Na manhã seguinte o que sinto é a sensação do dever cumprido.
Não é uma sensação muito usual, dado ser uma pessoa preguiçosa, mas é por isso ainda mais gratificante.
Se há alguém a quem devo, não somente isso, mas muito mais que isso, é à minha Mãe.
Para trás fica muita coisa, até chegar às 05:30hrs de ontem (3FEV2014). Realce para as já habituais dúvidas, acerca da condição física e das probabilidades de cumprir esta, que se vai fazendo tradição de 3 anos, com algum prazer.
Confesso que ontem pensei demasiado em mim e no meu corpo e por isso tive menor disponibilidade para pensar naquilo que queria. Se o dia 3/2 não for dedicado (quase) na totalidade a pensamentos e recordações doutros tempos, então não vale a pena andar a percorrer 100 kms. Em vez disso vou para uma qualquer prova qualquer, estilo Portalegre e faço a mesma coisa. Será este talvez o único ponto negativo da minha viagem. A fraca preparação e as sensações dos 1ºs Kms levantaram muitas dúvidas acerca do desfecho da jornada e estes receios, ocuparam demasiado tempo da viagem.
Aconteceu até algo que nas 2 edições anteriores não tinha acontecido, que foi ter mais tempo e disponibilidade para os meus pensamentos na 2ª parte da viagem - regresso, do que na 1º parte - ida. Quererá isto significar que uma vez que me tenha apercebido que fisicamente iria conseguir terminar a jornada, a minha cabeça começou então a ter mais tempo para pensar noutros assuntos.
Ontem a ida foi mesmo mais complicada, porque o corpo simplesmente não tinha a rotina de kms. No regresso, com gestão de esforço, lá consegui aliviar os temores dum colapso e assim sobrar mais tempo para o que afinal ali fazia mais falta.
O dia em termos de clima esteve mais difícil que nos anos anteriores. Mais vento lateral, menos sol e alguma chuva, principalmente no final.
Saí às 05:30 e fiz mais ou menos um ritmo de 7Kms/Hora (*). Muitas paragens e tudo feito com a menor atenção possível ao 'Silver', entenda-se relógio.
A dieta manteve-se idêntica aos anos anteriores. Sem complicações, invenções ou inovações e com limites auto-impostos em questão de espaço, o supérfluo é obrigatoriamente descartado. Desde a UMA de 2012 que só de pensar em Géis e Barras fico enjoado. Desde aí aqueles artigos deixaram de constar na minha trouxa de eventos mais longos e dão lugar a artigos mais simples e principalmente mais baratos.
O Alex Jr. na véspera, esteve a brincar com o telemóvel. Embora eu me tenha lembrado desse facto, à noite a carga indicava estar completa, mas o que é certo é que, provavelmente por estar já algo viciada, com apenas 5horas de jornada e alguns sms, a bateria começou a queixar-se, vindo (a coitada) a desfalecer ainda antes da 1ª metade do caminho. Este imprevisto trouxe algumas complicações a nível de contactos com os meus apoios. A meio do percurso, meti à carga o 'Silver' e o Telemóvel, tendo essa carga, mesmo curta, aguentado com alguma contenção os equipamentos até ao final. No regresso vim com o telemóvel desligado e só o liguei a espaços, apenas para ir avisando da minha evolução.
Vai assim começar A Viagem!
(*) Ver dados estatísticos nos capítulos seguintes.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Pirata da Pirata de Monsanto 2013
No dia 20 de Dezembro de 2013 e pela 2ª vez, pirateei a 4ª edição da Pirata de Monsanto.
Esta feliz iniciativa nasceu há 4 anos, pela mão do Parro e do Peregrino. Resultado da vontade daqueles dois utilizadores assíduos de Monsanto. Estive na 1ª Edição, ainda no Parque de Campismo e até fui o autor duma das duas versões dos Diplomas que por brincadeira se distribuíram no final.
Participei na 1ª Edição, pirateei a 2ª Edição, baldei-me à 3ª e voltei a piratear esta que foi a 4ª Edição.
Na 2ª Edição não gostei do caminho que tomou. Deixou de ser aquilo que penso esteve na génese do projecto, que seria encher Monsanto com um grupo de amantes da corrida a pé e passou a ser mais vários grupos de amigos a correr sózinhos.
Não gostei e afastei-me. Desmobilizei um pouco.
Este ano, o 4º ano, concluo que tinha razão quando escrevi algures, que o figurino era errado quando logo após a partida o pelotão de simpatizantes se transformavam em competidores e tentavam chegar ao fim primeiro que os outros.
Esta ano (e acho que já o fizeram em 2012) passaram a dividir o pelotão em 2 grupos, consoante a cadência, fazendo um percurso mais pequeno e outro um pouco mais longo. Este ano, acho que pela 1ª vez, aconteceram 2 ou 3 situações em que os da frente marcaram passo para possibilitar que o restante pelotão reagrupasse.
Era isto que eu queria dizer desde o início. E penso que seja o formato mais interessante para encarar um evento com estas características.
Penso que há 2 ou 3 anos, em determinada altura quando cheguei às rotundas, viam-se dezenas de frontais no meio de Monsanto e reinava uma perfeita anarquia. Uns grupos de pessoal para um lado e outros para o outro e inclusive houve participantes a perderem-se dos restantes.
Parece-me que ao fim de 4 edições a Pirata de Monsanto ganha alguma maturidade, sem no entanto perder a irreverência que também é saudável a acompanhe.
Mais uma vez este ano e para ganhar pernas para Fevereiro, decidi arrancar de casa até Monsanto, para lá me juntar ao pelotão.
Claro que porque o Passos Coelho quer que a gente trabalhe mais, é muito apertado e arranquei de Queijas já muito tarde, já depois das 20:30. Ora sabendo que Monsanto dista cerca de 6/7 Kms de minha casa e pelo meio tenho de atravessar a Serra de Carnaxide, podem vocês concluir que fui sempre a esticar.
Quando cheguei a Monsanto, nem me lembrei que a partida já não é no Parque de Campismo e arranquei directamente para o início do percurso, ali junto ao canil. Poucos minutos depois, com os bofes de fora, quando passava nas traseiras do Parque de Campismo, começo a ouvir vozes atrás de mim e começo a ver luzes de frontais. Felizmente a partida atrasou-se e eu estava à frente do pelotão. Respiro fundo e meto por uma rua que me levará em direcção ao Batalhão dos Sapadores, dando assim hipótese do pelotão me passar, de modo a apanhá-lo depois e me misturar já perto de Montes Claros.
O percurso da Pirata de Monsanto é exigente logo no início e aquela subida toda em Caselas e depois em Montes Claros são difíceis. Para mim, que já tinha mais de 7 Kms nas pernas ainda o foi mais, mas aguentei-me. Por aquela altura o pessoal que ia fazer a volta mais curta separa-se.
Quando chego a Montes Claros a 1ª surpresa. O pessoal estava todo em carrossel à volta da rotunda, possibilitando assim o reagrupamento. Muito bem. Aumenta o grupo e o convívio entre todos.
Seguiu o cortejo por dentro de Monsanto. Muita gente nova. Muitas senhoras. Excelente. Excelente.
Desta vez o grupo mantém-se junto quase até à parte final. Já era querer demais que tal acontecesse. Quando passamos a Belavista já é cada um por si e já não há mais reagrupamentos. Paciência!
Por essa altura um participante coloca-se ao meu lado e fazemos aquela parte os dois. Ele vira-se para mim e pergunta se falta muito?? É a sua 1ª prova com estas características!! Só começou a correr há uns meses atrás!! Digo-lhe que dali até ao final é sempre a descer e o rapaz fica muito mais descansado!!
Mais à frente esqueço-me outra vez que eles não partiram do Parque de Campismo e quando chamam a nossa atenção eu já ia disparado nessa direcção. Peço-lhe desculpa, despedimo-nos e digo-lhe que eu continuo, até casa.
Na Decathlon como qualquer coisa e preparo-me para a 3ª parte, o regresso a casa.
Tenho pela frente a subida de Alfragide, paralela aos Cabos d'Ávila e depois, lá à frente tenho novamente a Serra de Carnaxide. Sofro um bocado para chegar mas lá chego, completamente arrasado.
Não tenho preparação para estas loucuras!!
Fiz 29,8Kms e andei naquilo cerca de 3:20hrs, com uma média de 6:43"/Km.
Aqui fica o registo da minha Pirata da Pirata de Monsanto.
Espero que mais edições se sigam. Desejo que afinem o formato. O meu sonho é ver 1 pelotão único desde o início até ao final. Tenho a certeza que é a opção mais apropriada para as características do evento. Este ano já gostei mais. Os 2 reagrupamentos só aumentaram o interesse daqueles que vão para ali puramente para passar um bom bocado, penso que seja a grande maioria. Gostaria que assim fosse!!
Esta feliz iniciativa nasceu há 4 anos, pela mão do Parro e do Peregrino. Resultado da vontade daqueles dois utilizadores assíduos de Monsanto. Estive na 1ª Edição, ainda no Parque de Campismo e até fui o autor duma das duas versões dos Diplomas que por brincadeira se distribuíram no final.
Participei na 1ª Edição, pirateei a 2ª Edição, baldei-me à 3ª e voltei a piratear esta que foi a 4ª Edição.
Na 2ª Edição não gostei do caminho que tomou. Deixou de ser aquilo que penso esteve na génese do projecto, que seria encher Monsanto com um grupo de amantes da corrida a pé e passou a ser mais vários grupos de amigos a correr sózinhos.
Não gostei e afastei-me. Desmobilizei um pouco.
Este ano, o 4º ano, concluo que tinha razão quando escrevi algures, que o figurino era errado quando logo após a partida o pelotão de simpatizantes se transformavam em competidores e tentavam chegar ao fim primeiro que os outros.
Esta ano (e acho que já o fizeram em 2012) passaram a dividir o pelotão em 2 grupos, consoante a cadência, fazendo um percurso mais pequeno e outro um pouco mais longo. Este ano, acho que pela 1ª vez, aconteceram 2 ou 3 situações em que os da frente marcaram passo para possibilitar que o restante pelotão reagrupasse.
Era isto que eu queria dizer desde o início. E penso que seja o formato mais interessante para encarar um evento com estas características.
Penso que há 2 ou 3 anos, em determinada altura quando cheguei às rotundas, viam-se dezenas de frontais no meio de Monsanto e reinava uma perfeita anarquia. Uns grupos de pessoal para um lado e outros para o outro e inclusive houve participantes a perderem-se dos restantes.
Parece-me que ao fim de 4 edições a Pirata de Monsanto ganha alguma maturidade, sem no entanto perder a irreverência que também é saudável a acompanhe.
Mais uma vez este ano e para ganhar pernas para Fevereiro, decidi arrancar de casa até Monsanto, para lá me juntar ao pelotão.
Claro que porque o Passos Coelho quer que a gente trabalhe mais, é muito apertado e arranquei de Queijas já muito tarde, já depois das 20:30. Ora sabendo que Monsanto dista cerca de 6/7 Kms de minha casa e pelo meio tenho de atravessar a Serra de Carnaxide, podem vocês concluir que fui sempre a esticar.
Quando cheguei a Monsanto, nem me lembrei que a partida já não é no Parque de Campismo e arranquei directamente para o início do percurso, ali junto ao canil. Poucos minutos depois, com os bofes de fora, quando passava nas traseiras do Parque de Campismo, começo a ouvir vozes atrás de mim e começo a ver luzes de frontais. Felizmente a partida atrasou-se e eu estava à frente do pelotão. Respiro fundo e meto por uma rua que me levará em direcção ao Batalhão dos Sapadores, dando assim hipótese do pelotão me passar, de modo a apanhá-lo depois e me misturar já perto de Montes Claros.
O percurso da Pirata de Monsanto é exigente logo no início e aquela subida toda em Caselas e depois em Montes Claros são difíceis. Para mim, que já tinha mais de 7 Kms nas pernas ainda o foi mais, mas aguentei-me. Por aquela altura o pessoal que ia fazer a volta mais curta separa-se.
Quando chego a Montes Claros a 1ª surpresa. O pessoal estava todo em carrossel à volta da rotunda, possibilitando assim o reagrupamento. Muito bem. Aumenta o grupo e o convívio entre todos.
Seguiu o cortejo por dentro de Monsanto. Muita gente nova. Muitas senhoras. Excelente. Excelente.
Desta vez o grupo mantém-se junto quase até à parte final. Já era querer demais que tal acontecesse. Quando passamos a Belavista já é cada um por si e já não há mais reagrupamentos. Paciência!
Por essa altura um participante coloca-se ao meu lado e fazemos aquela parte os dois. Ele vira-se para mim e pergunta se falta muito?? É a sua 1ª prova com estas características!! Só começou a correr há uns meses atrás!! Digo-lhe que dali até ao final é sempre a descer e o rapaz fica muito mais descansado!!
Mais à frente esqueço-me outra vez que eles não partiram do Parque de Campismo e quando chamam a nossa atenção eu já ia disparado nessa direcção. Peço-lhe desculpa, despedimo-nos e digo-lhe que eu continuo, até casa.
Na Decathlon como qualquer coisa e preparo-me para a 3ª parte, o regresso a casa.
Tenho pela frente a subida de Alfragide, paralela aos Cabos d'Ávila e depois, lá à frente tenho novamente a Serra de Carnaxide. Sofro um bocado para chegar mas lá chego, completamente arrasado.
Não tenho preparação para estas loucuras!!
Fiz 29,8Kms e andei naquilo cerca de 3:20hrs, com uma média de 6:43"/Km.
Aqui fica o registo da minha Pirata da Pirata de Monsanto.
Espero que mais edições se sigam. Desejo que afinem o formato. O meu sonho é ver 1 pelotão único desde o início até ao final. Tenho a certeza que é a opção mais apropriada para as características do evento. Este ano já gostei mais. Os 2 reagrupamentos só aumentaram o interesse daqueles que vão para ali puramente para passar um bom bocado, penso que seja a grande maioria. Gostaria que assim fosse!!
1º Trail da Serra do Montejunto
(Estou a recuperar o trabalho atrasado e publico hoje aquela que foi a minha última prova de 2013. Espero que gostem de a ler)
Quando tenho a oportunidade de agarrar uma 1ª Edição, tento não a desperdiçar e foi o que aconteceu ontem, 1 de Dezembro de 2013, ali na Freguesia de Vilar, uma povoação nos arredores do Cadaval. Vilar formou-se junto ao Monte ou do Montejunto (gostaram desta??) e julgo que a Junta de Freguesia teve a excelente ideia de tirar algum partido desse facto e organizar este evento.
Do programa constavam 3 eventos: a caminhada, o trail curto e o trail longo. Estando em plena preparação para a minha Viagem de Fevereiro próximo, optei pelo trail longo, com 40 Kms e classificado pela organização como de dificuldade física média e técnica fácil.
Inicialmente marcada para as 10hrs, em boa hora a organização antecipou para as 9hrs a partida, decisão de que se devem ter arrependido mais tarde, porque a entrega dos dorsais, sem a já tão velhinha separação entre individuais e equipas, provocou grande congestionamento, o que atrasou de facto a hora de início para as 09:15hrs. Claro que a culpa divide-se entre a organização, que deveria limitar-se a seguir uma fórmula já sem segredos ou novidades e que outras já fazem há muitos anos e entre os atletas, que à boa maneira portuguesa deixam tudo mesmo para a última.
Esteve uma manhã bonita mas muito fria.
O controlo de artigos indicados pela organização como obrigatórios, ficaram pelo regulamento, uma vez que ninguém controlou fosse o que fosse. Por isso e mesmo não se justificando, parti de corta-vento, que tirei e arrumei ainda antes da 1ª légua.
Cerca de 300 participantes partiram para as 2 vertentes de corrida, escoltados por pessoal do btt.
8Kms na 1ª hora, ainda sem grandes dificuldades a não ser o frio. 2ª hora e 14,5Kms e aqui fez-se a divisão. Senhoras e meninos para os 22Kms. Gajas e gajos para os 40! :-)
A temperatura e a altimetria começaram a subir. Montejunto tinha até aquele dia e segundo a organização, 644metros de altura. Mas o doido do meu silver chegou a marcar 651mts!! Conclui-se por isso que ontem, ajudado pelo vento norte, me elevei de facto!!
3ª hora e 22Kms. 4ª Hora e 29Kms. O ritmo continuava mais ou menos uniforme. Cheguei a pensar que despacharia a coisa em 5horas!! Mas às 5horas de prova ainda estava eu nos 36Kms ...
Para trás as dificuldades maiores a virem do vento gelado nas encostas e algumas subidas, como por alturas do Km 29. De resto e em questão da vertente técnica, admito que não considerei fácil, mas se calhar sou eu que subindo mal, desço ainda pior!!
Devo confessar que a gravidade aliada à falta de treino específico, me dão pânico quando enfrento descidas um pouco mais técnicas. O meu centro de gravidade também não ajuda e isso contribui para as dificuldades que tenho principalmente nas descidas técnicas.
Os postos de abastecimento estiveram no geral bem. Por volta dos 25Kms não havia água num deles, mas as minhas reservas deram e sobraram até ao abastecimento seguinte. Ao chegar a esse abastecimento, um concorrente ao deparar-se com a falta de água comentou " ...mais valia não dizerem que havia abastecimentos ..."! Comentei com ele que todos devemos estar preparados para eventualidades destas quando nos colocamos à partida duma prova de trail!! O rapaz devia pensar que estava na Corrida do Tejo!! Como é que alguém, apenas porque a organização informa que há abastecimentos, parte para uma prova de trail de 40 kms à espera que tudo lhe vá parar às mãos? E se ele saísse do trajecto e se perdesse, como faria?? Para além deste episódio mais cómico, os postos estiveram sempre tranquilos, com água, isotónico, fruta e marmelada. Quanto baste portanto!
As marcações estiveram quanto a mim boas, pois nas ocasiões em que andei isolado, nunca senti dificuldade em seguir o percurso. Li depois que terá havido problemas neste aspecto, mas que terá afectado apenas o pessoal que ia mais à frente. Eles que não andassem tão depressa!!
De resto na 2ª metade da prova, sensivelmente depois da divisão entre 22 e 44Kms o pessoal do btt desapareceu de vista. Deviam ser só meninos e foi tudo para os 22Kms!!
Senti-me sempre bem fisicamente e graças à lição de Sesimbra, penso que consegui gerir o esforço perante a minha fraca preparação na altura, agravada pelos 87Kgs com que me apresentei à partida(!!).
É prova a repetir, caso aconteça a 2ª edição.
Tem uma distância acessível, está perto de casa e decorre num local espectacular.
Aqui fica o registo do meu 1º Trail de Montejunto.
Quando tenho a oportunidade de agarrar uma 1ª Edição, tento não a desperdiçar e foi o que aconteceu ontem, 1 de Dezembro de 2013, ali na Freguesia de Vilar, uma povoação nos arredores do Cadaval. Vilar formou-se junto ao Monte ou do Montejunto (gostaram desta??) e julgo que a Junta de Freguesia teve a excelente ideia de tirar algum partido desse facto e organizar este evento.
Do programa constavam 3 eventos: a caminhada, o trail curto e o trail longo. Estando em plena preparação para a minha Viagem de Fevereiro próximo, optei pelo trail longo, com 40 Kms e classificado pela organização como de dificuldade física média e técnica fácil.
Inicialmente marcada para as 10hrs, em boa hora a organização antecipou para as 9hrs a partida, decisão de que se devem ter arrependido mais tarde, porque a entrega dos dorsais, sem a já tão velhinha separação entre individuais e equipas, provocou grande congestionamento, o que atrasou de facto a hora de início para as 09:15hrs. Claro que a culpa divide-se entre a organização, que deveria limitar-se a seguir uma fórmula já sem segredos ou novidades e que outras já fazem há muitos anos e entre os atletas, que à boa maneira portuguesa deixam tudo mesmo para a última.
Esteve uma manhã bonita mas muito fria.
O controlo de artigos indicados pela organização como obrigatórios, ficaram pelo regulamento, uma vez que ninguém controlou fosse o que fosse. Por isso e mesmo não se justificando, parti de corta-vento, que tirei e arrumei ainda antes da 1ª légua.
Cerca de 300 participantes partiram para as 2 vertentes de corrida, escoltados por pessoal do btt.
8Kms na 1ª hora, ainda sem grandes dificuldades a não ser o frio. 2ª hora e 14,5Kms e aqui fez-se a divisão. Senhoras e meninos para os 22Kms. Gajas e gajos para os 40! :-)
A temperatura e a altimetria começaram a subir. Montejunto tinha até aquele dia e segundo a organização, 644metros de altura. Mas o doido do meu silver chegou a marcar 651mts!! Conclui-se por isso que ontem, ajudado pelo vento norte, me elevei de facto!!
3ª hora e 22Kms. 4ª Hora e 29Kms. O ritmo continuava mais ou menos uniforme. Cheguei a pensar que despacharia a coisa em 5horas!! Mas às 5horas de prova ainda estava eu nos 36Kms ...
Para trás as dificuldades maiores a virem do vento gelado nas encostas e algumas subidas, como por alturas do Km 29. De resto e em questão da vertente técnica, admito que não considerei fácil, mas se calhar sou eu que subindo mal, desço ainda pior!!
Devo confessar que a gravidade aliada à falta de treino específico, me dão pânico quando enfrento descidas um pouco mais técnicas. O meu centro de gravidade também não ajuda e isso contribui para as dificuldades que tenho principalmente nas descidas técnicas.
Os postos de abastecimento estiveram no geral bem. Por volta dos 25Kms não havia água num deles, mas as minhas reservas deram e sobraram até ao abastecimento seguinte. Ao chegar a esse abastecimento, um concorrente ao deparar-se com a falta de água comentou " ...mais valia não dizerem que havia abastecimentos ..."! Comentei com ele que todos devemos estar preparados para eventualidades destas quando nos colocamos à partida duma prova de trail!! O rapaz devia pensar que estava na Corrida do Tejo!! Como é que alguém, apenas porque a organização informa que há abastecimentos, parte para uma prova de trail de 40 kms à espera que tudo lhe vá parar às mãos? E se ele saísse do trajecto e se perdesse, como faria?? Para além deste episódio mais cómico, os postos estiveram sempre tranquilos, com água, isotónico, fruta e marmelada. Quanto baste portanto!
As marcações estiveram quanto a mim boas, pois nas ocasiões em que andei isolado, nunca senti dificuldade em seguir o percurso. Li depois que terá havido problemas neste aspecto, mas que terá afectado apenas o pessoal que ia mais à frente. Eles que não andassem tão depressa!!
De resto na 2ª metade da prova, sensivelmente depois da divisão entre 22 e 44Kms o pessoal do btt desapareceu de vista. Deviam ser só meninos e foi tudo para os 22Kms!!
Senti-me sempre bem fisicamente e graças à lição de Sesimbra, penso que consegui gerir o esforço perante a minha fraca preparação na altura, agravada pelos 87Kgs com que me apresentei à partida(!!).
É prova a repetir, caso aconteça a 2ª edição.
Tem uma distância acessível, está perto de casa e decorre num local espectacular.
Aqui fica o registo do meu 1º Trail de Montejunto.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
39ª Meia da Nazaré ou Cadê o pires??
(com o atraso que já se tornou imagem de marca deste Blog, publico hoje a história da minha participação na última edição da Meia Maratona da Nazaré, a 39º, que aconteceu no passado dia 11 de Novembro)
Desta vez atrasei-me! Levantei-me 45' depois do que tinha planeado, pelo que a habitual e (muito) calma rotina das manhãs de festa - leia-se corrida, foi alterada.
Desta vez atrasei-me! Levantei-me 45' depois do que tinha planeado, pelo que a habitual e (muito) calma rotina das manhãs de festa - leia-se corrida, foi alterada.
Com um relativo stress, cheguei à Nazaré às 08:10hrs. A partir daí e uma vez recuperado o tempo perdido, retomei aquela que nos últimos 3 anos tem sido a sequência normal das minhas visitas às Mães.
Iniciei a 1ª fase do dia: "As Apresentações" e desci a rua para ir cumprimentar o mar. Imenso, selvagem e sempre agitado, lá estava ele, sempre no mesmo local mas sempre diferente. Dei um pequeno passeio na marginal e disse para com os meus botões: "estou cá outra vez!!"
Cheguei ao largo onde passado um par de horas, milhares de almas terminariam outros tanto milhares de desafios, todos eles particulares. Subi em direcção à 2ª etapa da visita: A pastelaria Arcádia.
E lá a encontrei, discreta como a conheci em 2010, quando pela 1ª vez tive a sorte de ali entrar. Meia dúzia de mesas, 2 ocupadas e dentro do balcão a azáfama das 2 empregadas a arrumar tabuleiros trazidos directamente da fábrica. " Um pão de deus e um café escaldado ", foi o pedido de pronto atendido e seguiram-se breves momentos de prazer e pura gula! Foi mesmo um momento breve, porque logo logo acabou e vi-me a lamber os dedos, envergonhado. Arranco para a 3ª etapa.
São quase 08:30 e dirijo-me rua acima, ao pavilhão para levantamento dos dorsais. Aqui, sem história para além de estar a entrar novamente naquele velho pavilhão, mesmo a cheirar a bafio, obtenho o tão desejado dorsal, este ano o nº 399. Aqui concluiu a 1ª fase e dirijo-me em passo forçado para o carro, para arrancar para a 2ª.
Prendo o dorsal na t-shirt que irei usar na prova e junto o chip de modo a não me esquecer de nada dali a 2horas. Dispo o fato de treino, pego numa garrafa de água e arranco para a 2ª fase do programa: "O Aquecimento". Este ano, lembrei-me de variar uma vez mais o percurso e escolhi o Norte, como destino para o aquecimento. O plano era começar por visitar a 'vedeta' Praia Norte, se possível ver reflexos do 'canhão', se possível cumprimentar mesmo que de longe o Garrett e depois seguir sempre paralelo à costa, para Norte, em local que pelo Google Earth me pareceu bom.
O começo é sempre a subir, até às imediações do Sítio. Encontrei a Praia Norte, mas foi só isso. Se há 'canhão' ainda estaria a
dormir e a dormir estaria, muito possivelmente, o Garrett, porque a praia
essa estava completamente deserta de vedetas e ondas.
Não que não merecesse, como
mereceu, o registo para memória futura e claro, partilhar convosco mais
umas imagens bonitas daquele local.
Para norte uma série de dunas, que sigo maravilhado com a beleza e
qualidade do local em termos de piso e paisagem. Passados alguns kms no
entanto, começo a sentir reflexos da exigência de correr em areia solta.
Ando no meio de pinhal com muita areia e caruma. Subo para oeste à procura de piso mais rijo e começo a encontrar estradão em terra, que atravessa o Parque Aeólico de Nª Senhora da Vitória.
Ando mais algum tempo e por volta da 1ª hora de viagem decido começar o retorno à vila. Corro agora numa ciclovia em direcção à Nazaré e cruzo-me com alguns ciclistas de fim de semana.
Aqui fica, para os mais interessados e curiosos, o 'aquecimento' a que chamei de 'Praia Norte':
Calmamente hidratei-me, comi fruta, mudei de roupa e em 15' estava pronto para a 3ª fase do dia: "A prova". Peguei numa mão cheia de figos e comecei a descer a rua, que me levou até à marginal e à zona da partida.
Faltam cerca de 5' para a dita, apenas o tempo necessário para acabar os figos e apertar os sapatos.
Por toda aquela zona ecoa a aparelhagem sonora e barulhenta com o chamado animador a falar e a insistir na incontornável onda. Lá à frente este ano a nossa Rosa Mota está acompanhada pelo Garrett. Tem que se aceitar porque na realidade o homem até tem feito um serviço à Vila da Nazaré. Poucos instantes depois dá-se a partida para mais uma Meia da Nazaré.
É mais um ano para as minhas contas. É mais um ano em que tenho a felicidade de poder alinhar naquele final de pelotão que compacto avança lentamente e lentamente se dispersa pela longa marginal. É a rainha das minhas provas de estrada e estou novamente a participar nela.
Percorro uns 250mts a passo antes de começar a correr em passo pequenino. Gradualmente vou avançando e a conseguir realmente correr.
A volta à Nazaré é sempre animada. O pessoal vai cheio de força e a animação é muita. É a festa!
Quando passo pela meta, com cerca de 4Kms de prova, já vou a sentir as pernas e a sentir que não estão a responder como era desejável para aquela altura. Apesar disso mantenho o ritmo de 5'/Km. Saio da Vila e dá para perceber que as pernas não estão para grandes voos. Mudo para um ritmo mais calmo e 'viável' face às condições em que me sentia e sobretudo, com muito respeito pela 'Mãe'!!
Passo os 10Kms acima dos 52'. Sinto-me com falta de energia.
Os abastecimentos continuam na mesma como sempre na Nazaré, simples. Água e esponjas. Ali não há mimos para ninguém!!
Pouco antes do retorno, cruzo-me com o Fernando Andrade e cumprimento-o. Ele vai bem, sempre no ritmo constante que é o dele. Gostava de o conseguir agarrar mas acho que não vou conseguir!!
Faço o retorno e faltam agora cerca de 8Kms. O vento é agora contra, mas este ano sopra fraco. Curiosamente começo a partir daqui a sentir maior disponibilidade física. Apenas o suficiente para afastar os fantasmas doutras edições passadas há muito, em que os Kms 17/18 cobravam os gastos acima das possibilidades. No abastecimento dos 15Kms sinto-me bem e as pernas parecem aguentar-se.
Segue-se aqui a parte nova do trajecto, que obriga a esforço suplementar para passar um viaduto. Estamos no Km18 e esta é a parte que custa mais, entre os 17 e os 20. Mas sinto-me bem e sinto que é 'apenas' uma questão de gerir e aguentar. Ao longe vislumbra-se já a zona do porto. Passo os 19Kms e ando novamente perto dos 5'/Km. Entro na recta final, na longa recta final, que se revela sempre um osso duro de roer. O piso em mau estado recorda-me a aterragem de há umas semanas atrás na Praça da Figueira e redobro os cuidados no andamento. Passo o abastecimento e os 20 Kms e falta 1Km para a meta. Vou em esforço, mas termino feliz mais uma edição da Meia da Nazaré.
Grande confusão à chegada, para o pessoal tirar o chip, receber o saco e abandonar o local. A distribuição de fruta e água está caótica. O pessoal empurra-se e aparecem os habituais alarves que sempre gostam de açambarcar e alambazar. Aceito uma água, ignoro a fila para a maçã, dou o chip e em troca recebo o habitual saco. Arranco de imediato daquela zona e estaciono junto a um banco, ali no largo, predisposto a fazer os alongamento e a recobrar forças.
Instintivamente enfio a mão no saco. O objectivo é alcançar um dos pontos mais fortes da minha participação na Meia da Nazaré: o habitual pires, com uma imagem alusiva à prova e à edição.
Desilusão!! Não há pires!!
Confesso que foi uma grande desilusão!! A habitual (e sempre gostosa) broa, a habitual (e desinteressante) t-shirt e a habitual (e também) desinteressante medalha estão lá. Mas falta aquilo que é o mais típico. Falta um símbolo da Meia da Nazaré!!
Que raio!! Se há, como se compreende e aceita, escassos meios para levar uma prova destas para a rua, quais as razões de gastar dinheiro em coisas que TODAS as outras provas dão e que o pessoal invariavelmente guarda a apanhar pó e cortar naquilo que é ÚNICO e TÍPICO da prova da Nazaré??
Aquele pires, apesar dos temas lá gravados serem de gosto discutível, era a imagem de marca que eu queria como único prémio para o meu esforço. Aquele Pires estava para a Meia da Nazaré como o Sino em barro está (ou estava) para a Corrida dos Sinos, ou a Medalha em Cortiça está para São Mamede. Não há limitação financeira que justifique isto!!
Tou chateado!!
Fiz cerca de 01:48', o que foi um bom resultado dadas as circunstâncias.
Gostei do processo de inscrição, eficaz! Gostei dos abastecimentos, simples e contidos como sempre.
Não gostei do saco final e da confusão na zona da chegada.
Mas a Nazaré tem um grande crédito, mesmo um crédito ilimitado e aquele ambiente faz esquecer o que de menos bom possa acontecer.
Continuarei a ir à Nazaré. Enquanto conseguir ir, é sinal que estou bem. Não contam os tempos ou outros aspectos organizativos. Conta a ida em si, o chegar, o cumprimentar o mar, o sítio, o passeio na marginal, o bolo na arcádia, o aquecimento e depois a prova em si, que acaba com importância relativa, comparando com tudo o que se passa antes e também depois.
Aqui ficam os números da minha participação na 39ª edição da Meia da Nazaré.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Francisco Monte
Esta manhã, ao passar de 'fugida' pelo FB, dei de caras com uma notícia que me chocou.
O Francisco Monte acabara de perder a Esposa!
Nunca escrevi neste blog qualquer texto acerca de quem quer que seja.Trata-se de um espaço dedicado a corridas, a treinos, até a confissões do seu autor, enquanto praticante de uma modalidade desportiva. É por natureza um espaço 'leve', sem pretensões que vão para além de fazer algum registo para a história.
Mas este acontecimento brutal exige-me uma excepção, porque sendo declaradamente o blog 'Amigos de Alex', considero ser justificação mais que suficiente (e infeliz também), para dedicar a um Amigo algumas linhas.
Conheci o Francisco há um par de anos num fórum de corrida. Conheci-o algum tempo depois, em pessoa, parece-me que na I Edição da Pirata de Monsanto. É uma pessoa de relacionamento fácil, cordial e sempre bem disposto. Propositadamente não faço qualquer comentário às suas capacidades atléticas porque considero que essa vertente do Francisco é escusada para o objectivo deste texto.
Depois desse 1º encontro cruzei-me algumas vezes com o Francisco, em corridas. Numa delas, na UMA, tenho ideia de ter visto de relance a Esposa do Francisco, em Tróia e foi a única vez que a vi.
É uma estupidez acontecer uma coisa destas!!
O Francisco está na casa dos 30 anos, está no início da sua vida adulta e tem tudo para a gozar de uma forma considerada natural, ou normal, seja lá o que isso for. Não é natural nem (felizmente) normal que aconteça o que acaba de acontecer ao Francisco.
Sei que a morte é uma inevitabilidade, mas que dói, isso dói. Para mais quando se trata duma pessoa nova.
Espero que o Francisco supere este momento da melhor forma possível e que a devido tempo a dor amenize e ele consiga retomar a normalidade possível na sua vida!
Um abraço Francisco Monte. Força!!
PS. Até há uns anos esta música era quase desconhecida para mim. Nestes últimos anos ouvi-a muitas vezes, porque quando a ouço estou mais perto dela!! É também para ti Francisco. Por quem não esqueci!
O Francisco Monte acabara de perder a Esposa!
Nunca escrevi neste blog qualquer texto acerca de quem quer que seja.Trata-se de um espaço dedicado a corridas, a treinos, até a confissões do seu autor, enquanto praticante de uma modalidade desportiva. É por natureza um espaço 'leve', sem pretensões que vão para além de fazer algum registo para a história.
Mas este acontecimento brutal exige-me uma excepção, porque sendo declaradamente o blog 'Amigos de Alex', considero ser justificação mais que suficiente (e infeliz também), para dedicar a um Amigo algumas linhas.
Conheci o Francisco há um par de anos num fórum de corrida. Conheci-o algum tempo depois, em pessoa, parece-me que na I Edição da Pirata de Monsanto. É uma pessoa de relacionamento fácil, cordial e sempre bem disposto. Propositadamente não faço qualquer comentário às suas capacidades atléticas porque considero que essa vertente do Francisco é escusada para o objectivo deste texto.
Depois desse 1º encontro cruzei-me algumas vezes com o Francisco, em corridas. Numa delas, na UMA, tenho ideia de ter visto de relance a Esposa do Francisco, em Tróia e foi a única vez que a vi.
É uma estupidez acontecer uma coisa destas!!
O Francisco está na casa dos 30 anos, está no início da sua vida adulta e tem tudo para a gozar de uma forma considerada natural, ou normal, seja lá o que isso for. Não é natural nem (felizmente) normal que aconteça o que acaba de acontecer ao Francisco.
Sei que a morte é uma inevitabilidade, mas que dói, isso dói. Para mais quando se trata duma pessoa nova.
Espero que o Francisco supere este momento da melhor forma possível e que a devido tempo a dor amenize e ele consiga retomar a normalidade possível na sua vida!
Um abraço Francisco Monte. Força!!
PS. Até há uns anos esta música era quase desconhecida para mim. Nestes últimos anos ouvi-a muitas vezes, porque quando a ouço estou mais perto dela!! É também para ti Francisco. Por quem não esqueci!
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Venha +1 Nazaré!!
Já estou a ficar nervoso.
O dorsal será o 399!
Infelizmente (ou talvez não) nunca fui organizado ao ponto de saber exactamente quantas vezes fui à Nazaré.
Sei que a 1ª vez terá sido lá por 1984/85 e daí para cá já tive a sorte de lá estar muitos anos, felizmente. Mas é sempre especial quando se aproxima a data de mais uma edição da Meia da Nazaré.
Em 2013 lá voltarei, para repetir o figurino dos últimos 3 anos, em que passei à vertente "tantra" da coisa e me dá muito gozo poder usufruir mais algumas horas da Nazaré, fazendo um aquecimento antes de alinhar à partida da prova.
Cheguei à conclusão que apenas 2/3 horas de Nazaré por ano é pouco e assim, indo mais cedo, consigo passar toda a manhã ali, num local onde me sinto realmente bem.
Em 2013 adoptarei o percurso que fiz o ano passado e farei uma volta até Valado de Frades, qualquer coisa a rondar os 16/17 Kms.
Aquecimento Nazaré 2012
O arranque será um pouco antes das 09:00, logo após o café na Arcádia e o levantamento do dorsal. Depois serão duas horas de puro gozo. Depois, lá para as 11:00, logo se verá o que me apetece fazer na Meia da Nazaré no próximo dia 10 de Novembro.
Seja o que for que aconteça, espero que esta 1ª parte da m/visita conjunta às Mães corra como nos anos anteriores, muito bem!
O dorsal será o 399!
Infelizmente (ou talvez não) nunca fui organizado ao ponto de saber exactamente quantas vezes fui à Nazaré.
Sei que a 1ª vez terá sido lá por 1984/85 e daí para cá já tive a sorte de lá estar muitos anos, felizmente. Mas é sempre especial quando se aproxima a data de mais uma edição da Meia da Nazaré.
Em 2013 lá voltarei, para repetir o figurino dos últimos 3 anos, em que passei à vertente "tantra" da coisa e me dá muito gozo poder usufruir mais algumas horas da Nazaré, fazendo um aquecimento antes de alinhar à partida da prova.
Cheguei à conclusão que apenas 2/3 horas de Nazaré por ano é pouco e assim, indo mais cedo, consigo passar toda a manhã ali, num local onde me sinto realmente bem.
Em 2013 adoptarei o percurso que fiz o ano passado e farei uma volta até Valado de Frades, qualquer coisa a rondar os 16/17 Kms.
Aquecimento Nazaré 2012
O arranque será um pouco antes das 09:00, logo após o café na Arcádia e o levantamento do dorsal. Depois serão duas horas de puro gozo. Depois, lá para as 11:00, logo se verá o que me apetece fazer na Meia da Nazaré no próximo dia 10 de Novembro.
Seja o que for que aconteça, espero que esta 1ª parte da m/visita conjunta às Mães corra como nos anos anteriores, muito bem!
Entre (as minhas) épocas desportivas.
Nesta fase da minha corrida, que começou como vocês sabem em 2010, após a operação ao menisco em finais de 2009 e até 2012/2013, a 1ª parte da minha época sempre teve como ponto alto a Maratona que se realizava em Dezembro.
Na 1ª parte da época (Setembro a Dezembro) fazia só estrada. Depois, de Janeiro até Julho era fugir dela ...
A época arrancava calmamente, após um descanso iniciado em Agosto, logo após a UMA.
Em Setembro começava com o Estágio das Areias, em Lagos.
Em Outubro fazia um treino cronometrado pirateando a Corrida do Tejo e fazendo ida e volta até à Praia da Torre.
Em Novembro fazia um aquecimento prévio ao acto de prestar os meus respeitos à Mãe, na Nazaré, num percurso que geralmente dava uma volta por Valado dos Frades e depois, já com o dorsal, era a Meia Maratona já no ritmo que planeava, às vezes 5' antes de arrancar...
E em Dezembro chegava finalmente a Maratona, já com 3 meses de treino e bastantes Kms nas pernas.
Com o novo figurino introduzido nesta época, a coisa baralhou-se um pouco. Só consegui fazer 2 semanas de férias em Agosto, depois da UMA, recomecei na 2ª quinzena, consegui manter o estágio de Lagos na 1ª quinzena de Setembro, fiz o treino cronometrado na Corrida do Tejo, também ela com calendário alterado e foi o que se conseguiu para preparar esta nova Maratona.
A vida é assim mesmo, uma sucessão de situações para as quais temos de nos adaptar. A esta lá terei de fazer o mesmo. No horizonte perspectiva-se já outra alteração, relacionada com os períodos de férias escolares do Alexandre Jr., a que dentro em breve terei de voltar a habituar-me, uma vez que já me tinha esquecido de idêntica situação para os outros meus Filhos Guilherme e Joana, já no epílogo das respectivas vidas académicas. É que o rapaz já está na pré (...) e por isso começa dentro em breve a ter férias escolares e calendários a que terei de (voltar a) adaptar-me.
Vai-se baralhar, assim de repente, o estágio de Junho de preparação para a UMA, visto que as aulas acabam a meio de Junho, a própria participação na UMA está ela também em risco, porque passarei em princípio a ser forçado a gozar férias algures em Julho e ainda o estágio de Setembro, provocado pelo início das aulas, geralmente na 2ª semana.
Com ou sem estágio resta a esperança de continuar a conseguir correr, continuar a retirar o prazer da corrida que actualmente retiro, porque se assim for o resto se arranjará. Se não puder fazer a UMA, outras alternativas terei de encontrar.
O estágio deste Setembro foi assim:
Com muito esforço, consegui fazer treinos todos os dias, mantendo a regra de intercalar um treino mais fácil com outro mais forte e procurando em todos eles manter sempre um ritmo controlado e confortável.
Vamos ver o que o futuro nos trará em termos de corridas.
Na 1ª parte da época (Setembro a Dezembro) fazia só estrada. Depois, de Janeiro até Julho era fugir dela ...
A época arrancava calmamente, após um descanso iniciado em Agosto, logo após a UMA.
Em Setembro começava com o Estágio das Areias, em Lagos.
Em Outubro fazia um treino cronometrado pirateando a Corrida do Tejo e fazendo ida e volta até à Praia da Torre.
Em Novembro fazia um aquecimento prévio ao acto de prestar os meus respeitos à Mãe, na Nazaré, num percurso que geralmente dava uma volta por Valado dos Frades e depois, já com o dorsal, era a Meia Maratona já no ritmo que planeava, às vezes 5' antes de arrancar...
E em Dezembro chegava finalmente a Maratona, já com 3 meses de treino e bastantes Kms nas pernas.
Com o novo figurino introduzido nesta época, a coisa baralhou-se um pouco. Só consegui fazer 2 semanas de férias em Agosto, depois da UMA, recomecei na 2ª quinzena, consegui manter o estágio de Lagos na 1ª quinzena de Setembro, fiz o treino cronometrado na Corrida do Tejo, também ela com calendário alterado e foi o que se conseguiu para preparar esta nova Maratona.
A vida é assim mesmo, uma sucessão de situações para as quais temos de nos adaptar. A esta lá terei de fazer o mesmo. No horizonte perspectiva-se já outra alteração, relacionada com os períodos de férias escolares do Alexandre Jr., a que dentro em breve terei de voltar a habituar-me, uma vez que já me tinha esquecido de idêntica situação para os outros meus Filhos Guilherme e Joana, já no epílogo das respectivas vidas académicas. É que o rapaz já está na pré (...) e por isso começa dentro em breve a ter férias escolares e calendários a que terei de (voltar a) adaptar-me.
Vai-se baralhar, assim de repente, o estágio de Junho de preparação para a UMA, visto que as aulas acabam a meio de Junho, a própria participação na UMA está ela também em risco, porque passarei em princípio a ser forçado a gozar férias algures em Julho e ainda o estágio de Setembro, provocado pelo início das aulas, geralmente na 2ª semana.
Com ou sem estágio resta a esperança de continuar a conseguir correr, continuar a retirar o prazer da corrida que actualmente retiro, porque se assim for o resto se arranjará. Se não puder fazer a UMA, outras alternativas terei de encontrar.
O estágio deste Setembro foi assim:
- Início 02/Set
- Fim 13/Set
- Sessões: 12
- Média Kms/Sessão: 11
- Kms Totais: 150
Com muito esforço, consegui fazer treinos todos os dias, mantendo a regra de intercalar um treino mais fácil com outro mais forte e procurando em todos eles manter sempre um ritmo controlado e confortável.
Vamos ver o que o futuro nos trará em termos de corridas.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Maratona 2013
Confesso que fui de pé atrás para esta que seria (e felizmente acabou por ser) a minha 6ª maratona.
Do ponto de vista pessoal, uma diferença de +3 Kgs do que em 2012 e apenas 6 semanas de preparação, levantavam algumas questões sobre o decorrer duma prova com as características desta.
Do ponto de vista da competição em si, o facto de ser uma estreia de percurso e de figurino levantava igualmente algumas dúvidas.
Embora grande parte do percurso fosse conhecido, excepção feita aquele desvio por uma Lisboa que não conhecia, na freguesia de Oeiras, restava sempre a dúvida sobre os abastecimentos numa maratona que alguém decidiu que deveria começar às 10:00hrs. É destas coisas que tem a uniformização e a certeza que é sempre arriscado em Lisboa e no início de Outubro, obrigar os participantes a correr na altura de mais calor do dia. Quando consegui sair do Parque das Nações, eram já cerca das 14:30 e ainda havia muitos participantes em esforço. Nas anteriores edições da Maratona que fiz, nunca tinha visto tanta gente a ser assistida pelas equipas médicas que por lá andaram toda a manhã. Tudo me leva a crer que a maioria devido ao calor que se fez sentir.
O meu objectivo era repetir as 03:30hrs conseguidas na edição de 2012, objectivo bem audacioso perante as minhas condições. Veio a revelar-se mesmo utópico, uma vez que nunca cheguei sequer a conseguir visualizar o respectivo 'pace maker'.
Parti cá bem atrás, como habitualmente faço, longe das confusões e apanhei ainda em Cascais o marcador das 5:00 e um pouco mais à frente o das 4:30. Lá para o Casino foi o das 4:00 e apanhei também o Francisco Monte, em serviço de 'pace maker' pessoal. Acho que andei com ele até perto dos 30Kms e junto à Praça do Comércio, já a correr sózinho, arrancou e nunca mais o vi.
Na Cruz Quebrada, tinha o meu Alex Jr. e a Dora, a darem aquele incentivo. Foram 2 beijos a correr mas a saber melhor que uma barra energética.
A este propósito os abastecimentos estiveram bem. Muita água, valha-nos isso, embora em alguns postos estivesse morna, por falta de sombras naturais ou artificiais. Fiz todos os abastecimentos e nos que tinham, bebi isotónico.
Mas é em Algés que a Maratona começa realmente. Os grupos começam a desintegrar-se e a 24 de Julho encarrega-se de começar a selecção dos que realmente têm preparação para o que ainda falta.
A Meia Maratona fez-se sem grandes novidades/dificuldades. O cenário dessa 1ª parte é realmente excepcional. Muitos palcos, alguma animação na rua e muitos abastecimentos.
Meia-Maratona: 01:46:03
Estou, apesar de tudo, perto do ritmo para atingir o objectivo das 03:30, mas as dificuldades começam agora.
A Maratona começa realmente ali, entre os 25 e os 30Kms. Já nas versões anteriores, o Cais do Sodré marcava o ponto de viragem na maratona. Foi assim também no domingo, 6/Out, nesta nova versão. Começou ali a levantar-se o meu Muro.
Já passa do meio-dia e o calor aperta. Depois vem o muro, na zona de Lisboa Pombalina. A penosa subida aos Restauradores.
(aqui um parêntesis para expressar que faria mais sentido para mim termos prolongado a subida - por mais que isso custasse -, até ao Marquês de Pombal ou mesmo ao Saldanha, em vez de se fazer aquela entrada esquisita em Oeiras!! Até parece ter sido alguma promessa ao inquilino/residente da carregueira ...)
Estamos agora finalmente em Lisboa!!
Para trás ficou o Bugio, a Torre de Belém, a zona da exposição do Mundo Português, o Museu do Traje, os Jerónimos, a Fonte Luminosa, as Marinas, o Museu da Marinha, o Centro Cultural, o Padrão dos Descobrimentos, o Museu de Arte Antiga, o Museu de Electricidade, o Cais do Sodré, a Praça do Comércio (porque é que não se fez um pequeno desvio e se passou na Praça do Município?? de Lisboa??)
É esta a Lisboa que interessa. Não que Cascais e a Linha do Estoril não sejam cativantes para o turista, mas trata-se alegadamente da Maratona de Lisboa!!
Estamos agora a descer em direcção de novo ao rio, passo o Rossio e vou para a Praça da Figueira. Aqui até o cavalo do D. João I se arrepiou quando aterrei a seus cascos. O piso muito irregular e o peso nas pernas são parte da explicação. A restante residirá numa qualquer alteração mecânico/muscular, resultante da operação ao menisco de 2009, porque desde aí, sempre que tropeço ou mesmo caio, é invariavelmente sobre o lado esquerdo, sinal que o pé esquerdo vai mais rente ao chão do que deveria e do que acontece com o pé direito.
Fiquei por fracções de segundo a descansar, completamente estatelado no chão do Rossio. Convenhamos que é um cenário com alguma originalidade!! Alguém atrás de mim devolve-me à realidade e ajuda-me a levantar. Olhei para os pontos de contacto:
Segue ...
À medida que fujo pela Rua da Prata abaixo, tento ouvir qualquer queixume de alguma parte mais mal tratada ... e nada, felizmente!! A máquina é ainda de bom fabrico e felizmente parece não haver males maiores. A parte mais combalida foi mesmo o ego!!
Chego à Praça do Comércio e lá está um corredor que apesar de não estar a participar correndo, participa apoiando os que o fazem.
O Jorge Branco uma vez mais saiu da 'toca' e veio à cidade, apoiar quem participa. Claro que para melhor gozar o prato e como 'Raposa' sabida que é, coloca-se em local chave, quando já quase nem conseguimos esboçar um sorriso. Apesar do esforço, faço questão de parar e cumprimentá-lo. Dirige-me o incentivo "eh pah, isso está melhor que bom ...!!".
Sigo agora na Av. Infante Dom Henrique, que nos levará até perto do final. É aqui que o Francisco passa por mim e vai calmamente em direcção ao final. Faltam cerca de 10Kms. Vão ser penosos estes 10, penso com os meus cordões!!
Os abastecimentos continuam em alta e paro em todos para hidratar e descansar por alguns instantes.
Aquela zona é boa para sofrer. É deserta e sem ponta de distracção ou interesse de maior, tirando talvez a Estação de Stª Apolónia. Os participantes já vão espaçados entre eles e grande parte já entrou na fase da contenção e intercala marcha com corrida. Faço todos os abastecimentos e faço um esforço por recomeçar a correr em todos eles.
Faltam 9Kms e tenho 02:50 de prova. O objectivo das 03:30 está definitivamente fora de questão e passa a ser o de não parar de correr, até à meta, mesmo que subindo o ritmo para 05:30 ou mesmo 06:00.
Chego finalmente ao Cabo Ruivo e á Av. Dom João II e a meta está cada vez mais perto. Ouço ao longe "O Mundo ao Contrário". São os Xutos & Pontapés a terminarem o concerto. A avenida está cheia de gente que incentiva à medida que passamos. Sinto calafrios e chego mesmo a emocionar-me.
Passo na Estação do Oriente e falta cerca de 1Km. A praça está cheia de gente.
Faço mais uns metros e desço para apanhar a Alameda dos Oceanos. Ao longe vejo a meta.
Está feita.
Concentro-me para não arriscar outra queda e também saborear aqueles instantes finais.
Corto a meta e o meu Silver marca 03:38. Excelente!!
Está feita a minha 6ª Maratona.
Os números oficiais:
Tempo Final: 3:40:41
Tempo Chip: 3:38:36
Tempo K10: 0:52:47
Tempo K21: 1:49:21
Tempo K30: 2:34:12
Tempo K32: 2:44:06
Tempo K33: 2:53:26 (9' para 1Km??)
Tempo K36: 3:07:01 (14' para 3 Kms??)
Tempo K40: 3:31:52
Classificação Escalão: 35
Classificação Geral: 364
Algumas contas de cabeça e por alto:
Se o tempo final foi realmente o indicado, então percorri os 2 últimos Kms em cerca de 4:30"/Km o que não corresponde à realidade.
Entre os Kms 32 e 33 andei a mais de 9'/Km. Também não é verdade.
Logo depois, meti a 'pastilha' e entre os Kms 33 e 36 fiz abaixo dos 5'/Km. Era bom era!!
Os números reais, os do meu fiel 'Silver':
Tempo Final: 3:38:43
Ritmo Médio: 05':09"
Calorias: 3,780
Tempo K10: 0:50:14
Tempo K21: 1:46:03
Tempo K30: 2:30:15
Tempo K32: 2:40:24
Tempo K33: 2:45:22
Tempo K36: 3:02:15
Tempo K40: 3:25:15
O percurso registado: http://connect.garmin.com/activity/388458855
Curiosidades
A partir do Km35 passei a andar mais perto dos 06:00 do que dos 05:00.
Excepção para o Km42 que foi feito em 05:02
Fiz 10Kms < 05:00
Fiz 23Kms > 05:00 e < 05:15
Fiz 7Kms > 05:15 e < 06:00
Fiz 1Km > 06:00
Acabou. Fiz a minha 6ª Maratona!
Apesar das circunstâncias gostei da prestação. Com menos Kms nas pernas e mais quilos na barriga, era difícil fazer melhor. O percurso é rápido mas o calor fez a diferença.
Vai ser complicado conseguir cargas de treino muito melhores, mas se tudo correr bem, vou tentar repetir na próxima época.
Estou já em plena preparação para o próximo objectivo. Daqui a cerca de 2 semanas estarei de volta às Mães. À minha e à das Meias Maratonas. Irá concerteza ser mais uma excelente dia, em todos os aspectos.
Tenham calma Amigos d'Alex, depois conto. Serão os 1ºs a saber!!
Do ponto de vista pessoal, uma diferença de +3 Kgs do que em 2012 e apenas 6 semanas de preparação, levantavam algumas questões sobre o decorrer duma prova com as características desta.
Do ponto de vista da competição em si, o facto de ser uma estreia de percurso e de figurino levantava igualmente algumas dúvidas.
Embora grande parte do percurso fosse conhecido, excepção feita aquele desvio por uma Lisboa que não conhecia, na freguesia de Oeiras, restava sempre a dúvida sobre os abastecimentos numa maratona que alguém decidiu que deveria começar às 10:00hrs. É destas coisas que tem a uniformização e a certeza que é sempre arriscado em Lisboa e no início de Outubro, obrigar os participantes a correr na altura de mais calor do dia. Quando consegui sair do Parque das Nações, eram já cerca das 14:30 e ainda havia muitos participantes em esforço. Nas anteriores edições da Maratona que fiz, nunca tinha visto tanta gente a ser assistida pelas equipas médicas que por lá andaram toda a manhã. Tudo me leva a crer que a maioria devido ao calor que se fez sentir.
O meu objectivo era repetir as 03:30hrs conseguidas na edição de 2012, objectivo bem audacioso perante as minhas condições. Veio a revelar-se mesmo utópico, uma vez que nunca cheguei sequer a conseguir visualizar o respectivo 'pace maker'.
Parti cá bem atrás, como habitualmente faço, longe das confusões e apanhei ainda em Cascais o marcador das 5:00 e um pouco mais à frente o das 4:30. Lá para o Casino foi o das 4:00 e apanhei também o Francisco Monte, em serviço de 'pace maker' pessoal. Acho que andei com ele até perto dos 30Kms e junto à Praça do Comércio, já a correr sózinho, arrancou e nunca mais o vi.
Na Cruz Quebrada, tinha o meu Alex Jr. e a Dora, a darem aquele incentivo. Foram 2 beijos a correr mas a saber melhor que uma barra energética.
A este propósito os abastecimentos estiveram bem. Muita água, valha-nos isso, embora em alguns postos estivesse morna, por falta de sombras naturais ou artificiais. Fiz todos os abastecimentos e nos que tinham, bebi isotónico.
Mas é em Algés que a Maratona começa realmente. Os grupos começam a desintegrar-se e a 24 de Julho encarrega-se de começar a selecção dos que realmente têm preparação para o que ainda falta.
A Meia Maratona fez-se sem grandes novidades/dificuldades. O cenário dessa 1ª parte é realmente excepcional. Muitos palcos, alguma animação na rua e muitos abastecimentos.
Meia-Maratona: 01:46:03
Estou, apesar de tudo, perto do ritmo para atingir o objectivo das 03:30, mas as dificuldades começam agora.
A Maratona começa realmente ali, entre os 25 e os 30Kms. Já nas versões anteriores, o Cais do Sodré marcava o ponto de viragem na maratona. Foi assim também no domingo, 6/Out, nesta nova versão. Começou ali a levantar-se o meu Muro.
Já passa do meio-dia e o calor aperta. Depois vem o muro, na zona de Lisboa Pombalina. A penosa subida aos Restauradores.
(aqui um parêntesis para expressar que faria mais sentido para mim termos prolongado a subida - por mais que isso custasse -, até ao Marquês de Pombal ou mesmo ao Saldanha, em vez de se fazer aquela entrada esquisita em Oeiras!! Até parece ter sido alguma promessa ao inquilino/residente da carregueira ...)
Estamos agora finalmente em Lisboa!!
Para trás ficou o Bugio, a Torre de Belém, a zona da exposição do Mundo Português, o Museu do Traje, os Jerónimos, a Fonte Luminosa, as Marinas, o Museu da Marinha, o Centro Cultural, o Padrão dos Descobrimentos, o Museu de Arte Antiga, o Museu de Electricidade, o Cais do Sodré, a Praça do Comércio (porque é que não se fez um pequeno desvio e se passou na Praça do Município?? de Lisboa??)
É esta a Lisboa que interessa. Não que Cascais e a Linha do Estoril não sejam cativantes para o turista, mas trata-se alegadamente da Maratona de Lisboa!!
Estamos agora a descer em direcção de novo ao rio, passo o Rossio e vou para a Praça da Figueira. Aqui até o cavalo do D. João I se arrepiou quando aterrei a seus cascos. O piso muito irregular e o peso nas pernas são parte da explicação. A restante residirá numa qualquer alteração mecânico/muscular, resultante da operação ao menisco de 2009, porque desde aí, sempre que tropeço ou mesmo caio, é invariavelmente sobre o lado esquerdo, sinal que o pé esquerdo vai mais rente ao chão do que deveria e do que acontece com o pé direito.
Fiquei por fracções de segundo a descansar, completamente estatelado no chão do Rossio. Convenhamos que é um cenário com alguma originalidade!! Alguém atrás de mim devolve-me à realidade e ajuda-me a levantar. Olhei para os pontos de contacto:
- Joelho esqº = ligeiras escoriações
- Peitoral esqº = mesmo debaixo da t-shirt adivinha-se igual cenário. O dorsal ficou rasgado no vértice superior esqº
- Mão esqª = ligeira contusão no mindinho
- Queixo = ligeiro corte. Levo a mão ao local e ela vem com sangue.
Segue ...
À medida que fujo pela Rua da Prata abaixo, tento ouvir qualquer queixume de alguma parte mais mal tratada ... e nada, felizmente!! A máquina é ainda de bom fabrico e felizmente parece não haver males maiores. A parte mais combalida foi mesmo o ego!!
Chego à Praça do Comércio e lá está um corredor que apesar de não estar a participar correndo, participa apoiando os que o fazem.
O Jorge Branco uma vez mais saiu da 'toca' e veio à cidade, apoiar quem participa. Claro que para melhor gozar o prato e como 'Raposa' sabida que é, coloca-se em local chave, quando já quase nem conseguimos esboçar um sorriso. Apesar do esforço, faço questão de parar e cumprimentá-lo. Dirige-me o incentivo "eh pah, isso está melhor que bom ...!!".
Sigo agora na Av. Infante Dom Henrique, que nos levará até perto do final. É aqui que o Francisco passa por mim e vai calmamente em direcção ao final. Faltam cerca de 10Kms. Vão ser penosos estes 10, penso com os meus cordões!!
Os abastecimentos continuam em alta e paro em todos para hidratar e descansar por alguns instantes.
Aquela zona é boa para sofrer. É deserta e sem ponta de distracção ou interesse de maior, tirando talvez a Estação de Stª Apolónia. Os participantes já vão espaçados entre eles e grande parte já entrou na fase da contenção e intercala marcha com corrida. Faço todos os abastecimentos e faço um esforço por recomeçar a correr em todos eles.
Faltam 9Kms e tenho 02:50 de prova. O objectivo das 03:30 está definitivamente fora de questão e passa a ser o de não parar de correr, até à meta, mesmo que subindo o ritmo para 05:30 ou mesmo 06:00.
Chego finalmente ao Cabo Ruivo e á Av. Dom João II e a meta está cada vez mais perto. Ouço ao longe "O Mundo ao Contrário". São os Xutos & Pontapés a terminarem o concerto. A avenida está cheia de gente que incentiva à medida que passamos. Sinto calafrios e chego mesmo a emocionar-me.
Passo na Estação do Oriente e falta cerca de 1Km. A praça está cheia de gente.
Faço mais uns metros e desço para apanhar a Alameda dos Oceanos. Ao longe vejo a meta.
Está feita.
Concentro-me para não arriscar outra queda e também saborear aqueles instantes finais.
Corto a meta e o meu Silver marca 03:38. Excelente!!
Está feita a minha 6ª Maratona.
Os números oficiais:
Tempo Final: 3:40:41
Tempo Chip: 3:38:36
Tempo K10: 0:52:47
Tempo K21: 1:49:21
Tempo K30: 2:34:12
Tempo K32: 2:44:06
Tempo K33: 2:53:26 (9' para 1Km??)
Tempo K36: 3:07:01 (14' para 3 Kms??)
Tempo K40: 3:31:52
Classificação Escalão: 35
Classificação Geral: 364
Algumas contas de cabeça e por alto:
Se o tempo final foi realmente o indicado, então percorri os 2 últimos Kms em cerca de 4:30"/Km o que não corresponde à realidade.
Entre os Kms 32 e 33 andei a mais de 9'/Km. Também não é verdade.
Logo depois, meti a 'pastilha' e entre os Kms 33 e 36 fiz abaixo dos 5'/Km. Era bom era!!
Os números reais, os do meu fiel 'Silver':
Tempo Final: 3:38:43
Ritmo Médio: 05':09"
Calorias: 3,780
Tempo K10: 0:50:14
Tempo K21: 1:46:03
Tempo K30: 2:30:15
Tempo K32: 2:40:24
Tempo K33: 2:45:22
Tempo K36: 3:02:15
Tempo K40: 3:25:15
O percurso registado: http://connect.garmin.com/activity/388458855
Curiosidades
A partir do Km35 passei a andar mais perto dos 06:00 do que dos 05:00.
Excepção para o Km42 que foi feito em 05:02
Fiz 10Kms < 05:00
Fiz 23Kms > 05:00 e < 05:15
Fiz 7Kms > 05:15 e < 06:00
Fiz 1Km > 06:00
Acabou. Fiz a minha 6ª Maratona!
Apesar das circunstâncias gostei da prestação. Com menos Kms nas pernas e mais quilos na barriga, era difícil fazer melhor. O percurso é rápido mas o calor fez a diferença.
Vai ser complicado conseguir cargas de treino muito melhores, mas se tudo correr bem, vou tentar repetir na próxima época.
Estou já em plena preparação para o próximo objectivo. Daqui a cerca de 2 semanas estarei de volta às Mães. À minha e à das Meias Maratonas. Irá concerteza ser mais uma excelente dia, em todos os aspectos.
Tenham calma Amigos d'Alex, depois conto. Serão os 1ºs a saber!!
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Férias 2013
(rascunhado em Agosto e publicado em Outubro ...)
Tou de férias das corridas!!
A UMA encerrou mais uma época. Agora até 15 ainda manterei as sessões semanais de piscina e depois, até Setembro, será mesmo só descanso!!
Realce merece apenas o facto de ter concluído mais uma época, a 4ª seguida do ciclo pós-artroscopia, sem qualquer lesão digna de registo.
Umas dores aqui e ali, são mais fruto da idade do que propriamente mal que mereça mais atenção.
Foi de resto uma época de alguma preguiça. Não que tal preguiça tenha evitado algumas aventuras como São Mamede ou a reedição de Runa. Claro que tal preguiça provocou também alguns 'amargos' como o desaire em Sesimbra.
A coisa até começou bem, com mais uma viagem de saudade à 'Mãe' Nazaré, em Novembro. Seguiu-se-lhe, em Dezembro, a Maratona de Lisboa, provavelmente a última mesmo de Lisboa, porque aparte as críticas que lhe possa ter feito, ao que parece vem aí uma maratona que de Lisboa só terá mesmo o nome, porque a acreditar nos boatos, será mais de Cascais, Oeiras ou Linha do Estoril do que propriamente de Lisboa. Mas é o provincianismo português no seu melhor, é, segundo consta, a tentativa de obter uma Maratona de nível mundial, que nós mesmo só a nível mundial!!
Nesta última edição da Maratona de Lisboa, fiz 03:30hrs e regressei a 1990, ano em que, com 30 anos, obtive igual resultado, noutra Maratona de Lisboa, numa edição que terminou na Praça do Município de Lisboa!!
Entrou 2013 e fiz a 2ª edição de visita à minha Mãe, esta não a das Meias Maratonas, mas mesmo a minha Mãe! Foi a 2ª viagem a Runa, sempre uma viagem importante para mim.
Depois deste ponto alto de 2013, as coisas começaram a acalmar, comecei a preguiçar!!
Sem grandes cuidados fiz a viagem a Runa, mas essa viagem, por ser absolutamente aparte de competição, não trouxe qualquer problema, porque o que não se faz a correr faz-se em passeio.
Mas continuei a preguiçar e veio Sesimbra e claro que estas coisas podem demorar mas cedo ou tarde pagam-se. Na Arrábida paguei a veleidade de querer fazer uma prova idêntica à do ano passado, sem para isso me esforçar. O resultado foi uma desistência aos 30Kms.
Assustado apliquei-me e passado 1 mês fui fazer o Ultra Trail de São Mamede. Demorei cerca de 18horas a completá-lo!
Finalmente chegou em finais de Julho a UMA, a 4ª edição, que fechou com chave de ouro esta época.
Agora só lá para dia 18/Agosto regressarei à actividade, já a iniciar a preparação para a maratona, aquela especial, para a categoria de ouro da federação internacional, aquela que entre outras, passará por Lisboa. A minha opção seria ir ao Porto, mas são 300Kms ...
Se nestes 15 dias decidir avançar com a inscrição, o meu calendário anual de provas dos últimos anos irá ser alterado, ficando a maratona antes da meia da Nazaré, mas não vejo alternativa e terei de me adaptar.
Se assim for, farei em Outubro a Maratona, em Novembro a Nazaré e depois procurarei algum objectivo.
Para 2014 só há para já um evento confirmado e esse é obviamente a 3ª edição de Runa!
Tou de férias das corridas!!
A UMA encerrou mais uma época. Agora até 15 ainda manterei as sessões semanais de piscina e depois, até Setembro, será mesmo só descanso!!
Realce merece apenas o facto de ter concluído mais uma época, a 4ª seguida do ciclo pós-artroscopia, sem qualquer lesão digna de registo.
Umas dores aqui e ali, são mais fruto da idade do que propriamente mal que mereça mais atenção.
Foi de resto uma época de alguma preguiça. Não que tal preguiça tenha evitado algumas aventuras como São Mamede ou a reedição de Runa. Claro que tal preguiça provocou também alguns 'amargos' como o desaire em Sesimbra.
A coisa até começou bem, com mais uma viagem de saudade à 'Mãe' Nazaré, em Novembro. Seguiu-se-lhe, em Dezembro, a Maratona de Lisboa, provavelmente a última mesmo de Lisboa, porque aparte as críticas que lhe possa ter feito, ao que parece vem aí uma maratona que de Lisboa só terá mesmo o nome, porque a acreditar nos boatos, será mais de Cascais, Oeiras ou Linha do Estoril do que propriamente de Lisboa. Mas é o provincianismo português no seu melhor, é, segundo consta, a tentativa de obter uma Maratona de nível mundial, que nós mesmo só a nível mundial!!
Nesta última edição da Maratona de Lisboa, fiz 03:30hrs e regressei a 1990, ano em que, com 30 anos, obtive igual resultado, noutra Maratona de Lisboa, numa edição que terminou na Praça do Município de Lisboa!!
Entrou 2013 e fiz a 2ª edição de visita à minha Mãe, esta não a das Meias Maratonas, mas mesmo a minha Mãe! Foi a 2ª viagem a Runa, sempre uma viagem importante para mim.
Depois deste ponto alto de 2013, as coisas começaram a acalmar, comecei a preguiçar!!
Sem grandes cuidados fiz a viagem a Runa, mas essa viagem, por ser absolutamente aparte de competição, não trouxe qualquer problema, porque o que não se faz a correr faz-se em passeio.
Mas continuei a preguiçar e veio Sesimbra e claro que estas coisas podem demorar mas cedo ou tarde pagam-se. Na Arrábida paguei a veleidade de querer fazer uma prova idêntica à do ano passado, sem para isso me esforçar. O resultado foi uma desistência aos 30Kms.
Assustado apliquei-me e passado 1 mês fui fazer o Ultra Trail de São Mamede. Demorei cerca de 18horas a completá-lo!
Finalmente chegou em finais de Julho a UMA, a 4ª edição, que fechou com chave de ouro esta época.
Agora só lá para dia 18/Agosto regressarei à actividade, já a iniciar a preparação para a maratona, aquela especial, para a categoria de ouro da federação internacional, aquela que entre outras, passará por Lisboa. A minha opção seria ir ao Porto, mas são 300Kms ...
Se nestes 15 dias decidir avançar com a inscrição, o meu calendário anual de provas dos últimos anos irá ser alterado, ficando a maratona antes da meia da Nazaré, mas não vejo alternativa e terei de me adaptar.
Se assim for, farei em Outubro a Maratona, em Novembro a Nazaré e depois procurarei algum objectivo.
Para 2014 só há para já um evento confirmado e esse é obviamente a 3ª edição de Runa!
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
UMA 2013
Houve UMA no domingo 28, lá para os lados de Melides!
Confesso que o ano passado, ao terminar a minha 3ª participação nesta prova, tinha ficado com uma desagradável sensação de faltar ali qualquer coisa. Faltou aquele pequeno degrau, que diferencia o acessível do difícil. No domingo passado, fruto das condições em que se desenrolou mais uma edição da UMA, aconteceu o tal degrau, e que degrau!!
Sempre encarei a UMA como uma prova envolta naquela áurea de 'feito'. Algo de que temos orgulho em falar, uma vez completada.
Atendendo às minha capacidades atléticas a UMA sempre assumiu uma figura de algo que uma vez conseguido nos eleva para um nível acima. Será, salvo as devidas proporções e levando ao extremo, o mesmo que o Carlos Sá terá pensado ao terminar a Maratona das Areias ou a Badwater.
No domingo até já ia avisado pelo Francisco, que no FB, dias antes, deixara um aviso quanto à areia e às condições da maré. Assim que começaram a passar os Kms, pude comprovar que tinha pela frente algo muito diferente do que encontrara em 2012, tanto em condições da areia, como na temperatura.
A maré vaza estava marcada lá para as 13hrs e aqueles Kms iniciais foram extraordinariamente difíceis, com a água muito em cima e ondulação forte. Quanto ao vento, que geralmente é sempre forte e a soprar contra o sentido da prova, este ano quase não se fez sentir e o que se sentiu foi pelas costas, o que fez com que a temperatura tivesse subido substancialmente.
A juntar aos factores climatéricos, os factores físicos, com a minha condição de modo nenhum comparável à de 2012.
Não servindo de desculpa, mas vou sempre tentando arranjar desculpa no facto de a organização, na procura incessante de mais inscrições e de recordes de inscritos, através do facilitismo, ir adaptando a data da prova de acordo com as melhores condições de marés. Este factor afastou a data da realização para uma altura não ideal para mim, que tal como no ano passado, seria sempre para meados de Julho, o mais perto possível do meu 'Estágio das Areias', em Lagos, invariavelmente em Junho.
Brincadeira à parte sou, desde que me considero no direito de emitir opinião, ou seja desde a 1ª edição em que participei, completamente a favor da realização da UMA em data fixa do calendário, fosse ela qual fosse. Expressei já essa opinião junto da organização, mas é obviamente apenas uma opinião, que pouco vale perante os números de inscritos, que se a coisa for digamos que facilitada (...) e a organização oferecer uma maré tipo Meia da Caparica, a notícia espalha-se e no ano seguinte batem-se recordes de inscritos, tal como aconteceu este ano. Claro que se entende que para um organizador são os números de inscritos que valem e ter 460 à partida, é sempre melhor que 360!
Só que por vezes a natureza é imprevisível e troca as voltas às estatísticas tal como aconteceu este ano. Dos 460 inscritos, chegaram ao fim 397!!
No domingo, aos 10Kms, já eu fazia contas aos Kms. Os que fizera até ali, o esforço que tal representava e o que ainda tinha pela frente. Confesso até que o espectro da desistência de 2010 inundou a minha cabeça, como uma hipótese. Mas ao pensar não no acto da desistência em si, mas em tudo o que passei em 2010, desde a sensação de fracasso, à hora ou mais à espera de transporte para Tróia a ver outros concorrentes a chegar à Comporta e pouco depois a retomarem o caminho até à meta, o ter que fazer aquele longo passadiço de madeira até à meta, cruzando-me aqui e ali com finalistas e lá na meta, uma vez recolhido o saco ter de voltar a fazer o mesmo caminho em direcção ao barco, fez com que decidisse, logo ali, colocar tal hipótese de lado e fazer a prova, nem que fosse a passo.
Até aos 10 Kms corri (ou arrastei-me) sempre acima dos 8'/Km, tais eram as dificuldades de progressão. Como sempre faço quando corro na praia, refugiei-me de molhar os pés e andei a maior parte do tempo na zona plana, de areia mais seca mas mais nivelada. Cerca dos 10Kms vejo o pessoal todo a encostar às arribas e percebo que na base delas o piso é mais estável e claro, faço o mesmo. Consigo fazer 2 Kms abaixo dos 8'/Km e já foi muito bom.
Os 18,5Kms e a Praia do Pego marcaram uma reviravolta na minha participação. Com os pés cheios de areia e muito cansado, arrisquei uma paragem, sem ter a certeza de conseguir recomeçar a correr. Fiz o controlo, dirigi-me calmamente a um chapéu e sentei-me na espreguiçadeira à sombra. Tratei dos pés, um deles já com uma bolha, hidratei e comi figos secos.
A minha mochila levou:
2x0,50 de água (+ 0,50 no bidon à cintura), uma sandes, um sumo de fruta, figos secos e amendoins salgados.
Uma vez terminada esta paragem recomecei a corrida e passados alguns metros senti alguma reabilitação muscular e fiquei muito animado. Embora cansado, no recomeço as pernas respondiam afirmativamente ao esforço e assim podia contar com elas!
Fiquei muito animado, passei de imediato a rolar na casa dos 6'/Km e logo ali fiz o plano de ataque a Tróia: fazer a correr o trajecto Pego - Comporta a correr, fazer nova paragem técnica na Comporta e a partir dali intercalar 2kms de corrida com 1km de marcha forçada!
Consegui chegar à Comporta e fiz a paragem planeada. Comi metade da sandes e o sumo. Hidratei e arranquei de novo.
O ânimo era aqui mais elevado. Embora muito desgastado com os 1ºs Kms, as pernas reagiam após algum descanso e isso fazia com que acreditasse ser possível concluir a prova.
Faltavam agora cerca de 15kms. A areia era já ligeiramente melhor e dei comigo a andar novamente na casa dos 6'/Km. Corro até aos 31Kms e depois o 32º é feito a passo acelerado. Não me apetece andar mas faço-o por precaução, mais do que pela necessidade. Recomeço e nos 34Kms, quando estava prestes a parar e seguir novamente a passo, apanho dois concorrentes e 'colo-me' a eles. Como o ritmo é bem confortável decido não andar mas tentar acompanhá-los, pois vão perto dos 7'/Km. Mas foi sol de pouca dura, porque nem 1Km durou esta parceria uma vez que os meus companheiros pararam.
O corpo reage bem e já não me apetece andar. Pelo seguro faço pausas que agora rondam os 500mts. Olho para o 'Silver' centenas de vezes. Não consigo controlar o meu ritmo sem estar sempre a olhar o relógio. Na cabeça a mesma música desde há bastantes Kms. Não consigo mudar para outra, repito e repito e repito a mesma vezes sem conta. O olhar sempre no horizonte, sempre à procura dum pórtico. É um esforço enorme a todos os níveis fazer uma prova destas. Os pés doem. Tenho a camisola encharcada. Controlo a água que me resta e obrigo-me a beber. Ainda bem que trouxe comigo 1,5lts. À partida ainda equacionei a hipótese de descartar 0,5lts. O estômago já vem algo nauseado desde a Comporta, pelo que não dá para meter nada sólido. Só água!
Os kms vão passando. Intercalo Kms feitos mais perto dos 6'/Km com outros feitos a 7'. Faço em marcha trajectos de 200/300mts mais por cautela do que por necessidade. O terreno volta a inclinar e a planta do pé esquerdo, que é o mais solicitado dada a inclinação do terreno, queima. Sei que devia parar para limpar minimamente os pés, mas não quero perder ritmo, pois se o fizer será muito difícil retomar, será difícil conseguir convencer o cérebro a empurrar as pernas naqueles kms finais.
Alcanço os 37Kms e a táctica é agora bem mais simples: correr o mais devagar possível e fazer trajectos de 200/300mts a andar o mais depressa possível.
No horizonte vejo a curva na praia que antecede a meta. Depois da curva são cerca de 1500mts para o tão procurado pórtico. Estou prestes a terminar aquela que foi de longe a mais difícil UMA. Passo um atleta que se diz estreante e comento "mas que estreia!!"
Já vejo o pórtico, bem lá longe. Ando perto dos 6'/Km e arranjo forças para percorrer os mts finais.
Corto finalmente a meta perto das 05:32hrs. Em 2012 fiz 04:50hrs, mas a sensação de feito é agora muito mais real.
Ataco o balcão do isotónico e logo depois o da cerveja. Sento-me 5' e sigo de imediato para a praia, para o banho tantas vezes sonhado lá atrás.
Na praia só vejo malta de calções com andar estranho!
Dou um mergulho e fico ali de molho, a saborear aquele prémio.
Desta vez farei o passadiço de madeira em direcção ao ferry apenas no sentido da ida.
Sou 'finisher' da UMA 2013!!
Alguns números da minha UMA
Tempo Oficial: 05:32:36
188º Classificado da Geral (em 397 finalistas)
18º Escalão 50/54
Ritmo médio: 07:37'/Km
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