sexta-feira, 25 de julho de 2014

UTSM 2014 - De volta ao estádio

O ataque ao PAC7 é muito complicado. O ano passado com a sopa no estômago e o calor nas costas foi dos que mais me custou fazer. Este ano, apesar do calor tenho o café e a coisa até se faz. A calçada romana massacra os pés e o calor desgasta. Começa a importante gestão do esforço. Aproveito todos os cursos de água que encontro para meter os pés de molho. Pode ser asneira (ouvi dizer que coze a pele ...) mas aqueles breves instantes com os pés enfiados na água revitalizam.

Aproveito também para molhar o lenço e enfiá-lo encharcado de volta na cabeça. Durante alguns minutos fico com a cabeça mais fresca. Chego a Castelo de Vide.


O ano passado a alguns metros do PAC havia um ponto de distribuição de minis, mas este ano já não há mimos, por isso se quero mini tenho que a arranjar e é o que faço. Num dos extremos da praça há um café onde bebo uma geladinha. Neste PAC só meto líquidos, opção de que me irei arrepender mais tarde.

Arranco restabelecido e maravilhado com a geladinha em direcção ao PAC8. Está agora mais calor e a calçada romana ainda não acabou!!

É algures por aqui que enfrento a luz da reserva do 'combustível' a acender perigosamente, numa série de subidas, mais uma. Tinha passado dois pequenos grupos de participantes, quando aconteceu e sinto o combustível a faltar. Estou a cerca de 5 Kms do PAC e por isso tenho de me desenrascar já.

Escolho uma sombra, sento-me calmamente e recorro de imediato à minha reserva. 1 dúzia de tâmaras!

Calmamente, uma a uma, marcham. Depois de alguma água o 'depósito' está de novo atestado e posso seguir viagem. Tive sorte na escolha, porque aquelas pequenas resolveram a questão, ainda antes de assumir ser um problema.

Passado algum tempo chego ao PAC8. O susto serviu de exemplo e até ao final farei um esforço por meter sempre algo sólido nos abastecimentos, mesmo que tal começasse nessa altura a fazer-se com resistência, uma vez que o estômago estava cada vez mais queixoso.

À saída deste PAC cruzo-me de novo com a Célia e será aqui a última vez que nos cruzamos. A próxima será na meta, já depois do banho e quando estiver já em descanso.

Entre o PAC8 e o PAC9 houve alterações ao percurso em relação a 2013. Ficou mais técnico e por isso mais lento. O incentivo aumenta com a memória das Pizzas no PAC9.

O estômago continua a queixar-se. Por esta altura começa a ser complicado ter água sem ser quente. Passado pouco tempo dos abastecimentos aquece e já não sabe bem. Felizmente a organização coloca uma distribuição suplementar entre PAC. Suspeito que é água não tratada, mas não tenho alternativa e bebo o que consigo. Passo por outro café e claro, mais uma mini gelada!

Por esta altura começo a sentir o calcanhar direito. Vem desde há alguns Kms em cima duma pequena pedra. Era tão pequena a pedra, que andei tempo demais à espera que com o movimento do pé se deslocasse dentro do sapato, para local onde não incomodasse. Mas não, a pedra não se mexeu e eu andei tempo demais com a pedra no sapato e quando finalmente me dispus a tratar do assunto, já tinha sido escalado para a categoria de problema e depois de parar, durante 1 mísero minuto e retirar aquela pedra tão pequenina do sapato, o mal estava feito e o calcanhar saíra debilitado de tanto pisar a pequena pedra e agora custava-me pousar o pé correctamente.

De resto a pizza soube-me muito melhor em 2013!!

Quando chego ao PAC, recordo 2013 em que, debaixo duma chuvinha certinha, nos enfiámos, eu e o António debaixo da ombreira da porta, onde estavam as mesas com as deliciosas fatias de pizza e foi um fartote de comer acompanhadas pela batata frita e a coca-cola!!

Este ano a esplanada estava até com muito bom aspecto. Cadeiras, mesas e até uns chapéus de sol. Lá à frente as fatias apetitosas aguardavam. Só que o apetite ...

Alguns metros atrás deste PAC, um companheiro vomitara um pouco á minha frente. Apercebo-me que há pessoal com problemas gástricos. Recordo as placas "Água não tratada" nos vários pontos de água por onde passáramos.

Faço um esforço por comer duas fatias, acompanhadas pela incontornável coca-cola. Acho que a coca-cola é a única coisa que meto no estômago e que me sabe bem.

Sigo viagem.

Vou em direcção ao PAC10 e agora pouca coisa me fará desviar de tal objectivo.


São poucos os Kms entre o PAC9 e o 10. Tempo de poupar alguma energia. Colocados para 2º ou 3º plano estão já quaisquer questões relacionadas com tempos finais, ou sequer ideias de tentar igualar ou mesmo superar as 18 horas de 2013. O único objectivo é chegar!

Faço a maioria deste percurso em marcha. Os trajectos a correr são muito poucos. O pé dói e o estômago está pior. Não vejo ninguém a correr e os (poucos) que passo vão ainda em pior estado que eu.

Depois duma grande descida chego ao PAC10 e peço de imediato uma mini. Em 2013 assim que chegámos aqui, fomos brindados cada um com a sua mini, mas este ano ...


" ... já não há amigo !!..." Oh que decepção!! Mas choro e diz-se que quem não chora não mama. Digo que o ano passado e tal ... Um dos membros do PAC, por sinal um participante da Ultra que desistira nessa madrugada, apiedou-se de mim e lá foi algures, buscar-me uma preciosa! Fiquei-lhe eternamente grato e deixei logo ali, reserva feita para 2015.

Estou agora motivado para a última parte. São cerca de 6 Kms, que vão parecer muitos mais. Desço a longa escadaria a alta velocidade e vou a correr praticamente todo o percurso até ao estádio e à meta. A proximidade do final e os cerca de 5 Kms anteriores feitos a passo restabeleceram algumas forças e estou de novo a correr procurando esquecer as dores no calcanhar. Neste trajecto até ao estádio irei passar muita gente, no mínimo terão sido 20, todos eles a passo. Eu consigo andar mesmo só nas subidas e o estádio nunca mais chega. Finalmente a marca dos últimos 200 metros e entro no estádio. Faço a meia pista a correr e corto a meta. Está feito!

A última barreira.

Ainda se vê a poeira levantada pela velocidade de passagem!!

Recebo a tão desejada medalha de cortiça, que premeia os "finishers" e descanso por ali uns minutos.


Um rápido check up assinala como ponto mais negativo o calcanhar. De resto sinto-me obviamente cansado mas muito bem. Vou para o banho.

Depois do banho retemperador, regresso à pista, onde encontro uma cadeira na qual me sento. Estamos todos com um novo andar, com aquele andar!!

Um a um mais participantes vão entrando no estádio. Passados alguns minutos a sempre sorridente Célia, escoltada por um grupo de 4 elementos. Fico ali uns minutos e depois chego-me a umas mesas com comida, para ver se consigo comer qualquer coisa. Bebo coca-cola e como 2 ou 3 batatas fritas. É a única coisa que consigo meter no estômago.

Encontro o José Magro, também ele desistente no Marvão por causa do estômago. À saída passo pelo restaurante e não resisto a + 1 imperial, para o caminho.

São 20 horas e vou arrancar. Tenho ainda o caminho para casa para fazer, mas por aqui, em Portalegre, já fiz o que tinha a fazer.

Tempo: 18:31:59
Classificação: 221º

UTSM 2014 - Até ao Marvão

Fui uma vez mais apreensivo na passada sexta-feira, dia 16 de Maio, a caminho de Portalegre.

Aqui há uns meses hesitei muito se devia ou não repetir a minha participação de 2013 e embarcar em novo desafio das gentes do ACP. A 1ª experiência foi excelente. Óptimo local, óptima organização e claro, óptima companhia do António Almeida fizeram do UTSM de 2013 uma experiência difícil de esquecer.

Agora, em 2014 ainda deixei passar a 1ª fase das inscrições. Esgotaram-se as 500 vagas colocadas pela organização. Mas na 2ª fase, aberta para mais 200 inscrições, já não resisti e acabei por me inscrever.

Portalegre aparece naturalmente 3 meses após RUNA. É tempo suficiente, mas depois acaba sempre por acontecer uma ou várias coisas que nos limitam a fazermos aquilo que consideraríamos necessário, para que levássemos mais ânimo e mais confiança, quando nos aproximamos duma aventura destas dimensões.

Ganhei alguma defesas nos dias que antecederam o dia 17, com algum exagero colocado na divulgação das alterações ao percurso e nas acrescidas dificuldades com que os concorrentes deveriam contar nesta edição de 2014.

Alguém inclusive comentava no FB, que transparecia algum prazer mórbido em ver crescer as estatísticas de desistências, já de si substanciais (23%), registadas na edição de 2013.

Mas lá fui, numa viagem longa e algo maçadora, que terminou mesmo junto às 22:00, em Portalegre - Assentos.

Gostei: do estacionamento, bem melhor que em 2013.

A seguinte tarefa seria levantar o dorsal e lá fui eu. Aqui a 1ª desilusão, a menina da organização vira-se para mim e pergunta-me:   "...a t-shirt pode ser tamanho 'L'??..." (!!!), eu fico um pouco apanhado de surpresa e respondo simplesmente "Não!!". A menina vai falar com uma colega (mais desenrascada) que muito naturalmente me informa "... as camisolas XL acabaram!! " ao que respondo, "...mas na inscrição assinalei o tamanho XL!... "  Pois ... Pois ???

Não gostei: sei que é um pouco mesquinho. A t-shirt de 2013 nunca sequer a usei, mas a t-shirt é, em conjunto com a medalha de cortiça, o único troféu que a grande maioria dos participantes traz de Portalegre. Se colocam no acto de inscrição a questão sobre o tamanho da t-shirt pretendida, qual a justificação para depois não haver para dar ao concorrente. Ainda por cima a pôrra da t-shirt até é engraçada!
Fiquei pior que estragado, mas siga!!

Respirei fundo, muito fundo e voltei para o carro. Tinha cerca de 1:00 hora pela frente para ultimar os preparativos.

Pouco depois das 23:00 hrs, dirijo-me de novo ao estádio, para depositar o saco para ser enviado para o Marvão (Km 60) e fazer o check-in.

Gostei: da simplicidade e eficiência destas 2 operações.

Já no ano passado esta fase tinha sido simples. A verificação não sendo exaustiva ou maçadora, parece ser eficaz e suficiente.

Às 23:35 hrs estou no estádio, na zona da partida. Troco umas palavras com o Joaquim Adelino, que me aconselha a arranjar compª porque "  faz muita falta principalmente na 2ª parte  ". E como ele tinha razão!!

Junta-se o Luís Miguel e até dá para a foto.


Sinceramente a animação que a organização arranjou este ano, não aqueceu nem arrefeceu. Provavelmente a maioria gostou assim, mas para mim uns momentos de calma e algum silêncio teriam caído melhor mas ... gostos são gostos e ... siga!!

Dá-se a partida às 00:00 hrs e cerca de 500 almas lançam-se no escuro, Portalegre fora, para percorrer uma aventura de 1 dia inteiro, ou quase!



A 1ª parte do percurso teve bastantes alterações, tal como a organização vinha avisando. No geral o trajecto tornou-se mais difícil, mais técnico e sentiu-se essa alteração, principalmente entre o PAC2 e PAC3, e o mesmo lá mais para a frente, entre os PAC7 e PAC8.

Não gostei: neste 1º trecho do percurso e com as alterações ao percurso introduzidas, de algumas passagens por herdades, que por serem particulares se encontravam vedadas, havendo por isso necessidade de transpor as vedações. Numa dessas, a vedação era arame farpado. Eu passei com alguma dificuldade e tenho 1,87mts. Calculo o que por exemplo a Célia Azenha ou a Analice Silva, terão passado para transporem aquela vedação.


Este ano as temperaturas iriam andar entre os 13º e 28º de máxima. A noite esteve amena, mas mesmo assim levei uma camisola mais forte para a 1ª parte da prova e não me arrependi.

PAC 1 praticamente não paro. Bebo água e abasteço o bidon.

PAC 2 felizmente desta vez não nos fazem subir ao coreto.


Esta parte inicial é feita com muita gente e algumas filas, onde há ainda força e disposição para a brincadeira. Vou calado e à espera que o silêncio venha para me poder concentrar. Mas não espero muito porque logo após o PAC 2 faz-se silêncio e todos poupam oxigénio para a subida às antenas.

A partir daqui, nas subidas mais complicadas, adopto a táctica de fixar os calcanhares de quem vai à minha frente e só os levantar quando esse companheiro reinicia a corrida. Olhar para o topo duma subida pode ser desgastante e desmotivante e assim poupo-me. A subida é este ano por outra vertente e parece ser bem mais difícil do que em 2013, ou sou eu que a subo com mais custo.

Passo pelo José Bordalo a quem cumprimento e só depois vejo, um pouco mais à frente, o Bernardo a quem cumprimento. Brinco com a nossa 'questão' acerca da chuva versus calor. Ele queria o calor e não queria a chuva. Eu pelo contrário, preferia a chuva sobre o calor que se adivinhava para esta edição. Ganhou ele...

Chego ao PAC3 e sinto que atingi o 1º degrau desta longa jornada.

PAC 3 faço um abastecimento rápido. Tal como no ano passado a escolha recai no chá e nos queques. Mudo de frontal porque as 5 horas gastas até ali enfraqueceram o Black Diamond. Há grande confusão neste PAC. À minha frente 2 sujeitos bem novos, meios perdidos. Um deles desabafa para o outro " ... oh pah, nunca mais me meto noutra ..."! O miúdo está visivelmente esgotado. Surpreendido com a realidade! Sigo viagem.

Apenas um par de Kms à frente cruzo-me com um participante, que vai em sentido contrário (???). "Esqueceu-se de alguma coisa" penso para mim. Passados mais 1 ou 2 Kms vejo um grupo. Quando me aproximo percebo que está alguém no chão. Espreito e há alguém deitado e completamente enrolado em várias mantas térmicas! Pergunto se é preciso alguma coisa e nem me ouvem. Estão ali à vontade 6 ou mais concorrentes e por isso sigo caminho.

Houve muito pessoal que se esqueceu que o PAC2 e principalmente o PAC3, este último a mais de 1.000 mts de altura, teriam de ser percorridos de madrugada e uma t-shirt é pouco para aguentar o vento, o frio e ainda por cima o facto de chegarmos lá acima transpirados, devido ao esforço da subida.

Para mim, é a altura em que gosto mais de correr o UTSM, no raiar do dia, entre as 06:00 e as 08:00. A única coisa que se ouve e bem é o chilrear dos pássaros. A temperatura está fresca e começam-se a distinguir as formas e o relevo à nossa volta. Excelente.

O dia nasce e há grande algazarra à minha volta. Os bichos devem estar a reclamar do inusitado movimento por ali.


Um dos (poucos) pontos onde poderia tentar cortar tempo seria nos PAC. Se conseguisse poupar que fosse 5' em cada um deles, daria cerca de 50' no final, o que é muito tempo. Por isso e sem colocar em questão a necessidade absoluta de abastecer e hidratar em condições, tentei sempre gastar o mínimo de tempo possível.

No 1º PAC apenas líquidos. No 2º PAC líquidos mais alguns salgados. No 3º PAC chá + queques. A receita era a que em 2013 seguira, com tão bons resultados. Nada de inovações, apenas o que normalmente estou habituado a meter em treinos/provas + longas.

Até ao PAC 2 ainda vou muitas vezes com o Joaquim Adelino, mas a confusão é grande e nem me apercebo quando deixámos de ter contacto.

Não gostei: de alguma confusão em alguns PAC. Eu sei que passámos de 350 em 2013, para quase 600 em 2014 e isso reflectiu-se e de que maneira nos PAC, onde o espaço reduzido de alguns e a natural acumulação de pessoal, tornaram complicado que se conseguisse chegar às mesas, para se retirar qualquer alimento.

Chego ao PAC 4 - S. Julião. Do chouriço não há notícia, nem se cheira, mas há café bem quente que empurra mais 2 queques. Água e segue caminho, agora para subir.

Segue-se um dos Main Events de 2013: o PAC 5 e a Bifana.

No PAC5 - Porto da Espada tive a vingança de 2013, em que o António Almeida não me deixou parar para apreciar a bifana que ali é dada aos participantes. Este ano pude apreciar calmamente uma bifana acompanhada de uma ... coca-cola!! Mas já lá vamos à bifana.

Como aconteceu em 2013 navego muito tempo à vista da Célia Azenha. Em 2013 eu e o António andámos frequentemente perto dela. Ela anda mais devagar, mas nos abastecimentos é uma seta e adianta-se. Aqui volto a apanhá-la, perto do PAC5. Falamos um pouco. Parece-me algo cansada, o que se me afigura anormal para uma atleta com a rodagem dela. Mas se pensarmos um bocadinho apenas na frequência em que participa em provas deste género, estilo fim de semana sim, fim de semana sim, poderá estar aí algum fundamento para as dificuldades que parece estar a atravessar quando andamos um pouco lado a lado. A MIUT foi a sua última participação e convenhamos que é brutal o espaço de tempo que separa aquela desta prova.

Finalmente chego ao PAC!

Em 2013, com 2 ou 3 participantes apenas neste PAC, assim que me foi dada a bifana só tive tempo de encher a caneca com a coca-cola, porque logo de seguida o António chama-me e diz-me para irmos embora!! E lá vou eu, trilho acima, com os bofes de fora a enfiar a bifana, a molhá-la com coca-cola e a tentar respirar no meio de tanta azáfama!!

Ficou-me atravessada a bifana, mas este ano não. Estive digamos que 1 ano à espera deste momento e tinha que o gozar.

Desta vez havia muita gente no PAC. Os colaboradores inexcedíveis, despachavam bifanas à profissional, esperei pela minha vez e quando fui premiado com a minha bifana preparei-me para o banquete. Peguei numa garrafa de coca-cola e enchi a caneca. Peguei nas coisas, recuei para umas mesas que estavam um pouco afastadas e sentei-me, por sorte junto a um prato de batata frita. Estava composta a mesa e deleitei-me com o prazer daquela bifana.

Neste PAC e neste episódio da bifana, passou-se uma situação que partilho convosco:
Imaginem aqui o V/amigo junto a uma mesa à espera e a babar-se por uma bifana.
Imaginem mais cerca de 10 ou 12 marmanjos precisamente na mesma situação, à espera e esfomeados.
Quando chega finalmente a minha vez e me colocam à frente o prato de plástico com a deliciosa bifana, os meus olhos reviram-se de prazer e gula. Reviram-se ainda para a garrafa de coca-cola, que à falta de melhor acompanhamento teria de empurrar aquela bifana pela goela abaixo. Pois nos cerca de 5 segundos que demorei a apanhar a dita garrafa de coca-cola e encher a minha caneca, vi um esfomeado a ... , imaginem vocês, pegar na minha BIFANA!?!?! Olhei para ele, raios de fogo saíram das órbitas, ele era espanhol mas não burro e perguntou-me qualquer coisa do género " ... é tua ..." DAHHH!! Claro que é minha!! Ele envergonhado pousou a bifana calmamente de volta no prato e riu-se visivelmente arrependido.

Foi engraçado este episódio!!

Quando cheguei ao final da minha refeição, calmamente peguei nas coisas, deitei o lixo no lixo e ainda calmamente regressei ao meu caminho, a pensar no António e a dizer-lhe daqui "...esta é para ti António Almeida!!..."

Gostei: continuaram inexcedíveis os colaboradores nos PAC. Tudo fazem para ajudar os participantes e conseguem-no. Às vezes calculo o que não aguentarão de pessoal que chega cansado e às vezes sem qualquer paciência ou discernimento para qualquer contratempo, por mínimo que seja.

Foi em 2014 o ponto que considero mais forte na organização, o pessoal dos PAC. Para todos eles o meu Obrigado!

A propósito do discernimento (ou da falta dele) com que estes colaboradores têm de se confrontar, imaginem aqui o Alex, no PAC2, a chegar-se ao bidon do chá, a pegar na minha caneca e quase a enfiá-la no líquido (felizmente) vira-se para a senhora que ali estava e pergunta-lhe "...posso? ...". Polidamente a senhora corrige e responde, " ... não! Aqui só eu é que posso tirar o chá!!" Apercebi-me aí do que estivera prestes a fazer e a enfiar a minha caneca, no chá que seria bebido por muita gente!! Pedi desculpa e segui ...

Feito mais um check-up sumário, dá para perceber que as pernas continuam bem.

Do PAC 5 vê-se o PAC 6, o imponente Castelo, ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Com o masoquismo que caracteriza uma vez mais o desenho do percurso feito pela organização, as voltas e voltinhas que me levarão a passar aquela porta, lá no alto, ainda me farão andar cerca de 10Kms!

 

Seguem-se alguns Kms em descida, em que aproveito para correr porque sei que logo a seguir seguem-se muitas subidas. Lá em baixo, mesmo antes de começar a tal sucessão de subidas, irei apanhar uma vez mais a Célia, irei encontrar mais um curso de água retemperador, onde gozo mais um banho maria durante um par de minutos e depois sim, começa o 'calvário' do ataque ao Castelo de Marvão.


Seguem-se sucessivas séries de subidas, numa altura em que o sol começa a aquecer. É complicado por não ser uma subida, mas uma sucessão delas e também porque, sempre à vista do castelo e depois de muito subir, contornamos o morro e descemos, para logo de seguida voltarmos a subir ainda mais.

Tal como em 2013, é uma fase da prova absolutamente masoquista, percorrer trajectos que circundam o tão desejado Castelo, sem nunca chegar de facto a alcançá-lo, até que já perto do desespero se transpõe finalmente aquela porta.

Em 2013, assim que passámos a porta, eu e o António fizemos em passo de corrida a ligação ao PAC. Este ano, fiz todo aquele percurso a passo ...

Depois de transposta, abre-se ao concorrente o PAC6 em todo o esplendor da oferta, que no caso e excluindo tudo o resto, se resume a uma sopa, muito provavelmente a sopa que melhor me soube em todo o ano de 2013!

Mas não foi assim em 2014!!

Fruto do aumento de concorrentes o espaço no PAC foi reduzido a uma meia dúzia de cadeiras, ao sol, onde temos de comer a deliciosa sopa e atrapalhar-mo-nos com a forma de conciliar com o incontornável pão. Sem o apoio da mesa disponibilizada em 2013, torna-se uma tarefa complicada e o concorrente que come a sopa ao meu lado, acaba mesmo por entornar a tigela por cima das pernas e sapatos. É de facto pouco e fraco espaço para um momento tão desejado.

Não gostei: por isto da organização deste PAC. Nada a ver com o conteúdo da mesa, mas sim com a forma como a organização entendeu disponibilizar o mesmo.

Subo para a muda de roupa e também e especialmente aqui, se nota o aumento de concorrentes em relação a 2013.

O salão que em 2013 me pareceu enorme, está este ano apinhado. Não há cadeiras disponíveis. Mas há o palco e lá terei que dar espectáculo de strip. Este ano opto por não mexer nos pés. Sentia-os bem e mesmo com algum risco mudei só a roupa e deixei as meias e os sapatos. Arrumei melhor a mochila de modo a conseguir aqui deixar a bolsa de cintura e estou pronto.

Cá fora no bar bebo um café, ponho protector solar, coloco o lenço de cabeça que me irá acompanhar até ao final, coloco o 'Silver' à carga no carregador de braço e lanço-me a caminho do PAC7.

O ano passado fizemos a longa calçada romana toda a passo. Este ano e um pouco para compensar a entrada no castelo, faço-a toda a trote. Lá ao fundo uma fonte e logo ali molho o lenço e enfio-o na cabeça, ainda a escorrer. Será uma operação que irei repetir sempre que encontrar água e que resulta em termos de estímulo muito refrescante.

Está feita a 1ª parte, que é também a mais difícil e técnica. A partir daqui se o cansaço e o calor sobem, em compensação os Kms em falta para o final vão diminuindo e a componente anímica sobe em flecha.

UTSM - A preparação

Iniciei a campanha UTSM 2014 em 10 de Fevereiro, após Runa e o inevitável período de descanso que se lhe seguiu.

Foram portanto cerca de 14 semanas de preparação.

Resumo de Fevereiro (excluindo RUNA):
  • Sessões de Corrida: 11 = 160 Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 5 Kms
  • Média Peso = 88,2 Kgs


Escrevi em 10 de Março de 2014:

Com 4 treinos semanais, vou fazer o possível para ir minimamente em condições. O objectivo é 'apenas' ir com mais confiança!

As 18 horas de 2013 satisfazem plenamente. Em 2014 tenho menos disponibilidade para treinar, mas fazendo as coisas com alguma ponderação, será tempo suficiente para ir sem estar sempre a recear uma quebra física.

Nas primeiras 6 semanas farei trabalho de base (mais trabalho de base) a meter Kms nas pernas. Nas 4 seguintes tentarei fazer trabalho de resistência e as últimas 3 serão de alguns treinos mais específicos, se conseguir fazê-los (...).

Tenho 3 'longos' planeados, um deles será nos Trilhos de Almourol, onde farei uma estreia participando na prova dos 40 Kms. Os outros irei fazê-los provavelmente juntando dois treinos, um à sexta-feira ao final do dia e outro logo na manhã de sábado, tentando assim dar alguma carga extra e aperceber-me da resposta do corpo.

Uma questão importante é o peso. Parto para esta operação a rondar os 88 Kgs. Seria óptimo chegar a Maio e tirar 2 a 3 Kgs e assim poder fazer a prova com 85 Kgs. Acho que é perfeitamente possível. Mas não me sinto com grande vontade! Sinto-me preguiçoso e algo desmotivado e aqui residirá provavelmente o maior desafio.

Parece que os 53 me estão a afectar ...


Escrevi em 25 de Março de 2014:


Na terça, ainda a recuperar da sessão de domingo, quis apenas meter algumas rampas. Consegui fazer 5x500 e já foi bom!

A sensação que tenho, sempre que quero fazer algum treino mais específico, é que o corpo se recusa simplesmente a colaborar. Sinto logo que tenho pouco ou nenhuma margem para inovar, para além da habitual endurance. Nesta terça, na 2ª ou 3ª série, já tinha a sensação de sentir (mais do que já vem sendo hábito) o tendão esquerdo.

Séries, intervalados, rampas, escadas, etc, tudo o que fuja da simples 'CC' de Corrida Contínua, já representa um risco de agravamento de alguns dos sinais que o corpo me dá.

Tendão esquerdo e a articulação do hálux são os principais focos de tensão.

Treinar para uma prova de montanha sem poder fazer treinos com alguma altimetria, é complicado mas parece-me que terá que ser mesmo assim.

Apesar de estar quase em Abril e de Março ter sido um mês de alta quilometragem, continuo a não sentir ritmo na minha corrida, como sentia há uns meses atrás, ou pelo menos tenho ideia de sentir.

Só pode haver uma explicação, que é o peso!

Continuo nos 88 e estes quilos a mais fazem concerteza essa diferença.

Às vezes penso que era preferível deixar de correr e dedicar todo o meu esforço a perder peso. Acho que tiraria mais proveito dessa táctica!


Resumo de Março:
  • Sessões de Corrida: 17 = 302Kms
  • Sessões de Piscina: 0
  • Média Peso = 87,8

Abril para além de ser o mês mais técnico na preparação para Portalegre, tem sido também a altura escolhida para testar equipamento.

Tenho feito sessões com mochila, apesar de quase não lhe mexer. Acho que é bom habituar-me aquilo nas costas, ao peso e ao equilíbrio.

Tenho feito sessões nas encostas do Jamor. Evito saturar os mesmos locais de treino, embora com a hora a que me é possível fazer os treinos, as alternativas não abundem.

Treino com frontal o máximo possível.

Aproveito também para fazer terreno o mais acidentado possível e assim tentar corrigir, por pouco que seja, a minha posição, excessivamente direita, o que, aliado ao posicionamento elevado do meu centro de gravidade, me transmite grande insegurança, principalmente nas descidas mais técnicas.

Estou a lembrar-me daquele trilho tenebroso, no UTSM versão de 2013, logo após o PAC3, com cerca de 1Km de extensão. feito com vento e frio, às 5:00 a.m., onde estou ainda para perceber como consegui não cair.

Finalmente nos testes que tenho feito, experimentei num nocturno que fiz em Monsanto, o frontal chinês, que teoricamente com 500 lumens (???) serviria de alternativa ao Black Diamond, que com os seus 90 lumens se revelou limitado na edição de 2013. Recebi o frontal no dia do treino e a coisa não correu muito bem, mas é ainda matéria para explorar melhor.

Outra compra foi um carregador para o Silver. Em 2013 ele queixou-se que eu tinha 10 PAC's à disposição e para ele só houve 1, o de Marvão e onde o abasteci durante apenas os 20' que lá estive. O 'rapaz' esgotou-se às 16 horas e este ano levarei este pequeno carregador, que com 1 pilha AA, permitirá fazer o carregamento em andamento, durante mais algum tempo, o que já será mais do seu agrado.

Resumo de Abril:
  • Sessões de Corrida: 11 = 221Kms
  • Sessões de Piscina: 4 = 10Kms
  • Média Peso = 87,5

Acho que apesar de tudo, irei em 2014 mais preparado do que em 2013 fui. Tenho já a experiência do ano passado e isso é sempre uma vantagem.

Vou com menos sessões, mas com mais Kms nas pernas. O que me preocupa é a perna esquerda, que tem andado a avisar e claro, as alterações ao percurso, já amplamente divulgadas pela organização, que não se poupa a anunciar as dificuldades acrescidas nesta edição, isto apesar de divulgarem também que em 2013 se registaram 23% de desistências (...).

Outro contra, não menos importante, é não ter este ano o António Almeida ao meu lado, para me travar ou puxar, como tão bem fez o ano passado.

Tenho tentado fazer o máximo de Kms possível, embora a falta de conhecimentos e de tempo para treinos, limite e de que maneira os benefícios de tal preparação, que se torna por vezes algo atabalhoada.

Embora tenha mais Kms feitos este ano, não consegui fazer sessões longas, em dias seguidos, como fiz o ano passado, por considerar que são positivas, para habituar o corpo a um esforço mais prolongado.

A 60 horas do evento e amenizadas as dores, sobrevêm as dúvidas, sempre as dúvidas.

Será falta de confiança em mim ou o encarar da realidade e das minhas limitações? As dúvidas sendo as minhas, adivinho-as em muitos daqueles que comigo irão estar na madrugada de dia 17 a sair daquele estádio em Portalegre. Seremos cerca de 500 almas a lançar interrogações sobre a aventura em que estamos prestes a iniciar.

Vem aí o último fim de semana em que posso ainda fazer algo mais pesado e vou tentar juntar pelo menos 2 dias. Quando comecei esta preparação, tinha 12 semanas à frente e tinha outras tantas para trás, com a preparação para Runa, mesmo assim, agora que essas 12 semanas estão a acabar, não consigo arranjar motivos de euforia para a viagem a Portalegre.

Até à véspera aguardarei ou estarei atento a algum sinal que o corpo me dê, porque se ele vier terei de equacionar a anulação da viagem.

Escrevi em 16 de Maio de 2014:

A cerca de 12 horas aumenta o nó no estômago característico das dúvidas daquilo que não conseguimos controlar. Lembro o ano passado e exactamente a mesma sensação. Este medo que depois se transformou em acrescidas cautelas e me levou, pé ante pé, até à meta no estádio, naquele final de tarde. Embora as previsões sejam de céu limpo, há por aqui algumas nuvens ...


Resumo de Maio (até dia 16):
  • Sessões de Corrida: 5 = 87Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 3,75Kms
  • Média Peso = 87,3

sexta-feira, 23 de maio de 2014

II Trilhos das Lampas

Nós vamos onde nos sentimos bem!

Sou muito bem recebido em São João das Lampas pelo Fernando desde a 1ª vez que lá fui, na altura ao 1º treino nocturno da Meia Maratona que por ali se realiza, já há talvez 3 ou 4 anos.

Essa é a razão suficiente para me inscrever nestes II Trilhos, a apenas 1 semana de ir a Portalegre correr o UTSM. E ainda bem que o fiz!

Gosto daquela região e faço com muito prazer esta prova, pela 2ª vez.

De resto pouco há a dizer.

Quem sabe, sabe. O Fernando Andrade tem muitos anos de experiência do outro lado, do lado de quem participa. Para além desta vantagem, o Fernando tem um modo de tratar dos assuntos, de todos os assuntos, mesmo aqueles um pouco mais chatos, dum modo que nos deixa cúmplices desta Organização, da qual, para mim, ele é a cara.

Os acessos são fáceis e o estacionamento não levanta qualquer questão.

O levantamento dos dorsais pareceu-me um pouco 'engasgado', mas para quem como eu vai com a devida antecedência para as provas, não levanta questão de maior. Levei 10' para recolher o meu. Nada de mais.


A este propósito faço questão de partilhar, com o restrito mas distinto grupo de leitores deste texto, o dorsal nº 190, que o Fernando Andrade teve a amabilidade de personalizar para mim, com os nºs de contacto das emergências (podem vê-lo sob o nome) e que mais ninguém teve no seu dorsal. Por aqui se vê a confiança que há nas minhas capacidades atléticas. Mais por isto Muito Obrigado Fernando!!

O percurso é bonito, acessível, excelente por isso para quem se está a iniciar nestas coisas das corridas fora de estrada.

Não gostei do estrangulamento logo no início. Mas paciência, coisas que só quem anda devagar como eu tem que suportar.

Gostei e muito das marcações. Daquelas para serem vistas de dia ainda e especialmente daquelas que são para serem vistas de noite.

Gostei do apoio nas zonas perigosas. Estava lá sempre alguém da Organização, apenas para precaver qualquer situação menos agradável.

Gostei dos abastecimentos. Adequados.

Gostei daquele pormenor de colocar sacos de plástico depois dos abastecimentos, na extensão de alguns metros, precisamente para minimizar (ainda vi pessoal a deitar os copos para o chão) o lixo no chão.

Gostei do Rancho Folclórico a meio do percurso, para animar.

Do ponto de vista desportivo a prova correu muito bem. Fiz todo o percurso ao lado do Joaquim Adelino, para me obrigar a um ritmo calmo e assim foi. O mais importante era passar um final de tarde agradável sem me aleijar e foi um objectivo atingido. Só tive alguma pena do sol se ter escondido atrás dum manto espesso de nuvens, mas pelo menos foi justo e assim não houve pôr-do-sol para ninguém na Samarra.


Parabéns ao Fernando e à restante equipa, que salvo qualquer acidente contará comigo na III Edição destes Trilhos que como já escrevi há um ano, têm pernas para se esticar e para se instalar confortavelmente nos calendários dos que gostam de percorrer os trilhos de Portugal.

Adivinho e desejo longa vida aos Trilhos das Lampas!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trilhos de Almourol

Viagem pacífica, bons acessos e chegada ao Entroncamento cerca de 1hr antes da hora.

Dorsal levantado e vou à procura dum café!

Não me apetece beber um daqueles das máquinas domésticas que há no pavilhão, apetece-me um a sério, mas ainda não são 08:00 da manhã e não é tarefa fácil.

Equipar com cuidado. Acabei por levar a mochila, mais para me ir habituando com aquilo nas costas, porque nem sequer a irei abrir.

Bidon, máquina de fotos e telemóvel vão à cintura.

O mini mapa com os postos de controlo e os Kms deram algum jeito.

Os autocarros para a partida é chato, lembram a viagem (maçadora) de Tróia a Melides, ali enfiado cerca de 50'. Mas tem de ser e aguenta-se.

Martinchel foi o local escolhido para a partida, mesmo junto a Castelo de Bode.



Mais um café e um bolo (...) e ainda dá para umas fotos.

Vejo o Joaquim Adelino e mais umas caras conhecidas.

Partida calma às 10:00. Desta vez fui absolutamente o penúltimo, seguido de perto apenas pelo atleta 'vassoura'.

Passados 3Kms uma looonga fila para transpor o 1º obstáculo. Demorei cerca de 23' a fazer 1Km!!

O declive é acentuado e quase não há zonas planas, ou não há "chão" para se correr um bocadinho. Andamos nas encostas do Zêzere e Tejo e por isso andamos para cima e para baixo, sempre perto de cursos de água e de muita LAMA!!


Nunca fiz nada com tanta LAMA!!

Este tipo de altimetria com este piso desgastou-me muito.

Sesimbra é uma serra e levei menos 40' para fazer 50Kms.

Muita, muita, muita LAMA!! Algum calor e progressão muito lenta e difícil.

Como comecei em último, o facto de ir sempre a passar malta dá algum alento. E convém um dos pontos fortes deste Trilhos, a natureza à nossa volta tem fotos excelentes.



Andei a maior parte do tempo sózinho. Excepto os 1ºs Kms em que acompanhei o Joaquim e depois lá para o final, perto do Km 30, apanhei um companheiro que ia muito em baixo. Andei ao lado dele uns Kms, ele melhorou e passados alguns Kms foi ele a esperar por mim para entrarmos no Pavilhão lado a lado.

Os 2Kms para além dos 42 anunciados foram muito penosos, mas lá consegui correr até à meta.

A partir de meio do percurso começa a vir ao cimo a endurance e começa a gestão do esforço. Devo confessar que gosto quando me sinto cansado mas ao mesmo tempo noto que o corpo reage ao cansaço de forma positiva. Deixo de pensar nos Kms e começo a fazer a gestão.



Intercalando corrida e marcha, vou avançando. O ritmo é o que gostaria de conseguir em 17 de Maio, em Portalegre - UTSM. 10'/Km ou 6Km/Hora seria excelente que conseguisse.

Aqui os dados recolhidos pelo meu fiel Silver.

Tenho de fazer 4 semanas no duro e tentar aumentar a resistência, para depois, nas últimas 2 semanas aliviar.

5* Para os cenários
5* Para as marcações
4* Para os abastecimentos
Dois postos com carência de água. É incrível que após tantos anos com tantas experiências, se continuem a ver postos de abastecimento sem água e com várias garrafas de refrigerante.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Viagem - Cap. III (O regresso)

Desta vez deixei aos meus Filhos um 'PUP'!

E o que é um 'PUP' questionam vocês.

Pois um 'PUP', como está fácil de ver, mais não é que um Pick Up Point, em Português, um local de extracção (!!) ou seja, são as coordenadas GPS de um local, a meio do caminho para casa (cerca de 70Kms), onde alguém me apanhará (ou apanharia) caso eu veja (ou visse) as coisas mal paradas ...

Feita a trouxa para a viagem, despeço-me e reinicio a viagem. Nem 5' tinham passado e cruzo-me com o meu Irmão, que está a chegar. Seguem-se mais 15' de conversa e depois sim, estou de regresso!

Desta vez custou-me menos o arranque que nos anos anteriores. Como não há calor, custa-me menos o recomeço depois da paragem e do almoço.

Recordo aqui os 100Kms de Portalegre e o PAC6 no Marvão. Depois de 2 tigelas de sopa acompanhadas com pão caseiro e já com roupa seca no corpo e com o sol a brilhar, o que me custou arrancar depois desta paragem ... Se não fosse o António Almeida a puxar por mim, tinha ficado cá em baixo no jardim, a fazer uma sesta à sombra de uma árvore ...

Às 13:29 o raposão Jorge envia mais um sms com um incentivo da sua parte, da Augusta e até do João Lima, companheiro de corridas, de barreiras, de sonhos, de objectivos, mas com quem curiosamente nunca falei. É espantosa a força que a corrida tem, a suscitar tal manifestação de companheirismo.

Logo a seguir a este sms do Jorge, entra outro, agora do Egas, também ele novamente no apoio, tal como já sucedera nas 2 edições anteriores.

A sensação de peso e falta de resistência acompanham-me, mas o ritmo calmo e descontraído ajudam de algum modo a minimizar os efeitos.

Passados alguns minutos lembro-me do MP3 e que seria excelente colocar um pouco de música para o início do regresso. Mas definitivamente este capítulo da viagem estava 'minado' e também o MP3 se recusou a funcionar. Estou definitivamente entregue a mim mesmo, sem telemóvel, sem sms e agora sem música ambiente!

Para baixo trago mais água, mas mesmo assim ainda irei comprar mais 0,5lts em Lousa. Com cerca de 60Kms marcham as clementinas e as chipmix. Aos 70Kms compro 1 coca-cola e 1 banana. A 1ª marcha logo um pouco à frente, a acompanhar a sandes de presunto, numa esplanada que encontrei. Passado 1 par de Kms, segue-se-lhe a banana antes que fique amassada!

Por volta das 18hrs o Guilherme pergunta:
"Aguentas? Não vais precisar do PUP?"

Por falta de carga no telemóvel opto por não responder, mas penso cá para mim: "não, ainda não é desta que irei precisar do PUP!!"

O dia começa a arrefecer. Sinto-me bem nas partes em que corro e gradualmente descontraio. À medida que os Kms passam, gradualmente ganho confiança sobre as hipóteses de concluir a jornada.

De vez em quando ligo o telemóvel, apenas para apressadamente dar notícias ao meu apoio, avisando do meu progresso e desligo de imediato.

Tenho que lhe poupar a bateria, caso venha a precisar dele!

Agora também a Joana dá uma forcinha:
"Bora lá Papi! Já não falta tudo!!"

Como a amplitude térmica do dia foi mais baixa, sinto menos a transição para o final da tarde. Estou com curiosidade em ver como vai correr o desvio que desta vez planeei para fugir da zona de Caneças, Carenque e Queluz, que é muito complicada de passar, devido à falta de visibilidade em zona com muitas curvas. 

A encosta de Vale Nogueira é agora a subir e bem a subir! É uma parte difícil, porque arrefeço e está já muito escuro. Para ajudar os cães que aqui e ali vão aparecendo no meu caminho e que complicam, apenas porque são chatos! Quando finalmente chego lá acima, estou à entrada de Caneças. Faço mais uma pausa, como qualquer coisa e bebo água. Dali até ao tal desvio ainda tenho uns 4/5 Kms para fazer, já em estrada sem bermas, sem iluminação e já com muito tráfego. As curvas esquerdas são um constante desafio de atenção e esquiva. Quando me vejo muito apertado lá tenho de saltar para a valeta de escoamento de águas. Respiro de alívio quando chego finalmente ao desvio, mas outra aventura está prestes a começar ...

Por volta das 19:30hrs, envio um sms à Dora a avisar que estarei a cerca de 1hora de casa. Em resposta, recebo:
"Boa! Aproveita a paz se chegares antes do pequeno furacão ..."

Mesmo sem MP3 andei sempre acompanhado, apesar da pouca interacção, dadas as limitações em termos de bateria no tlm. É uma componente muito importante esta do apoio dado pela Família e Amigos.

Dado o meu feitio reservado, nunca me juntei a qualquer grupo ou clube. Neste meu último recomeço, pós-meniscectomia, ainda fiz alguma tentativas com O Mundo da Corrida, mas a coisa não evoluiu. Fiz no fórum alguns convites para treinos no EN, mas nunca houve qualquer resposta. Daí nasceu a brincadeira do Grupo dos Não Alinhados ou dos Desalinhados, que é formado por uma série de membros com particularidades, sendo que ter 4 patas é apenas uma delas. Foi daí que nasceu a amizade especial com algum pessoal, com o qual tendo pouco contacto, tal facto não impede a que surjam atitudes espontâneas como estas que vos venho relatando. Estive até hoje talvez 6 vezes com o Jorge Branco. Corri com ele talvez duas delas. Na prova do Guincho, que ele divulga e na edição 'pirata' do Fim da Europa, acho que em 2012. Pouco conheço dele e o mesmo se passa em relação a mim, no entanto é menino para me enviar sms às 5horas da manhã e passar praticamente o resto do dia no apoio a esta minha viagem. Confesso que não me considero merecedor de tal tratamento e declaro-me em débito, com difíceis probabilidades de alguma vez conseguir saldar tal dívida.

Para ele em especial, mas extensível à Augusta, ao Egas e ao João, o meu obrigado!

Mal sabia eu no que me estava prestes a meter...

O plano que fiz para me desviar daquele bocado do meu percurso, foi apenas estudado nos mapas, seja Google Earth, seja Maps, seja do Garmin. Aquilo dá para se fazer uma ideia, mas este vosso companheiro não quis estar a perder tempo para explorar aquilo no terreno, nem que fosse de carro. Naaaa, este vosso amigo, estudou os mapas e fez uma cábula e pronto, foi só!! Mas o que é certo é que apenas acertei nos 1ºs 3 kms do esquema!!

Passei por baixo da CREL, por uma via que liga a Casal de Cambra, passados cerca de 300mts meti, como planeado, por um caminho em terra. Fiz o tal caminho aos tropeções, sem ver onde punha os pés. Está já muito escuro e o caminho está cheio de vegetação. Vou até ao final, ouço cães à minha esquerda (...) e quando chego ao final, há um outro caminho na perpendicular.

Naquela altura as m/opções eram:
  • Para a dtª: Não é opção, pois voltaria para trás!
  • Para a esqª: Não quero. Não me agradou ouvir cães tão perto em zona que desconheço!
  • Para trás: Idem, também não quero!
  • Resta-me avançar!!
Por trás de algum arvoredo há uma estrada, que calculo seja a que quero alcançar. Para lá chegar tenho à minha frente uma cerca em rede, com cerca de 1mt e arame farpado no topo da mesma!!

Escalo a coisa, protegendo particularmente algumas partes (...) e lá consigo transpô-la! Sigo a tal estrada, na berma, na expectativa de me assegurar que estou no local correcto. Há uma curva larga e longa à esqª, finda a qual o que é que eu vejo?? Adivinham?? As portagens da CREL!! Naquele momento pareceu-me que a hipótese menos má seria avançar mesmo e ter esperança de encontrar uma saída qualquer, o mais depressa possível.

E lá vou eu, a correr pela CREL!!

Passo pela via verde, porque não tinha dinheiro trocado (...) e sigo pela berma. Acelero e faço slalom entre rails, valas de escoamento e outros objectos abandonados por ali. Vou com um olho no chão e o outro na berma, à procura duma escapatória. Não encontro nada onde as chances de não me aleijar compensem o risco, por isso vou avançando. Aguardo a qualquer altura uma patrulha da GNR que me dê uma boleia forçada dali para fora e começo a ver indicações de aproximação de túnel! Estou na CREL há cerca de 2kms, que me parecem já uma eternidade. Finalmente a cerca de 300mts do Túnel de Carenque, há um viaduto, com uma estrada por baixo e cujo acesso me parece possível. Para lá chegar 'só' tenho de passar novamente pela cerca em arame, com o tal farpado no topo e descer uma ladeira. Finalmente lá consigo chegar à estrada sem mais novidades e estou de novo na Estrada das Águas Livres e, apenas para que conste, evitei a parte do trajecto a que me propunha com o tal desvio, por isso e para os devidos efeitos, aparte um pormenor(zito), atingi o meu objectivo, mesmo que para tal tenha andado em plena CREL!

Esta parte serviu para animar a coisa q.b. e estou novamente em Queluz. Começa a chover, agora com mais intensidade, mas depois de cerca de 90Kms não é coisa com que me preocupe minimamente. Atravesso Queluz, em direcção ao Palácio, passo o viaduto sobre o IC19 e entro em Queluz de Baixo. Ligo o telemóvel e a Dora diz-me que está praticamente no mesmo local, visto que os nossos caminhos são a partir daquela zona coincidentes até Queijas. Chove agora com muita intensidade e não consigo recusar a boleia que ela me oferece quando passa por mim. Estou com pouco mais de 100Kms, faltam cerca de 4Kms para casa, mas o facto de os ter ali à mão, aliado ao facto de estar a chover muito , levam a optar por dar por concluída a minha viagem.

Acabou a minha viagem de 2014! (vejam aqui mais pormenores)

Como ponto mais alto, nomeio o facto de a mesma ter acontecido. O simples facto de a conseguir ter feito, com uma preparação muito deficiente, é sem dúvida o mais importante. E acaba igualmente por ser a falta de preparação o ponto menos positivo a nomear já, em jeito de balanço a quente. A falta de preparação retirou-me atenção para outros pensamentos, que não fossem em exclusivo estar sempre a pensar se iria ou não conseguir concluir mais uma viagem! Disponibilidade que viria à tarde, já por volta dos 70Kms, quando gradualmente comecei a sentir que conseguiria fazer todo o trajecto.

Até 2015!

A Viagem - Cap. II (A ida)

Deitei-me pouco depois da meia-noite. Acordei às 03. Fui à janela e lá fora caía muita chuva, batida por vento forte.   Belo augúrio  pensei eu e despachei-me de novo para a cama.   Há-de passar ...

Quando saí de casa, faltavam 2 ou 3 minutos para as 05:30 e a manhã até nem estava muito fria.

Não chovia ...

Queijas dormia ainda.

Avanço em passo apressado para atravessar Queijas.

A Viagem está a começar!

Atravessado o centro da vila, entro numa zona rural, parte da Serra de Carnaxide, que separa os concelhos de Oeiras e Sintra. O caminho é escuro como breu, mas é bem conhecido e inicio aqui a evolução em passo de corrida.

Avanço chapinhando aqui e ali nas inúmeras poças nascidas com a chuva das últimas horas.

Passados alguns minutos entro na zona industrial de Queluz de Baixo, pouco à frente é o IC19 e logo a seguir + Queluz, que não se chama de Cima não sei porquê, se o outro lado se chama de Baixo!
(qualquer dia pergunto ao Luís 'Tigre' que ele sabe concerteza ...)


A 1ª foto é sempre aqui, em Queluz, no Centro de Saúde onde a minha Mãe trabalhou tantos anos. Foi o último centro de saúde antes da merecida aposentação. Nesses tempos, quem trabalhava tendo contribuído uma vida para o respectivo sistema de saúde, ainda tinha direito a uma reforma. Ela ainda foi em boa altura e ainda teve um bom conjunto de anos para gozar dessa reforma. Feita esta paragem sigo em direcção a Belas.

Faço a 1ª hora e levo feitos 7Kms, tal como planeado.

Segue-se um trajecto junto à CREL e do Aqueduto das Águas Livres, que me irá levar a Caneças.

O dia começa a nascer e recebo o 1º sms do dia, claro que do Jorge Branco, que me dá o 1º empurrão:

07:02 03/02/2014
"Directamente do Centro de Controle da Toca da Raposa Manca, votos de boa jornada e aquele abraço."

É o apoio que se repete pelo 3º ano consecutivo e que me acompanha em toda a jornada. (Tenho pena do meu telemóvel ter expirado precocemente, porque me fizeram falta as doses parcelares de adrenalina que o sinal de sms a entrar me ia dando durante o caminho!)

Depois de Caneças segue-se mais uma zona rural. É Vale Nogueira e A-Dos-Calvos. Como a encosta para lá é a descer, aproveito para aumentar um pouco o ritmo, aproveitando o peso e a gravidade.



Aqui levo a 1ª chuveirada. Pequena, ligeira e retemperadora, sem qualquer aspecto negativo, foram apenas uns chuviscos de apenas 5'.

Logo à frente estou em Guerreiros, onde faço a minha pausa para o 2º pequeno almoço. Uma sandes mista e um sumo e siga viagem, debaixo de mais um chuveiro, ligeiro também como o anterior.

Estou na Estrada Nacional 8 e porque no ano passado o dia 03/02 calhou a um domingo, já não me lembrava de tanto movimento. Quando os pesados passam por mim, fico com as pernas todas salpicadas da água que ainda está na estrada. Alguns desviam-se, outros nem por isso. Apesar de tudo vou agradecendo, porque sou eu que estou no sítio que é deles.

Vêm à memória as férias na Consolação - Peniche, por volta de 1984/1985 e os 'estágios' para as primeiras idas à Nazaré. Passei ali as férias de verão com a minha Mãe, durante 2 ou 3 anos, no mês de Setembro e já a treinar para a Corrida do Tejo (ainda da Câmara Municipal de Oeiras), com a qual arrancava a época, a que se seguia a Nazaré. Ali, os treinos em alcatrão tinham como destinos preferenciais Peniche, Cabo Carvoeiro ou Lourinhã e nessas saídas partilhava a estrada com os carros e também com as camionetas de passageiros, cujos motoristas, à força de me verem ali quase todos os dias, já me iam cumprimentando quando nos cruzávamos. Estavam a começar as corridas para mim e tinha 24/25 anos e tanta coisa mudou de então para cá.

Naquela manhã ali ia eu, uma vez mais a partilhar a estrada com as camionetas, mas com mais do dobro da idade e com objectivos bem diferentes daqueles que tinha na Consolação.

Segue-se na minha rota Ponte de Lousa


A manhã vai avançando e a espaços o sol, mesmo meio tapado, vai aquecendo um pouco.

Na Póvoa da Galega faço mais uma pausa, agora para o café e um bolo seco.

Nesta paragem envio notícias para o Centro de Controle e para os meus Filhos, que estão em apoio e me irão levar o almoço, o lanche e o equipamento para o regresso. Tenho agora na trouxa 0,50cl de água, 3 clementinas, 2 bananas, amendoins salgados e meio pacote de chipmix. A única coisa que irá resistir serão as bolachas, tudo o resto marchará.

Aqui, pouco depois do café da manhã, há mais uma dose da Toca da Raposa:
"Espero que o sol que faz aqui na toca, também te esteja a acompanhar desse lado. Toda a força do mundo e um abraço desde o Ribatejo! Embora Alex!"

Dá um ânimo do camandro, do catano e do carago, receber um sms destes quando estamos numa aventura como estive em 3 de Fevereiro!

Por volta das 10:30, são estes os cenários por onde passo.







Estou a cerca de 1 hora do meu destino. Quando há um trajecto relativamente longo para correr, sinto o corpo pesado e sem ritmo. São poucas pernas para tanto peso!! Arranquei para esta jornada com cerca de 88kgs, cerca de 5Kgs a mais e que explicam a sensação de peso.

As dúvidas que estas sensações colocam ocupam-me em demasia e tiram-me cabeça para o que eu queria mesmo. Os cenários aliviam um pouco e distraem.

Chego a Runa  às 12:30, com cerca de 7 horas de viagem.


Metade está feita!

Chego ao meu destino e os meus Filhos já lá estão. Coloco o fiel 'Silver' à carga e mudo de roupa. Depois segue-se o almoço:

Sandes de Presunto, cerveja preta e batata frita.

É agora tempo de fazer finalmente a visita.

Passada cerca de 1 hora sobre a chegada é altura para iniciar o retorno. Durante cerca de 15' ainda deu para carregar um pouco também o telemóvel e arranco.

Estou de regresso ...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Viagem - Cap. I

Na manhã seguinte o que sinto é a sensação do dever cumprido.

Não é uma sensação muito usual, dado ser uma pessoa preguiçosa, mas é por isso ainda mais gratificante.

Se há alguém a quem devo, não somente isso, mas muito mais que isso, é à minha Mãe.

Para trás fica muita coisa, até chegar às 05:30hrs de ontem (3FEV2014). Realce para as já habituais dúvidas, acerca da condição física e das probabilidades de cumprir esta, que se vai fazendo tradição de 3 anos, com algum prazer.

Confesso que ontem pensei demasiado em mim e no meu corpo e por isso tive menor disponibilidade para pensar naquilo que queria. Se o dia 3/2 não for dedicado (quase) na totalidade a pensamentos e recordações doutros tempos, então não vale a pena andar a percorrer 100 kms. Em vez disso vou para uma qualquer prova qualquer, estilo Portalegre e faço a mesma coisa. Será este talvez o único ponto negativo da minha viagem. A fraca preparação e as sensações dos 1ºs Kms levantaram muitas dúvidas acerca do desfecho da jornada e estes receios, ocuparam demasiado tempo da viagem.

Aconteceu até algo que nas 2 edições anteriores não tinha acontecido, que foi ter mais tempo e disponibilidade para os meus pensamentos na 2ª parte da viagem - regresso, do que na 1º parte - ida. Quererá isto significar que uma vez que me tenha apercebido que fisicamente iria conseguir terminar a jornada, a minha cabeça começou então a ter mais tempo para pensar noutros assuntos.

Ontem a ida foi mesmo mais complicada, porque o corpo simplesmente não tinha a rotina de kms. No regresso, com gestão de esforço, lá consegui aliviar os temores dum colapso e assim sobrar mais tempo para o que afinal ali fazia mais falta.

O dia em termos de clima esteve mais difícil que nos anos anteriores. Mais vento lateral, menos sol e alguma chuva, principalmente no final.

Saí às 05:30 e fiz mais ou menos um ritmo de 7Kms/Hora (*). Muitas paragens e tudo feito com a menor atenção possível ao 'Silver', entenda-se relógio.

A dieta manteve-se idêntica aos anos anteriores. Sem complicações, invenções ou inovações e com limites auto-impostos em questão de espaço, o supérfluo é obrigatoriamente descartado. Desde a UMA de 2012 que só de pensar em Géis e Barras fico enjoado. Desde aí aqueles artigos deixaram de constar na minha trouxa de eventos mais longos e dão lugar a artigos mais simples e principalmente mais baratos.

O Alex Jr. na véspera, esteve a brincar com o telemóvel. Embora eu me tenha lembrado desse facto, à noite a carga indicava estar completa, mas o que é certo é que, provavelmente por estar já algo viciada, com apenas 5horas de jornada e alguns sms, a bateria começou a queixar-se, vindo (a coitada) a desfalecer ainda antes da 1ª metade do caminho. Este imprevisto trouxe algumas complicações a nível de contactos com os meus apoios. A meio do percurso, meti à carga o 'Silver' e o Telemóvel, tendo essa carga, mesmo curta, aguentado com alguma contenção os equipamentos até ao final. No regresso vim com o telemóvel desligado e só o liguei a espaços, apenas para ir avisando da minha evolução.


Vai assim começar A Viagem!







(*) Ver dados estatísticos nos capítulos seguintes.