sempre no final do pelotão e não conheço bem o percurso.
Já que nunca consigo fazer a edição principal, no final do Verão, esforço-me por fazer a nocturna, em pleno e geralmente bem regado Inverno.
Para não variar uma excelente iniciativa do pessoal de São João das Lampas, com especial destaque para o Fernando Andrade, sempre um excelente anfitrião.
Depois veio a,

MARATONA DE LISBOA

Foi a minha 5ª Maratona, 2ª desde o último reinício, em Janeiro de 2010. O ano anterior havia errado um bocadinho as 04:00horas e por isso era esse o objectivo principal para a edição de 2011, baixar as 04:00 de viagem.
03:42:07 , com uma média de 05:13"/Km, foi o tempo que registei. Realce para a 1ª meta passada com o meu Filho Alexandre, que fez os 200mts da pista do 1º de Maio comigo.



Tive problemas com dores no hálux do meu pé e passei um mau bocado por volta de metade do percurso. Felizmente a coisa controlou-se e deu para superar os objectivos colocados.

UTAN - Ultra-Treino Ano Novo



Para o evento seguinte, escrevi no registo:

" UTAN - Com Serrazinas o objectivo foi unir as nascentes do Almonda e do Alcoa numa jornada com tanto de beleza como de dificuldade. Grande empeno!!

Foi uma sessão excelente. Cerca de 7 horas de movimento, numa actividade que começou pouco passava das 08:00, junto à nascente do Almonda e terminou já noite, cerca das 18:00, na nascente do Alcoa. Sempre com uma excelente companhia, sempre com a sensação de um treino realmente em equipa, onde havia um único grupo e não vários consoante o nível de cada um, com sucessivos reagrupamentos e excelentes abastecimentos, tudo a cargo da organização.
Apanhei um daqueles empenos de ter um novo andar durante alguns dias, mas valeu bem a pena!
Em 29 de Janeiro participei em mais um evento especial que constituiu a viagem anteriormente denominada de

Grande Prémio Fim da Europa.



A partida foi da Azóia, depois fiz a viagem até Sintra na companhia do António Pinho. Vi o Manuel Azevedo e a Família Bordalo, que iam noutros ritmos.

No regresso e após as instruções do Fernando Andrade, uma vez mais peça importante nesta iniciativa, vim inserido no pelotão daqueles que acreditaram no treino 'pirata' e partilhei, durante alguns Kms, a excelente companhia dum Raposão na Serra, o Senhor Jorge Branco. A amena cavaqueira só teve que ser interrompida porque perdi contacto com o António Pinho e voltei para trás, sem sorte nenhuma diga-se, pois sem o ver acabei por concluir o treino sózinho, novamente na Azóia.  Quando regressava para casa, vim mais tarde a apanhá-lo, meio perdido lá para os lados da Malveira da Serra.
Excelente treino de cerca de 30Kms em cerca de 03:30hrs numa bela manhã em Sintra.
Depois veio finalmente o evento porque sempre esperei durante o ano, 

RUNA


Foi a minha aventura especial em 2012. Será, espero, a minha aventura especial anual, enquanto conseguir correr ou mesmo andar.

Foram cerca de 100Kms e 14 horas de viagem para visitar quem eu não esqueci.

Fui correr por quem não esqueci!

Uma aventura excelente, com tudo o que era importante a ser conseguido com sucesso. Até tive a minha Família lá a meio da viagem, para dar uma força. O Guilherme, a Joana, o meu Irmão e a minha Dora. Todos foram esperar-me a meio da minha que acabou por ser também a nossa viagem. Durante a viagem tive a companhia do meu Amigo Jorge Branco, que via telemóvel injectou verdadeiras doses de adrenalina, que bem me souberam. A 1ª ainda não tinha sequer partido, por volta das 05:00 e a última, já nos alongamentos, à porta de casa. Foram mais de 10 'injecções' durante a viagem.


De resto foi o que idealizei como viagem em solitário. Para quem corre sempre a contar o tempo, para quem corre sempre a correr, soube muito bem poder andar ali todas aquelas horas só eu e os meus pensamentos. Consegui abstrair-me da questão dos tempos e concentrar-me apenas e só em apreciar todos os momentos daquele dia. Até na meteorologia tive sorte, com um dia cheio de sol, embora com temperaturas baixas ao início e no final.

Depois de Runa tudo me pareceu pequeno ...

ULTRATRAIL DE SESIMBRA


Depois, em 15 de Abril, mais uma estreia e mais um Ultra Trail. Desta vez em Sesimbra
Conheço pouco daquela zona excepcional e era à partida uma aventura acessível, o que veio a confirmar-se. Nem muito difícil nem muito fácil. Exactamente q.b.!!



Enquadramento a fazer lembrar os Candeeiros, numa magnífica volta pela Serra da Arrábida, com vistas deslumbrantes e até um cheirinho a praia, com passagem pelo Meco.

As condições climatéricas foram algo difíceis, mas não estragaram. A organização à altura do que se espera.


MEIA DA AREIA

Em 06 de Maio mais uma Edição da Meia Maratona da Areia na Caparica.

O ano passado fiz a graça de ficar em 3º classificado no meu escalão, com 01:48 conseguidos num dia de grande vendaval na Costa. Este ano coloquei como objectivo fazer 01:45. Superei o objectivo!
Esteve um dia espectacular para correr na Caparica. Pouco vento e temperatura amena. Senti-me muito bem e andei sempre abaixo dos 5'/Km. No final fiz 01:40:48. Há muitos anos que não andava tão depressa numa Meia Maratona ...

CORRIDA DO GUINCHO


Em 27 de Maio mais um evento especial: Fiz a Corrida do Guincho na companhia do meu Filho Guilherme. Uns tempos antes, o rapaz assustou-se com o que viu na balança (...) e começou a fazer umas corridas. Do alto dos seus 23 anitos, bastaram alguns treinos para logo se querer estrear numa prova comigo.

O Guincho apareceu como o local ideal para a estreia do rapaz e foi de facto uma excelente manhã na Malveira da Serra.

E até teve Padrinhos: o Vítor Silva e o Jorge Branco!! Um luxo!!

Foi um dia mais de festa e menos de competição. A estreia correu lindamente. Logo à partida fugiu-me com o Vítor e eu andei uns Kms na companhia do Jorge. Sensivelmente a meio lá me despedi da 'Raposa' e parti para os apanhar mais à frente e fazer o resto a acompanhá-lo. O rapaz ficou muito contente com a experiência e talvez seja para repetir.

A Maio sucedeu um Junho com o habitual Estágio das Areias, em Lagos, com muitos treinos em areia, como convém quando se ambiciona concluir a época na areia!

Treinos difíceis, longos e alguns deles em areia mole. Tudo adequado ao fim em vista.

Antes porém, ainda haveria de ir a Torres Novas, repetir o Trail do Almonda, prova da qual fiz a 1ª edição, em 2010 e que agora, em 2012, voltei a fazer.

TRAIL DO ALMONDA

Foi uma edição com um percurso diferente daquele que fiz em 2010. Segundo confirmado no final pelo próprio Aníbal Godinho, bem mais técnico e mais exigente do ponto de vista físico. Sendo uma prova de 30 Kms, de Trail e a 15 dias da UMA, seria sempre uma prova para fazer descontraidamente.

Aproveitei a mesma onda com que igualmente alinhou à partida o Víctor Silva e consegui tal objectivo. Alguns sustos numa descida bem técnica mas nada demais. De resto uma jornada excelente e em excelente companhia num local que quanto mais conheço mais gosto.

ULTRAMARATONA ATLÂNTICA


E se uma época que se preze deve começar na Meia da Nazaré, para a terminar nada melhor que a Ultramaratona Atlântica entre Melides e Tróia.

É uma prova difícil em todos os aspectos, como escrevi no relato que escrevi acerca dos factores que a envolvem e que a tornam desgastante sobre todos os aspectos, que não estritamente o físico, mas acaba sempre por ser mais forte que toda a razão. É o apelo pela 'aventura' que representa sempre alinhar à partida para uma prova que ainda tem alguma imprevisibilidade.

Escrevi "ainda" propositadamente, porque o apelo dos recordes de inscrições e dos tempos, está gradualmente a ganhar e a preferir o fácil e o acessível, a todas as características que esta prova originalmente tinha. Agora até houve quem escrevesse que era uma crueldade colocar cerca de 400 pessoas a fazer 43Kms na areia, dando-lhes apenas 1lt de água no decurso de tal sacrifício!?!

Para além da inversão do trajecto inicial, que partindo de Tróia deixava a parte mais difícil de Melides para o final, para além de se procurar pela organização o dia com a maré com maior amplitude, de modo a haver cada vez mais areia dura para correr e bater os recordes também do cronómetro, há quem coloque a proposta de começar a ser dado mais abastecimento no decorrer da prova.

Esperemos que prevaleça um pouco do espírito que já não apanhei, mas que me dava algum gozo conseguir. Afinal a UMA ainda representa algum desafio, porque quando deixar de o fazer, então fico-me pela Meia da Caparica, que dá muito menos trabalho!

Quanto a esta edição e sem me prolongar muito mais, uma vez que já escrevi aqui propositadamente sobre ela, apenas quero sublinhar o facto de, sendo a minha terceira participação, foi a segunda vez que cheguei ao fim, desta vez com o tempo de 04:47hrs. Foi a edição mais quente. Foi a edição em que houve mais areia molhada e por isso do ponto de vista físico terá sido a edição mais fácil, se é que o adjectivo é o mais apropriado para uma Ultra Maratona que (ainda) é feita na areia.

Problemas digestivos complicaram e de que maneira o desenrolar da prova e os últimos 6Kms foram bastante esforçados.



E assim terminou a minha Época 2011/2012.


Uma época que tenho de classificar muito boa.

Corri o que quis e o que consegui, sem me aleijar. Estreei-me nas distâncias superiores a 100Kms. Fui a Runa e voltei à Nazaré.

Foram 8 eventos principais.

5 em terrenos moles e 3 em alcatrão. Em 2 destes eventos tive os meus Filhos a acompanharem-me. Destaque natural para a 'Viagem' e para a novidade de fazer pela 1ª vez mais de 100Kms.

Estreia na Arrábida e bons resultados em todas as participações, em comparação com a época anterior.

Fica também o crescente gosto pelo Trail e a crescente fuga do alcatrão, onde para já ainda vou fazendo estritamente o essencial.

De registar o último recorde da época, obtido já no final, em que consegui baixar os 80Kgs, coisa que não acontecia há muitos anos. É um peso a manter no decorrer da época em altura de competição.

Agora a época terminou. Importa descansar mas sem retornar à estaca 0. Interessa diminuir mas sem parar. Se devo por um lado descansar o esqueleto e as articulações, não quero recuar demais. Espero encontrar o equilíbrio.

Para já, farei um defeso a correr 3 vezes por semana. Sessões curtas cujo objectivo será 'queimar' as 1000 calorias. É apenas um número. Podia correr para fazer 60', ou para fazer 10Kms. Mas isso estou eu farto de fazer nos últimos meses. Agora, nas férias da corrida, vou correr para queimar 1000 calorias. É uma maneira de afastar a monotonia do treino.

Continuarei a fazer a sessão semanal de piscina e farei 3 sessões de corrida, pelo menos até meio de Agosto. Aí farei uma avaliação ao estado em que me sentir e poderei ou não cortar as sessões semanais.