segunda-feira, 27 de outubro de 2014

AX Trail

ou


o Trail Puro e Duro!


 Ainda me doem as pernas.

Ainda tenho aquele andar esquisito.

Ainda tenho as memórias frescas.

Ainda não recebi um alerta do Raposa a chamar-me preguiçoso.



Está por isso na hora de passar para aqui algumas memórias da minha participação no AX Trail, ou Trail da Serra da Lousã, ou ainda, Trail Aldeias de Xisto.

O trail em que participei no passado sábado, dia 18 de Outubro, foi pela minha curta experiência neste tipo de eventos, a aventura mais difícil que concluí.

Fiz poucos é certo, afinal de contas descobri o trail apenas em 2010!

Barril, Almonda, Sesimbra, Almourol, Entroncamento e Portalegre, foram as minhas anteriores aventuras. A Lousã foi a que mais me custou fazer!

Sapateira, em Castanheira de Pêra é local onde tenho casa de familiares e por isso passei lá a noite e antes das 08:00hrs já tinha o dorsal em meu poder.




Entre o incontornável café da manhã e os derradeiros preparativos, passou-se cerca de 1hr. A organização informara que os participantes deveriam aceder à câmara de chamada (gosto disto ...) 30 mins antes da partida e por isso lá fui eu.

Quando cheguei à zona da partida, perto das 09:00hrs havia uma fila, ou melhor, uma molhada, com cerca de 30 metros, para levantar dorsais!

A partida marcada para as 09:30hrs foi adiada para as 09:50hrs, essencialmente (e com o meu mau feitio ...) porque, com mais de 30 anos de corridas populares, ainda há organizações que parecem complicar aquilo que outras já aprenderam há muito. Claro que o hábito imputado ao povo Português de deixar tudo para a última hora, serve sempre de desculpa, mas o certo é que o justo (ou pontual) continua sempre a ser o prejudicado, porque haverá sempre pecadores (ou atrasados), enquanto houver organizações incompetentes que o permitam.
  • - Levantamento de Dorsais (muito primitivo)
  • - Controle de partida (qual controle?)
  • + Percurso com altimetria no próprio dorsal (muito útil)
  • - Abastecimentos (muito pobres e em locais inadequados)
  • + Marcações (impecáveis)
  • - Saco final (nem água quanto mais saco)
Para fazer tempo (...) encontro o Pedro Marques de volta dos 'dopings', qual alquimista medieval e pouco depois o habitual lenço encarnado sobre a cabeça, que identifica o pára Joaquim Adelino.

Aqui e ali a chuva cai, miúda, mas a temperatura está excelente e quase não há vento.

Faltam cerca de 15 mins mas a organização mantém o acesso à câmara de entrada (continuo a gostar disto ...) fechado. Eles gostam mesmo de molhadas, de tal modo que é precisamente o que acontece quando a 10' da partida finalmente se começa a aceder à zona da partida, forma-se outra grande molhada!!

Eu continuo lá bem atrás, resguardado da chuva e aguardando.

O controle do acesso resume-se à activação do chip que nos vai marcar no pulso em todo o trajecto. Todo o restante material nomeado como obrigatório, é simplesmente ignorado. Pergunto para que serve nomear material obrigatório se depois não há o consequente controle. Vi pessoal a arrancar em manga cava e outros claro, como aqui o 'tanso', de corta-vento!

Mais vale dizer que é da responsabilidade dos participantes o que levam vestido e deixar a cada um essa responsabilidade. Deixem-se de mariquices!

Às 09:50hrs é finalmente dada a partida e lançamo-nos logo perante o 1º grande obstáculo: o Parque Eólico, a cerca de 900 mts. A maior parte do caminho é feito em fila e quando chego lá acima, debaixo de chuva, vento e nevoeiro, ouço as enormes pás a zumbir por cima de mim, embora não as veja! Vou acreditar que elas de facto estavam lá!

Começamos depois a descer, em direcção ao Ameal e Catarredor. Há descidas muito técnicas. Ainda aguento as primeiras escorregadelas, mas a 1ª sobre o 'back side' e a segunda sobre o joelho direito, lá vou duas vezes ao 'tapete'. Felizmente ambas sem consequências.



Boa vida.

Ouvem-se os numerosos cursos de água, com correntes fortes, cheios da águas da chuva que tem caído nos últimos dias. As vistas estão um pouco prejudicadas devido ao nevoeiro que cai sobre as serranias, mas aqui e ali dá para ver que estamos perante cenários de rara beleza.

Aos 13Kms finalmente o 1º abastecimento. Já me fazia falta. Está instalado numa casa de xisto. É engraçado mas pouco funcional. Há pouco espaço para o pessoal que se quer chegar às mesas. A oferta não sendo escassa, também não deslumbra. Concentro-me nas sandes de chouriço e na coca-cola.

Arranco pelas ruas forradas de pedra abaixo. Numa dessas pedras, que para além de molhada da chuva, está cheia de lama dos numerosos sapatos que a pisaram antes de mim, foi o 3º esbardalhanço. Sem espinhas. Todo juntinho, outra vez sobre o back side, felizmente! Esta foi mais dura que as anteriores, mas felizmente manteve as consequências nulas das outras e sigo viagem, para dar lugar a quem vem atrás de mim, que é o 'cliente' que se segue e cai, também ele juntinho na mesma pedra, um pouco menos juntinho que eu, porque sobrecarrega o cotovelo direito e transparece mais dor nesta queda, mas pronto, segue.


Vamos descendo e vamo-nos cruzando com caminheiros que sobem a encosta. A descida é para mim por demais técnica para ensaiar sequer qualquer tipo de corrida e sigo pelo seguro, a passo. Vou descontraído e bem disposto, a gozar o 'prato' que é usufruir dum espaço daqueles.

Chego à Srª da Piedade. Depois de uns Kms a descer é altura agora de subir, em direcção ao Trevim. Daqui até aos 30Kms é sempre Up, Up, Up!!

Uma levada com um débito impressionante faz as maravilhas durante mais de 1Km. Por mais que uma vez me dá vontade de me enfiar lá dentro, mas ...

A levada da N. Srª da Piedade.

Chego ao 2º posto de abastecimento, igual na oferta ao anterior. Há menos pessoal neste apenas porque sou eu que estou a ficar para trás, por isso com menos pessoal, não que a área seja significativamente maior. Alguém do UTAX pergunta se não há uma sopinha ... Se os abastecimentos do UTAX foram iguais aos do AXTrail, aquele pessoal passou alguma fominha ...

Começa agora o caminho para o Trevim. Uma looonnnga subida. Venho há uns Kms acompanhado com um galho que apanhei algures. Transformado em bastão, neste período serve-me várias vezes de sustento, para tentar recuperar o fôlego, tal é a dificuldade da subida. Antes, noutros locais, serviu-me de equílibrio, tal como nas levadas. Volto a andar perto do José, que por esta altura começa a debater-se com caimbras. Por um par de ocasiões empresto-lhe o meu bastão, que é coisa que não faço por muita gente ...

Há alturas em que olho para cima e duvido se consiga dar mais um passo!

Quando esforço mais um pouco a tosse volta. São resquícios da gripe do último fim de semana e que condiciona o meu esforço principalmente nesta altura, em que preciso de mais oxigénio.

De Trevim para Senhor das Neves.

Não deixa transparecer as dificuldades.

Os Fuji Trabuco revelaram-se bons aliados nesta que foi a estreia destes sapatos. Muito confortáveis e com boa aderência na generalidade dos pisos que encontrei. O que aconteceu lá atrás no xisto era inevitável, excepto para o Spider Man!!

Está nevoeiro lá em cima no Trevim. Venho há alguns Kms com um pedra no sapato e aproveito uns degraus para me sentar e tratar do assunto. O UTSM está ainda fresco e não quero repetir o que me aconteceu lá.

O José segue caminho enquanto trato dos pés, mas logo a seguir apanho-o. Está aflito com caimbras e não se consegue mexer. Gozo com ele quando me pede para lhe apanhar uma luva que havia deixado cair, apenas porque ele nem dobrar-se consegue.

Ficamos ali no alto um pouco. Eu sem saber bem o que lhe fazer para aliviar a dor e ele ainda pior que eu. Ele diz-me para ir à minha vida (...). É impossível deixá-lo ali, no meio do nada. Um par de Kms à frente haveria de comentar com ele, que ao longo de quase todo o percurso, inclusivé nestes pedaços mais complicados, nunca tínhamos passado fosse por quem fosse ligado à organização.

Senhor das Neves

Recomeçamos a marcha. Vencido o Trevim, vamos agora em direcção a mais um topo, que é no Senhor das Neves. Sinto-me bem e alargo um pouco o passo com vontade de acelerar. Não ando nem 500 mts, quando sinto um esticão seguido duma dor enorme no interior da coxa esquerda. Nunca tinha tido tamanhas dores e agora inverteram-se os papéis. É o José que espera e eu que agarrado à perna contenho o grito que haveria de ecoar por aquela serra. Estive cerca de 1 minuto de volta da perna, descontraindo o possível, de maneira a ajudar a que o músculo aliviasse. A coisa aliviou mas fiquei assustado. Durante algum tempo esforcei-me por dar passos mais curtos de modo a distender um pouco menos aquele conjunto muscular.

Chegámos sem mais novidades ao Senhor das Neves e em teoria o percurso passaria agora a ser mais fácil. O que de facto acontece, porque começamos um longo descida, só que se trata dum trilho 'single', muito técnico devido ao piso e à elevada concentração de pedras, sempre a propiciarem quedas ou entorses.

Vistas fenomenais!


Chegamos ao 3º e último posto de abastecimento, que por sorte é no exterior, perto dum café. Não hesito e corro para uma mini gelada. Só depois deste aperitivo me aproximo da mesa para meter desta vez essencialmente tostas com marmelada. Já tenho entretanto o José stressado a apertar para arrancarmos e tenho que abreviar o abastecimento. Chega entretanto o Joaquim Adelino que cumprimento satisfeito por o saber ali, já quase (...) no final. Arranco com o José. Temos pela frente 12 Kms essencialmente a descer.

O José lança-se em corrida e eu vou atrás, com pouca vontade de correr. Mas ele não desarma e gradualmente o ritmo vai regressando e torna-se mais fácil correr. Estou já em terrenos conhecidos,  dos treinos que por aqui faço, quando tenho a sorte de passar aqui alguns dias. Já com o tal ritmo e sem que me aperceba, distancio-me gradualmente do José. Vou olhando para trás e acredito que ele andará ali perto, atrás de mim.

O José a puxar por mim.

Chego ao Poço do Corga e tenho a Família à espera. O pequeno Alex corre para mim e esqueço completamente o cansaço. É um bálsamo ver aquela pequena grande força da natureza, cheio de alegria de me ver ali numa "corrida", como ele realça. Entretanto o Joaquim passa por mim. Vai lançado! Estou um bocadinho ali com eles e retomo o caminho.



Ganhar alento ...

Participativo o Alex indica-me o caminho correcto e molho novamente os pés na levada junto ao Corga.

Fresquinha ...

A Tara ainda me acompanha durante uns metros ...

Vou sózinho já há alguns Kms e passo alguns participantes. Chego-me ao Joaquim que está com uma destas forças ... Debate-se igualmente com caimbras. Pede-me para lhe tirar uma embalagem de magnésio da mochila. Tenho alguma dificuldade em ajudá-lo porque o homem nem para aquilo quer parar!!

Eu sinto-me bem e estou animado agora que faltam apenas 3 ou 4 Kms para a meta.

Começo a estranhar a demora do José. Com a paragem que fiz no Corga supostamente deveria apanhar-me, o que de facto não aconteceu. Olho várias vezes para trás e nunca mais o vejo. Volto a andar a passo e vou assim durante uns minutos na esperança de o ver, mas nada do José.

Um a um vários dos participantes que eu passara lá um pouco para trás, passam por mim, mas nada do José. Começo a pensar nas caimbras e volto para trás. Com a referência do lenço, vou perguntando se alguém passou por ele, até que encontro um participante que me diz tê-lo ajudado a algumas dezenas de metros atrás, a sair duma zona de lama. Continuei a andar para trás, até que finalmente vejo o José a andar. A partir dali vamos de novo junto até à meta. Ele já não consegue correr e mesmo andar se torna por vezes complicado. Tenho magnésio na mochila e ele toma uma carteira. Provavelmente foi muito tarde porque até ao final não se registaram quaisquer melhoras.

São praticamente 19 horas e começa a ver-se mal. Antes do final há ainda à nossa frente um curso de água para atravessar. Tem cerca de 10 metros de largura e na parte mais funda cerca de
50 cms. Cheio de calhaus no fundo, provoca a queda dum participante que atravessa à nossa frente.

Eu vou à frente com o pau/bastão a detectar os obstáculos à frente e o José vem apoiado, com as mãos nos meus ombros. Calmamente atravessamos aquilo e do outro lado da margem há familiares dele que o esperam, para o apoiar naqueles metros finais.

O ânimo dele aumenta mas está claramente aflito e com dores. Mais alguns metros à frente e estamos a cerca de 100 mts da meta. Tenho novamente o Alex Jr. à minha espera.

Digo para o José: " ... quando quiseres ...", convidando-o ao sprint final para a foto.

A cerca de 30 metros retomamos o passo de corrida, para cortar a meta.

Alguma fotos e está terminado.

Distraído com a alegria de terminar e o querer falar com o Alex Jr. saio do local por baixo das fitas que o demarcam. Uma menina da organização faz-me sinal e eu penso que me terei esquecido do saco final. Volto atrás.

Dirijo-me a uma mesa e oferecem-me um boné de finisher. Agradeço e fico na expectativa do que virá a seguir. Eles ficam igualmente a olhar para mim e apercebo-me que o saco final era aquilo mesmo: um boné!

Pergunto se não há pelo menos uma garrafa de água. Indicam-me os balneários ...

Àparte este àparte, a aventura está terminada, estou aparentemente bem fisicamente, tenho ali a minha Família e estou a 10' dum banho, de água fria!!

Venha a próxima.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Enfermeira Tatiana

A Enfermeira Tatiana estava enganada!

Se há classe profissional da qual eu tenho o maior respeito e consideração, é a classe dos Enfermeiros. Para além de ter sido a profissão da minha Mãe, acho que é uma profissão das que mais ligação tem com as pessoas, quando elas mais precisam e isso toca-me muito especialmente.

Mas ...

Estava enganada a senhora enfermeira Tatiana!

Ao telefone, na manhã do passado sábado, dia 11 de Outubro, ouviu em silêncio o rol de queixas que eu lhe fazia.

"... dói aqui, pesa ali, escorre por acolá, etc, etc ..."

Depois vieram as perguntas tipo 'chapa'. Respondi a todas sem quaisquer hesitações ou dúvidas.

Mas aquela última era uma armadilha em que caí desprevenido!

" ... fez alguma intervenção nos últimos dias que de algum modo que pudesse diminuir-lhe as defesas, estilo pequena cirurgia ...?? "

" Não " respondi de pronto!

A Enfermeira pede 2 minutos para consultar os conselhos farmacêuticos que se adaptavam ao meu caso e enquanto fiquei em espera confidenciei com a Dora " bem eu sempre fiz uma maratona aqui há uns dias ... "! Meio envergonhado de estar sequer a colocar uma dúvida, acerca de um evento passado há cerca de 5 dias e da hipótese de esse evento estar de alguma forma relacionado com o mal que me afectava há algumas horas.

Mas mesmo envergonhado, mas protegido pela confidencialidade da linha telefónica, relatei-o à Enfermeira Tatiana, assim que esta voltou à linha.

A técnica afastou de pronto qualquer hipótese de uma coisa ser consequência da outra! " Não! Isso já passou há 5 dias e não pode haver relação!!" afirmou peremptoriamente!

Mas havia de facto relação entre a Maratona que terminara no dia 5, perto das 12:30 e o processo degenerativo que se verificara explicitamente no meu corpo nas última horas do dia 9, com sintomas mais evidentes a partir das primeiras horas de dia 10!

Assim que a chamada terminou fui para o meu santo Google e pude comprová-lo, pela quantidade avassaladora de artigos que encontrei relacionando a Maratona com o sistema imunitário e os efeitos devastadores duma sobre o outro, por vezes até 15 dias após a realização da Maratona!

Claro que aceitei os conselhos da Enfermeira Tatiana, aliás ainda estou hoje a seguir o tratamento prescrito, mas fiquei convicto que ela está pouco informada quanto a este assunto em particular.

Retiro (espero eu) deste episódio mais um ensinamento que tem a ver com o PDI e o efeito que tem a Maratona sobre o meu corpo.

Espero que me lembre disto daqui a cerca de 1 ano, se tiver a sorte de vos vir aqui relatar a minha maratona de 2015 e começar, assim que cortar a meta no Parque das Nações, com cuidados especiais de reposição do meu sistema imunitário.

Os meus agradecimentos à Enfermeira Tatiana e ao serviço 'Saúde 24' que me poupou uma ida desnecessária a um médico e contribuiu para que rapidamente iniciasse o tratamento.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Maratona 2014

Não há volta a dar. Os tempos das maratonas não estão fáceis para um 'cota' entrado, algo preguiçoso e extremamente guloso como eu.

Desde os meus 53 que o senti de forma mais acentuada, o decrescer da 'pica' quando toca a ir correr. Felizmente que depois o gozo que retiro do treino mantém-se, mas para ir custa-me mais.

Será a ternura dos 50?

Nos dias que antecederam a partida, pensei muito sobre qual seria o meu objectivo para aquela que em termos competitivos continua a ser a prova de estrada mais importante da minha época.

Sublinhei para deixar claro que estou a falar em termos competitivos e em provas de estrada.

A minha época tem normalmente 3 eventos em estrada (Nazaré, Runa e Maratona), sendo que a Maratona é o único dos 3 eventos que encaro como uma competição.

Em 2012, na última versão da Maratona de Lisboa, fizera uns excelentes 03:30, igualando o tempo que havia feito na Maratona de 1990, com 30 aninhos portanto. Em 2013, na 1ª versão da Maratona da Costa do Estoril, subi para os 03:38 e portanto este ano tinha de decidir se ia lançar-me outra vez atrás da ilusão dos 5'/Km, ou se iria baixar um pouco a fasquia.

Confesso que com o meu feitio não foi fácil decidir-me (ou aceitar a realidade), embora da parte física todos os sinais apontassem para a 2ª hipótese, a pôrra da cabeça ainda vai tendo veleidades doutros tempos, há muito idos e que não voltam mais.

Mas se foi difícil antes da prova começar decidir-me, foi muito fácil fazê-lo pouco tempo depois dela começar. Foram precisos apenas 6 Kms, já em pleno esforço e já com o aquecimento feito, para cair na realidade e descer à terra. Senti perfeitamente que continuando no ritmo de 5' a coisa iria dar o estouro e logo ali passei sem hesitar a 'Safe Mode', para a partir dali começar então a minha Maratona de 2014.

Até aos 6Kms ouvi o corpo queixar-se da festa de anos da véspera, onde claro comi coisas pouco aconselháveis a um concorrente a uma maratona e pior que isso, bebi bastantes (...) líquidos, o que até nem seria muito negativo, não fora esse líquido conter álcool (!!!). A seguir o corpo queixou-se da noite curta. Mais para a frente, lá para os 30Kms, o corpo voltaria a cobrar dos treinos longos que não fiz e claro, sublevar-se obrigando-me a nova adaptação no ritmo.

O meu registo de treinos indica muito claramente que entre o início da preparação para esta Maratona, em 10 de Agosto e o dia 4 de Outubro, fiz 25 sessões de corrida, sendo que em apenas 4 dessas sessões fiz treinos acima dos 20Kms. A sessão mais longa foi de 25,5Kms, em 31 de Agosto(!!!).

Com uma preparação destas digamos que pensar sequer fazer 5'/Km durante 42Kms é lirismo puro.

Fica assim traçada a história da minha maratona de 2014. Na expectativa até aos 6Kms, a gozar o momento até os 30Kms, a esforçar até aos 37Kms e finalmente a sofrer até aos 42Kms!

O que fiz dos 37Kms para a frente, foi puramente acreditar que conseguia. Olhei muito para o chão. Parei em 3 ocasiões e nesses 3 momentos foi a cabeça que me fez retomar a corrida, porque o corpo já não estava lá.

É incontornável: não há milagres, principalmente quando se corre uma maratona!

Basicamente faltaram as pernas. Faltaram os treinos longos.

Poderia arranjar desculpas com a alteração da data de realização da Maratona, mas tenho a sensação que se o calendário se mantivesse, chegaria a Dezembro com as mesmas dificuldades em ter uma preparação capaz.

Por isso dou-me por satisfeito em ter chegado ao fim, 48horas depois de ter terminado aparentemente não há lesões e somar mais uma maratona ao meu currúculo.

Agora importa descansar um pouco porque daqui a 3 semanas tenho mais uma aventura, na Lousã, com a participação no AX Trail.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Em pausa! A corrida segue dentro de momentos!!

O facto de ter perdido aquele  &%#@»§  daquele ferry no domingo estragou-me o final da época, mas desgraça à parte ela está acabada e é agora tempo  de fazer uma pausa, curta, para logo de seguida voltar e iniciar uma outra época, mais uma felizmente diga-se!!

A UMA tem terminado as minhas últimas épocas e a Nazaré reinicia-as. Com a alteração do calendário da maratona, chamada de 'Lisboa', introduzida no ano passado, as coisas modificaram-se um pouco, mas apenas quanto ao reinício e não quanto à conclusão.

Agora é tempo de férias, da corrida e durante 1 ou 2 semanas vou descansar conforme estava já pensado. Depois na nova época é começar de modo a conseguir 8/9 semanas de preparação para o 5 de Outubro.

As sessões de piscina irão manter-se até eles fecharem a coisa, para manutenção, na 2ª quinzena de Agosto. Tenho por isso mais 3 semanas de sessões boas por lá.

A época 2014/2015 já está a ser pensada e irá provavelmente começar assim:

  • Maratona da 'Costa do Estoril', aka de 'Lisboa', 5 de Outubro
  • AXTrail, 19 de Outubro
  • Meia Maratona Internacional da Nazaré, 9 de Novembro
  • ...


Aqui já uma estreia, com um evento na Lousã, nas Aldeias de Xisto, num local que conheço mal mas de que gosto muito.

Depois logo se vê, mas para já estou de Férias!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

UMA 2014

Nunca me tinha acontecido, mas é mesmo assim, fica mais uma (amarga) experiência e uma dura lição para o futuro.

Saí de casa às 05:15, tentei ... tentei mas não consegui. Cheguei tarde demais a Setúbal! Experimentei um misto de revolta e impotência.

E assim, possivelmente por 5 minutos ficaram por terra 12 semanas de esforço e sonhos sempre sonhados, para mais uma jornada da UMA, que se iria juntar às anteriores 4.

Passados alguns minutos de baralhação e outros tantos na tentativa de recuperar alguma sanidade mental que ainda conseguisse naquela manhã, tomei o rumo da Caparica e fiz a 'minha' UMA, igualmente na costa atlântica, se bem que um pouco mais a norte que a outra.

http://connect.garmin.com/activity/551570798




sexta-feira, 25 de julho de 2014

UTSM 2014 - De volta ao estádio

O ataque ao PAC7 é muito complicado. O ano passado com a sopa no estômago e o calor nas costas foi dos que mais me custou fazer. Este ano, apesar do calor tenho o café e a coisa até se faz. A calçada romana massacra os pés e o calor desgasta. Começa a importante gestão do esforço. Aproveito todos os cursos de água que encontro para meter os pés de molho. Pode ser asneira (ouvi dizer que coze a pele ...) mas aqueles breves instantes com os pés enfiados na água revitalizam.

Aproveito também para molhar o lenço e enfiá-lo encharcado de volta na cabeça. Durante alguns minutos fico com a cabeça mais fresca. Chego a Castelo de Vide.


O ano passado a alguns metros do PAC havia um ponto de distribuição de minis, mas este ano já não há mimos, por isso se quero mini tenho que a arranjar e é o que faço. Num dos extremos da praça há um café onde bebo uma geladinha. Neste PAC só meto líquidos, opção de que me irei arrepender mais tarde.

Arranco restabelecido e maravilhado com a geladinha em direcção ao PAC8. Está agora mais calor e a calçada romana ainda não acabou!!

É algures por aqui que enfrento a luz da reserva do 'combustível' a acender perigosamente, numa série de subidas, mais uma. Tinha passado dois pequenos grupos de participantes, quando aconteceu e sinto o combustível a faltar. Estou a cerca de 5 Kms do PAC e por isso tenho de me desenrascar já.

Escolho uma sombra, sento-me calmamente e recorro de imediato à minha reserva. 1 dúzia de tâmaras!

Calmamente, uma a uma, marcham. Depois de alguma água o 'depósito' está de novo atestado e posso seguir viagem. Tive sorte na escolha, porque aquelas pequenas resolveram a questão, ainda antes de assumir ser um problema.

Passado algum tempo chego ao PAC8. O susto serviu de exemplo e até ao final farei um esforço por meter sempre algo sólido nos abastecimentos, mesmo que tal começasse nessa altura a fazer-se com resistência, uma vez que o estômago estava cada vez mais queixoso.

À saída deste PAC cruzo-me de novo com a Célia e será aqui a última vez que nos cruzamos. A próxima será na meta, já depois do banho e quando estiver já em descanso.

Entre o PAC8 e o PAC9 houve alterações ao percurso em relação a 2013. Ficou mais técnico e por isso mais lento. O incentivo aumenta com a memória das Pizzas no PAC9.

O estômago continua a queixar-se. Por esta altura começa a ser complicado ter água sem ser quente. Passado pouco tempo dos abastecimentos aquece e já não sabe bem. Felizmente a organização coloca uma distribuição suplementar entre PAC. Suspeito que é água não tratada, mas não tenho alternativa e bebo o que consigo. Passo por outro café e claro, mais uma mini gelada!

Por esta altura começo a sentir o calcanhar direito. Vem desde há alguns Kms em cima duma pequena pedra. Era tão pequena a pedra, que andei tempo demais à espera que com o movimento do pé se deslocasse dentro do sapato, para local onde não incomodasse. Mas não, a pedra não se mexeu e eu andei tempo demais com a pedra no sapato e quando finalmente me dispus a tratar do assunto, já tinha sido escalado para a categoria de problema e depois de parar, durante 1 mísero minuto e retirar aquela pedra tão pequenina do sapato, o mal estava feito e o calcanhar saíra debilitado de tanto pisar a pequena pedra e agora custava-me pousar o pé correctamente.

De resto a pizza soube-me muito melhor em 2013!!

Quando chego ao PAC, recordo 2013 em que, debaixo duma chuvinha certinha, nos enfiámos, eu e o António debaixo da ombreira da porta, onde estavam as mesas com as deliciosas fatias de pizza e foi um fartote de comer acompanhadas pela batata frita e a coca-cola!!

Este ano a esplanada estava até com muito bom aspecto. Cadeiras, mesas e até uns chapéus de sol. Lá à frente as fatias apetitosas aguardavam. Só que o apetite ...

Alguns metros atrás deste PAC, um companheiro vomitara um pouco á minha frente. Apercebo-me que há pessoal com problemas gástricos. Recordo as placas "Água não tratada" nos vários pontos de água por onde passáramos.

Faço um esforço por comer duas fatias, acompanhadas pela incontornável coca-cola. Acho que a coca-cola é a única coisa que meto no estômago e que me sabe bem.

Sigo viagem.

Vou em direcção ao PAC10 e agora pouca coisa me fará desviar de tal objectivo.


São poucos os Kms entre o PAC9 e o 10. Tempo de poupar alguma energia. Colocados para 2º ou 3º plano estão já quaisquer questões relacionadas com tempos finais, ou sequer ideias de tentar igualar ou mesmo superar as 18 horas de 2013. O único objectivo é chegar!

Faço a maioria deste percurso em marcha. Os trajectos a correr são muito poucos. O pé dói e o estômago está pior. Não vejo ninguém a correr e os (poucos) que passo vão ainda em pior estado que eu.

Depois duma grande descida chego ao PAC10 e peço de imediato uma mini. Em 2013 assim que chegámos aqui, fomos brindados cada um com a sua mini, mas este ano ...


" ... já não há amigo !!..." Oh que decepção!! Mas choro e diz-se que quem não chora não mama. Digo que o ano passado e tal ... Um dos membros do PAC, por sinal um participante da Ultra que desistira nessa madrugada, apiedou-se de mim e lá foi algures, buscar-me uma preciosa! Fiquei-lhe eternamente grato e deixei logo ali, reserva feita para 2015.

Estou agora motivado para a última parte. São cerca de 6 Kms, que vão parecer muitos mais. Desço a longa escadaria a alta velocidade e vou a correr praticamente todo o percurso até ao estádio e à meta. A proximidade do final e os cerca de 5 Kms anteriores feitos a passo restabeleceram algumas forças e estou de novo a correr procurando esquecer as dores no calcanhar. Neste trajecto até ao estádio irei passar muita gente, no mínimo terão sido 20, todos eles a passo. Eu consigo andar mesmo só nas subidas e o estádio nunca mais chega. Finalmente a marca dos últimos 200 metros e entro no estádio. Faço a meia pista a correr e corto a meta. Está feito!

A última barreira.

Ainda se vê a poeira levantada pela velocidade de passagem!!

Recebo a tão desejada medalha de cortiça, que premeia os "finishers" e descanso por ali uns minutos.


Um rápido check up assinala como ponto mais negativo o calcanhar. De resto sinto-me obviamente cansado mas muito bem. Vou para o banho.

Depois do banho retemperador, regresso à pista, onde encontro uma cadeira na qual me sento. Estamos todos com um novo andar, com aquele andar!!

Um a um mais participantes vão entrando no estádio. Passados alguns minutos a sempre sorridente Célia, escoltada por um grupo de 4 elementos. Fico ali uns minutos e depois chego-me a umas mesas com comida, para ver se consigo comer qualquer coisa. Bebo coca-cola e como 2 ou 3 batatas fritas. É a única coisa que consigo meter no estômago.

Encontro o José Magro, também ele desistente no Marvão por causa do estômago. À saída passo pelo restaurante e não resisto a + 1 imperial, para o caminho.

São 20 horas e vou arrancar. Tenho ainda o caminho para casa para fazer, mas por aqui, em Portalegre, já fiz o que tinha a fazer.

Tempo: 18:31:59
Classificação: 221º

UTSM 2014 - Até ao Marvão

Fui uma vez mais apreensivo na passada sexta-feira, dia 16 de Maio, a caminho de Portalegre.

Aqui há uns meses hesitei muito se devia ou não repetir a minha participação de 2013 e embarcar em novo desafio das gentes do ACP. A 1ª experiência foi excelente. Óptimo local, óptima organização e claro, óptima companhia do António Almeida fizeram do UTSM de 2013 uma experiência difícil de esquecer.

Agora, em 2014 ainda deixei passar a 1ª fase das inscrições. Esgotaram-se as 500 vagas colocadas pela organização. Mas na 2ª fase, aberta para mais 200 inscrições, já não resisti e acabei por me inscrever.

Portalegre aparece naturalmente 3 meses após RUNA. É tempo suficiente, mas depois acaba sempre por acontecer uma ou várias coisas que nos limitam a fazermos aquilo que consideraríamos necessário, para que levássemos mais ânimo e mais confiança, quando nos aproximamos duma aventura destas dimensões.

Ganhei alguma defesas nos dias que antecederam o dia 17, com algum exagero colocado na divulgação das alterações ao percurso e nas acrescidas dificuldades com que os concorrentes deveriam contar nesta edição de 2014.

Alguém inclusive comentava no FB, que transparecia algum prazer mórbido em ver crescer as estatísticas de desistências, já de si substanciais (23%), registadas na edição de 2013.

Mas lá fui, numa viagem longa e algo maçadora, que terminou mesmo junto às 22:00, em Portalegre - Assentos.

Gostei: do estacionamento, bem melhor que em 2013.

A seguinte tarefa seria levantar o dorsal e lá fui eu. Aqui a 1ª desilusão, a menina da organização vira-se para mim e pergunta-me:   "...a t-shirt pode ser tamanho 'L'??..." (!!!), eu fico um pouco apanhado de surpresa e respondo simplesmente "Não!!". A menina vai falar com uma colega (mais desenrascada) que muito naturalmente me informa "... as camisolas XL acabaram!! " ao que respondo, "...mas na inscrição assinalei o tamanho XL!... "  Pois ... Pois ???

Não gostei: sei que é um pouco mesquinho. A t-shirt de 2013 nunca sequer a usei, mas a t-shirt é, em conjunto com a medalha de cortiça, o único troféu que a grande maioria dos participantes traz de Portalegre. Se colocam no acto de inscrição a questão sobre o tamanho da t-shirt pretendida, qual a justificação para depois não haver para dar ao concorrente. Ainda por cima a pôrra da t-shirt até é engraçada!
Fiquei pior que estragado, mas siga!!

Respirei fundo, muito fundo e voltei para o carro. Tinha cerca de 1:00 hora pela frente para ultimar os preparativos.

Pouco depois das 23:00 hrs, dirijo-me de novo ao estádio, para depositar o saco para ser enviado para o Marvão (Km 60) e fazer o check-in.

Gostei: da simplicidade e eficiência destas 2 operações.

Já no ano passado esta fase tinha sido simples. A verificação não sendo exaustiva ou maçadora, parece ser eficaz e suficiente.

Às 23:35 hrs estou no estádio, na zona da partida. Troco umas palavras com o Joaquim Adelino, que me aconselha a arranjar compª porque "  faz muita falta principalmente na 2ª parte  ". E como ele tinha razão!!

Junta-se o Luís Miguel e até dá para a foto.


Sinceramente a animação que a organização arranjou este ano, não aqueceu nem arrefeceu. Provavelmente a maioria gostou assim, mas para mim uns momentos de calma e algum silêncio teriam caído melhor mas ... gostos são gostos e ... siga!!

Dá-se a partida às 00:00 hrs e cerca de 500 almas lançam-se no escuro, Portalegre fora, para percorrer uma aventura de 1 dia inteiro, ou quase!



A 1ª parte do percurso teve bastantes alterações, tal como a organização vinha avisando. No geral o trajecto tornou-se mais difícil, mais técnico e sentiu-se essa alteração, principalmente entre o PAC2 e PAC3, e o mesmo lá mais para a frente, entre os PAC7 e PAC8.

Não gostei: neste 1º trecho do percurso e com as alterações ao percurso introduzidas, de algumas passagens por herdades, que por serem particulares se encontravam vedadas, havendo por isso necessidade de transpor as vedações. Numa dessas, a vedação era arame farpado. Eu passei com alguma dificuldade e tenho 1,87mts. Calculo o que por exemplo a Célia Azenha ou a Analice Silva, terão passado para transporem aquela vedação.


Este ano as temperaturas iriam andar entre os 13º e 28º de máxima. A noite esteve amena, mas mesmo assim levei uma camisola mais forte para a 1ª parte da prova e não me arrependi.

PAC 1 praticamente não paro. Bebo água e abasteço o bidon.

PAC 2 felizmente desta vez não nos fazem subir ao coreto.


Esta parte inicial é feita com muita gente e algumas filas, onde há ainda força e disposição para a brincadeira. Vou calado e à espera que o silêncio venha para me poder concentrar. Mas não espero muito porque logo após o PAC 2 faz-se silêncio e todos poupam oxigénio para a subida às antenas.

A partir daqui, nas subidas mais complicadas, adopto a táctica de fixar os calcanhares de quem vai à minha frente e só os levantar quando esse companheiro reinicia a corrida. Olhar para o topo duma subida pode ser desgastante e desmotivante e assim poupo-me. A subida é este ano por outra vertente e parece ser bem mais difícil do que em 2013, ou sou eu que a subo com mais custo.

Passo pelo José Bordalo a quem cumprimento e só depois vejo, um pouco mais à frente, o Bernardo a quem cumprimento. Brinco com a nossa 'questão' acerca da chuva versus calor. Ele queria o calor e não queria a chuva. Eu pelo contrário, preferia a chuva sobre o calor que se adivinhava para esta edição. Ganhou ele...

Chego ao PAC3 e sinto que atingi o 1º degrau desta longa jornada.

PAC 3 faço um abastecimento rápido. Tal como no ano passado a escolha recai no chá e nos queques. Mudo de frontal porque as 5 horas gastas até ali enfraqueceram o Black Diamond. Há grande confusão neste PAC. À minha frente 2 sujeitos bem novos, meios perdidos. Um deles desabafa para o outro " ... oh pah, nunca mais me meto noutra ..."! O miúdo está visivelmente esgotado. Surpreendido com a realidade! Sigo viagem.

Apenas um par de Kms à frente cruzo-me com um participante, que vai em sentido contrário (???). "Esqueceu-se de alguma coisa" penso para mim. Passados mais 1 ou 2 Kms vejo um grupo. Quando me aproximo percebo que está alguém no chão. Espreito e há alguém deitado e completamente enrolado em várias mantas térmicas! Pergunto se é preciso alguma coisa e nem me ouvem. Estão ali à vontade 6 ou mais concorrentes e por isso sigo caminho.

Houve muito pessoal que se esqueceu que o PAC2 e principalmente o PAC3, este último a mais de 1.000 mts de altura, teriam de ser percorridos de madrugada e uma t-shirt é pouco para aguentar o vento, o frio e ainda por cima o facto de chegarmos lá acima transpirados, devido ao esforço da subida.

Para mim, é a altura em que gosto mais de correr o UTSM, no raiar do dia, entre as 06:00 e as 08:00. A única coisa que se ouve e bem é o chilrear dos pássaros. A temperatura está fresca e começam-se a distinguir as formas e o relevo à nossa volta. Excelente.

O dia nasce e há grande algazarra à minha volta. Os bichos devem estar a reclamar do inusitado movimento por ali.


Um dos (poucos) pontos onde poderia tentar cortar tempo seria nos PAC. Se conseguisse poupar que fosse 5' em cada um deles, daria cerca de 50' no final, o que é muito tempo. Por isso e sem colocar em questão a necessidade absoluta de abastecer e hidratar em condições, tentei sempre gastar o mínimo de tempo possível.

No 1º PAC apenas líquidos. No 2º PAC líquidos mais alguns salgados. No 3º PAC chá + queques. A receita era a que em 2013 seguira, com tão bons resultados. Nada de inovações, apenas o que normalmente estou habituado a meter em treinos/provas + longas.

Até ao PAC 2 ainda vou muitas vezes com o Joaquim Adelino, mas a confusão é grande e nem me apercebo quando deixámos de ter contacto.

Não gostei: de alguma confusão em alguns PAC. Eu sei que passámos de 350 em 2013, para quase 600 em 2014 e isso reflectiu-se e de que maneira nos PAC, onde o espaço reduzido de alguns e a natural acumulação de pessoal, tornaram complicado que se conseguisse chegar às mesas, para se retirar qualquer alimento.

Chego ao PAC 4 - S. Julião. Do chouriço não há notícia, nem se cheira, mas há café bem quente que empurra mais 2 queques. Água e segue caminho, agora para subir.

Segue-se um dos Main Events de 2013: o PAC 5 e a Bifana.

No PAC5 - Porto da Espada tive a vingança de 2013, em que o António Almeida não me deixou parar para apreciar a bifana que ali é dada aos participantes. Este ano pude apreciar calmamente uma bifana acompanhada de uma ... coca-cola!! Mas já lá vamos à bifana.

Como aconteceu em 2013 navego muito tempo à vista da Célia Azenha. Em 2013 eu e o António andámos frequentemente perto dela. Ela anda mais devagar, mas nos abastecimentos é uma seta e adianta-se. Aqui volto a apanhá-la, perto do PAC5. Falamos um pouco. Parece-me algo cansada, o que se me afigura anormal para uma atleta com a rodagem dela. Mas se pensarmos um bocadinho apenas na frequência em que participa em provas deste género, estilo fim de semana sim, fim de semana sim, poderá estar aí algum fundamento para as dificuldades que parece estar a atravessar quando andamos um pouco lado a lado. A MIUT foi a sua última participação e convenhamos que é brutal o espaço de tempo que separa aquela desta prova.

Finalmente chego ao PAC!

Em 2013, com 2 ou 3 participantes apenas neste PAC, assim que me foi dada a bifana só tive tempo de encher a caneca com a coca-cola, porque logo de seguida o António chama-me e diz-me para irmos embora!! E lá vou eu, trilho acima, com os bofes de fora a enfiar a bifana, a molhá-la com coca-cola e a tentar respirar no meio de tanta azáfama!!

Ficou-me atravessada a bifana, mas este ano não. Estive digamos que 1 ano à espera deste momento e tinha que o gozar.

Desta vez havia muita gente no PAC. Os colaboradores inexcedíveis, despachavam bifanas à profissional, esperei pela minha vez e quando fui premiado com a minha bifana preparei-me para o banquete. Peguei numa garrafa de coca-cola e enchi a caneca. Peguei nas coisas, recuei para umas mesas que estavam um pouco afastadas e sentei-me, por sorte junto a um prato de batata frita. Estava composta a mesa e deleitei-me com o prazer daquela bifana.

Neste PAC e neste episódio da bifana, passou-se uma situação que partilho convosco:
Imaginem aqui o V/amigo junto a uma mesa à espera e a babar-se por uma bifana.
Imaginem mais cerca de 10 ou 12 marmanjos precisamente na mesma situação, à espera e esfomeados.
Quando chega finalmente a minha vez e me colocam à frente o prato de plástico com a deliciosa bifana, os meus olhos reviram-se de prazer e gula. Reviram-se ainda para a garrafa de coca-cola, que à falta de melhor acompanhamento teria de empurrar aquela bifana pela goela abaixo. Pois nos cerca de 5 segundos que demorei a apanhar a dita garrafa de coca-cola e encher a minha caneca, vi um esfomeado a ... , imaginem vocês, pegar na minha BIFANA!?!?! Olhei para ele, raios de fogo saíram das órbitas, ele era espanhol mas não burro e perguntou-me qualquer coisa do género " ... é tua ..." DAHHH!! Claro que é minha!! Ele envergonhado pousou a bifana calmamente de volta no prato e riu-se visivelmente arrependido.

Foi engraçado este episódio!!

Quando cheguei ao final da minha refeição, calmamente peguei nas coisas, deitei o lixo no lixo e ainda calmamente regressei ao meu caminho, a pensar no António e a dizer-lhe daqui "...esta é para ti António Almeida!!..."

Gostei: continuaram inexcedíveis os colaboradores nos PAC. Tudo fazem para ajudar os participantes e conseguem-no. Às vezes calculo o que não aguentarão de pessoal que chega cansado e às vezes sem qualquer paciência ou discernimento para qualquer contratempo, por mínimo que seja.

Foi em 2014 o ponto que considero mais forte na organização, o pessoal dos PAC. Para todos eles o meu Obrigado!

A propósito do discernimento (ou da falta dele) com que estes colaboradores têm de se confrontar, imaginem aqui o Alex, no PAC2, a chegar-se ao bidon do chá, a pegar na minha caneca e quase a enfiá-la no líquido (felizmente) vira-se para a senhora que ali estava e pergunta-lhe "...posso? ...". Polidamente a senhora corrige e responde, " ... não! Aqui só eu é que posso tirar o chá!!" Apercebi-me aí do que estivera prestes a fazer e a enfiar a minha caneca, no chá que seria bebido por muita gente!! Pedi desculpa e segui ...

Feito mais um check-up sumário, dá para perceber que as pernas continuam bem.

Do PAC 5 vê-se o PAC 6, o imponente Castelo, ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Com o masoquismo que caracteriza uma vez mais o desenho do percurso feito pela organização, as voltas e voltinhas que me levarão a passar aquela porta, lá no alto, ainda me farão andar cerca de 10Kms!

 

Seguem-se alguns Kms em descida, em que aproveito para correr porque sei que logo a seguir seguem-se muitas subidas. Lá em baixo, mesmo antes de começar a tal sucessão de subidas, irei apanhar uma vez mais a Célia, irei encontrar mais um curso de água retemperador, onde gozo mais um banho maria durante um par de minutos e depois sim, começa o 'calvário' do ataque ao Castelo de Marvão.


Seguem-se sucessivas séries de subidas, numa altura em que o sol começa a aquecer. É complicado por não ser uma subida, mas uma sucessão delas e também porque, sempre à vista do castelo e depois de muito subir, contornamos o morro e descemos, para logo de seguida voltarmos a subir ainda mais.

Tal como em 2013, é uma fase da prova absolutamente masoquista, percorrer trajectos que circundam o tão desejado Castelo, sem nunca chegar de facto a alcançá-lo, até que já perto do desespero se transpõe finalmente aquela porta.

Em 2013, assim que passámos a porta, eu e o António fizemos em passo de corrida a ligação ao PAC. Este ano, fiz todo aquele percurso a passo ...

Depois de transposta, abre-se ao concorrente o PAC6 em todo o esplendor da oferta, que no caso e excluindo tudo o resto, se resume a uma sopa, muito provavelmente a sopa que melhor me soube em todo o ano de 2013!

Mas não foi assim em 2014!!

Fruto do aumento de concorrentes o espaço no PAC foi reduzido a uma meia dúzia de cadeiras, ao sol, onde temos de comer a deliciosa sopa e atrapalhar-mo-nos com a forma de conciliar com o incontornável pão. Sem o apoio da mesa disponibilizada em 2013, torna-se uma tarefa complicada e o concorrente que come a sopa ao meu lado, acaba mesmo por entornar a tigela por cima das pernas e sapatos. É de facto pouco e fraco espaço para um momento tão desejado.

Não gostei: por isto da organização deste PAC. Nada a ver com o conteúdo da mesa, mas sim com a forma como a organização entendeu disponibilizar o mesmo.

Subo para a muda de roupa e também e especialmente aqui, se nota o aumento de concorrentes em relação a 2013.

O salão que em 2013 me pareceu enorme, está este ano apinhado. Não há cadeiras disponíveis. Mas há o palco e lá terei que dar espectáculo de strip. Este ano opto por não mexer nos pés. Sentia-os bem e mesmo com algum risco mudei só a roupa e deixei as meias e os sapatos. Arrumei melhor a mochila de modo a conseguir aqui deixar a bolsa de cintura e estou pronto.

Cá fora no bar bebo um café, ponho protector solar, coloco o lenço de cabeça que me irá acompanhar até ao final, coloco o 'Silver' à carga no carregador de braço e lanço-me a caminho do PAC7.

O ano passado fizemos a longa calçada romana toda a passo. Este ano e um pouco para compensar a entrada no castelo, faço-a toda a trote. Lá ao fundo uma fonte e logo ali molho o lenço e enfio-o na cabeça, ainda a escorrer. Será uma operação que irei repetir sempre que encontrar água e que resulta em termos de estímulo muito refrescante.

Está feita a 1ª parte, que é também a mais difícil e técnica. A partir daqui se o cansaço e o calor sobem, em compensação os Kms em falta para o final vão diminuindo e a componente anímica sobe em flecha.

UTSM - A preparação

Iniciei a campanha UTSM 2014 em 10 de Fevereiro, após Runa e o inevitável período de descanso que se lhe seguiu.

Foram portanto cerca de 14 semanas de preparação.

Resumo de Fevereiro (excluindo RUNA):
  • Sessões de Corrida: 11 = 160 Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 5 Kms
  • Média Peso = 88,2 Kgs


Escrevi em 10 de Março de 2014:

Com 4 treinos semanais, vou fazer o possível para ir minimamente em condições. O objectivo é 'apenas' ir com mais confiança!

As 18 horas de 2013 satisfazem plenamente. Em 2014 tenho menos disponibilidade para treinar, mas fazendo as coisas com alguma ponderação, será tempo suficiente para ir sem estar sempre a recear uma quebra física.

Nas primeiras 6 semanas farei trabalho de base (mais trabalho de base) a meter Kms nas pernas. Nas 4 seguintes tentarei fazer trabalho de resistência e as últimas 3 serão de alguns treinos mais específicos, se conseguir fazê-los (...).

Tenho 3 'longos' planeados, um deles será nos Trilhos de Almourol, onde farei uma estreia participando na prova dos 40 Kms. Os outros irei fazê-los provavelmente juntando dois treinos, um à sexta-feira ao final do dia e outro logo na manhã de sábado, tentando assim dar alguma carga extra e aperceber-me da resposta do corpo.

Uma questão importante é o peso. Parto para esta operação a rondar os 88 Kgs. Seria óptimo chegar a Maio e tirar 2 a 3 Kgs e assim poder fazer a prova com 85 Kgs. Acho que é perfeitamente possível. Mas não me sinto com grande vontade! Sinto-me preguiçoso e algo desmotivado e aqui residirá provavelmente o maior desafio.

Parece que os 53 me estão a afectar ...


Escrevi em 25 de Março de 2014:


Na terça, ainda a recuperar da sessão de domingo, quis apenas meter algumas rampas. Consegui fazer 5x500 e já foi bom!

A sensação que tenho, sempre que quero fazer algum treino mais específico, é que o corpo se recusa simplesmente a colaborar. Sinto logo que tenho pouco ou nenhuma margem para inovar, para além da habitual endurance. Nesta terça, na 2ª ou 3ª série, já tinha a sensação de sentir (mais do que já vem sendo hábito) o tendão esquerdo.

Séries, intervalados, rampas, escadas, etc, tudo o que fuja da simples 'CC' de Corrida Contínua, já representa um risco de agravamento de alguns dos sinais que o corpo me dá.

Tendão esquerdo e a articulação do hálux são os principais focos de tensão.

Treinar para uma prova de montanha sem poder fazer treinos com alguma altimetria, é complicado mas parece-me que terá que ser mesmo assim.

Apesar de estar quase em Abril e de Março ter sido um mês de alta quilometragem, continuo a não sentir ritmo na minha corrida, como sentia há uns meses atrás, ou pelo menos tenho ideia de sentir.

Só pode haver uma explicação, que é o peso!

Continuo nos 88 e estes quilos a mais fazem concerteza essa diferença.

Às vezes penso que era preferível deixar de correr e dedicar todo o meu esforço a perder peso. Acho que tiraria mais proveito dessa táctica!


Resumo de Março:
  • Sessões de Corrida: 17 = 302Kms
  • Sessões de Piscina: 0
  • Média Peso = 87,8

Abril para além de ser o mês mais técnico na preparação para Portalegre, tem sido também a altura escolhida para testar equipamento.

Tenho feito sessões com mochila, apesar de quase não lhe mexer. Acho que é bom habituar-me aquilo nas costas, ao peso e ao equilíbrio.

Tenho feito sessões nas encostas do Jamor. Evito saturar os mesmos locais de treino, embora com a hora a que me é possível fazer os treinos, as alternativas não abundem.

Treino com frontal o máximo possível.

Aproveito também para fazer terreno o mais acidentado possível e assim tentar corrigir, por pouco que seja, a minha posição, excessivamente direita, o que, aliado ao posicionamento elevado do meu centro de gravidade, me transmite grande insegurança, principalmente nas descidas mais técnicas.

Estou a lembrar-me daquele trilho tenebroso, no UTSM versão de 2013, logo após o PAC3, com cerca de 1Km de extensão. feito com vento e frio, às 5:00 a.m., onde estou ainda para perceber como consegui não cair.

Finalmente nos testes que tenho feito, experimentei num nocturno que fiz em Monsanto, o frontal chinês, que teoricamente com 500 lumens (???) serviria de alternativa ao Black Diamond, que com os seus 90 lumens se revelou limitado na edição de 2013. Recebi o frontal no dia do treino e a coisa não correu muito bem, mas é ainda matéria para explorar melhor.

Outra compra foi um carregador para o Silver. Em 2013 ele queixou-se que eu tinha 10 PAC's à disposição e para ele só houve 1, o de Marvão e onde o abasteci durante apenas os 20' que lá estive. O 'rapaz' esgotou-se às 16 horas e este ano levarei este pequeno carregador, que com 1 pilha AA, permitirá fazer o carregamento em andamento, durante mais algum tempo, o que já será mais do seu agrado.

Resumo de Abril:
  • Sessões de Corrida: 11 = 221Kms
  • Sessões de Piscina: 4 = 10Kms
  • Média Peso = 87,5

Acho que apesar de tudo, irei em 2014 mais preparado do que em 2013 fui. Tenho já a experiência do ano passado e isso é sempre uma vantagem.

Vou com menos sessões, mas com mais Kms nas pernas. O que me preocupa é a perna esquerda, que tem andado a avisar e claro, as alterações ao percurso, já amplamente divulgadas pela organização, que não se poupa a anunciar as dificuldades acrescidas nesta edição, isto apesar de divulgarem também que em 2013 se registaram 23% de desistências (...).

Outro contra, não menos importante, é não ter este ano o António Almeida ao meu lado, para me travar ou puxar, como tão bem fez o ano passado.

Tenho tentado fazer o máximo de Kms possível, embora a falta de conhecimentos e de tempo para treinos, limite e de que maneira os benefícios de tal preparação, que se torna por vezes algo atabalhoada.

Embora tenha mais Kms feitos este ano, não consegui fazer sessões longas, em dias seguidos, como fiz o ano passado, por considerar que são positivas, para habituar o corpo a um esforço mais prolongado.

A 60 horas do evento e amenizadas as dores, sobrevêm as dúvidas, sempre as dúvidas.

Será falta de confiança em mim ou o encarar da realidade e das minhas limitações? As dúvidas sendo as minhas, adivinho-as em muitos daqueles que comigo irão estar na madrugada de dia 17 a sair daquele estádio em Portalegre. Seremos cerca de 500 almas a lançar interrogações sobre a aventura em que estamos prestes a iniciar.

Vem aí o último fim de semana em que posso ainda fazer algo mais pesado e vou tentar juntar pelo menos 2 dias. Quando comecei esta preparação, tinha 12 semanas à frente e tinha outras tantas para trás, com a preparação para Runa, mesmo assim, agora que essas 12 semanas estão a acabar, não consigo arranjar motivos de euforia para a viagem a Portalegre.

Até à véspera aguardarei ou estarei atento a algum sinal que o corpo me dê, porque se ele vier terei de equacionar a anulação da viagem.

Escrevi em 16 de Maio de 2014:

A cerca de 12 horas aumenta o nó no estômago característico das dúvidas daquilo que não conseguimos controlar. Lembro o ano passado e exactamente a mesma sensação. Este medo que depois se transformou em acrescidas cautelas e me levou, pé ante pé, até à meta no estádio, naquele final de tarde. Embora as previsões sejam de céu limpo, há por aqui algumas nuvens ...


Resumo de Maio (até dia 16):
  • Sessões de Corrida: 5 = 87Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 3,75Kms
  • Média Peso = 87,3

sexta-feira, 23 de maio de 2014

II Trilhos das Lampas

Nós vamos onde nos sentimos bem!

Sou muito bem recebido em São João das Lampas pelo Fernando desde a 1ª vez que lá fui, na altura ao 1º treino nocturno da Meia Maratona que por ali se realiza, já há talvez 3 ou 4 anos.

Essa é a razão suficiente para me inscrever nestes II Trilhos, a apenas 1 semana de ir a Portalegre correr o UTSM. E ainda bem que o fiz!

Gosto daquela região e faço com muito prazer esta prova, pela 2ª vez.

De resto pouco há a dizer.

Quem sabe, sabe. O Fernando Andrade tem muitos anos de experiência do outro lado, do lado de quem participa. Para além desta vantagem, o Fernando tem um modo de tratar dos assuntos, de todos os assuntos, mesmo aqueles um pouco mais chatos, dum modo que nos deixa cúmplices desta Organização, da qual, para mim, ele é a cara.

Os acessos são fáceis e o estacionamento não levanta qualquer questão.

O levantamento dos dorsais pareceu-me um pouco 'engasgado', mas para quem como eu vai com a devida antecedência para as provas, não levanta questão de maior. Levei 10' para recolher o meu. Nada de mais.


A este propósito faço questão de partilhar, com o restrito mas distinto grupo de leitores deste texto, o dorsal nº 190, que o Fernando Andrade teve a amabilidade de personalizar para mim, com os nºs de contacto das emergências (podem vê-lo sob o nome) e que mais ninguém teve no seu dorsal. Por aqui se vê a confiança que há nas minhas capacidades atléticas. Mais por isto Muito Obrigado Fernando!!

O percurso é bonito, acessível, excelente por isso para quem se está a iniciar nestas coisas das corridas fora de estrada.

Não gostei do estrangulamento logo no início. Mas paciência, coisas que só quem anda devagar como eu tem que suportar.

Gostei e muito das marcações. Daquelas para serem vistas de dia ainda e especialmente daquelas que são para serem vistas de noite.

Gostei do apoio nas zonas perigosas. Estava lá sempre alguém da Organização, apenas para precaver qualquer situação menos agradável.

Gostei dos abastecimentos. Adequados.

Gostei daquele pormenor de colocar sacos de plástico depois dos abastecimentos, na extensão de alguns metros, precisamente para minimizar (ainda vi pessoal a deitar os copos para o chão) o lixo no chão.

Gostei do Rancho Folclórico a meio do percurso, para animar.

Do ponto de vista desportivo a prova correu muito bem. Fiz todo o percurso ao lado do Joaquim Adelino, para me obrigar a um ritmo calmo e assim foi. O mais importante era passar um final de tarde agradável sem me aleijar e foi um objectivo atingido. Só tive alguma pena do sol se ter escondido atrás dum manto espesso de nuvens, mas pelo menos foi justo e assim não houve pôr-do-sol para ninguém na Samarra.


Parabéns ao Fernando e à restante equipa, que salvo qualquer acidente contará comigo na III Edição destes Trilhos que como já escrevi há um ano, têm pernas para se esticar e para se instalar confortavelmente nos calendários dos que gostam de percorrer os trilhos de Portugal.

Adivinho e desejo longa vida aos Trilhos das Lampas!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trilhos de Almourol

Viagem pacífica, bons acessos e chegada ao Entroncamento cerca de 1hr antes da hora.

Dorsal levantado e vou à procura dum café!

Não me apetece beber um daqueles das máquinas domésticas que há no pavilhão, apetece-me um a sério, mas ainda não são 08:00 da manhã e não é tarefa fácil.

Equipar com cuidado. Acabei por levar a mochila, mais para me ir habituando com aquilo nas costas, porque nem sequer a irei abrir.

Bidon, máquina de fotos e telemóvel vão à cintura.

O mini mapa com os postos de controlo e os Kms deram algum jeito.

Os autocarros para a partida é chato, lembram a viagem (maçadora) de Tróia a Melides, ali enfiado cerca de 50'. Mas tem de ser e aguenta-se.

Martinchel foi o local escolhido para a partida, mesmo junto a Castelo de Bode.



Mais um café e um bolo (...) e ainda dá para umas fotos.

Vejo o Joaquim Adelino e mais umas caras conhecidas.

Partida calma às 10:00. Desta vez fui absolutamente o penúltimo, seguido de perto apenas pelo atleta 'vassoura'.

Passados 3Kms uma looonga fila para transpor o 1º obstáculo. Demorei cerca de 23' a fazer 1Km!!

O declive é acentuado e quase não há zonas planas, ou não há "chão" para se correr um bocadinho. Andamos nas encostas do Zêzere e Tejo e por isso andamos para cima e para baixo, sempre perto de cursos de água e de muita LAMA!!


Nunca fiz nada com tanta LAMA!!

Este tipo de altimetria com este piso desgastou-me muito.

Sesimbra é uma serra e levei menos 40' para fazer 50Kms.

Muita, muita, muita LAMA!! Algum calor e progressão muito lenta e difícil.

Como comecei em último, o facto de ir sempre a passar malta dá algum alento. E convém um dos pontos fortes deste Trilhos, a natureza à nossa volta tem fotos excelentes.



Andei a maior parte do tempo sózinho. Excepto os 1ºs Kms em que acompanhei o Joaquim e depois lá para o final, perto do Km 30, apanhei um companheiro que ia muito em baixo. Andei ao lado dele uns Kms, ele melhorou e passados alguns Kms foi ele a esperar por mim para entrarmos no Pavilhão lado a lado.

Os 2Kms para além dos 42 anunciados foram muito penosos, mas lá consegui correr até à meta.

A partir de meio do percurso começa a vir ao cimo a endurance e começa a gestão do esforço. Devo confessar que gosto quando me sinto cansado mas ao mesmo tempo noto que o corpo reage ao cansaço de forma positiva. Deixo de pensar nos Kms e começo a fazer a gestão.



Intercalando corrida e marcha, vou avançando. O ritmo é o que gostaria de conseguir em 17 de Maio, em Portalegre - UTSM. 10'/Km ou 6Km/Hora seria excelente que conseguisse.

Aqui os dados recolhidos pelo meu fiel Silver.

Tenho de fazer 4 semanas no duro e tentar aumentar a resistência, para depois, nas últimas 2 semanas aliviar.

5* Para os cenários
5* Para as marcações
4* Para os abastecimentos
Dois postos com carência de água. É incrível que após tantos anos com tantas experiências, se continuem a ver postos de abastecimento sem água e com várias garrafas de refrigerante.