sexta-feira, 25 de julho de 2014

UTSM - A preparação

Iniciei a campanha UTSM 2014 em 10 de Fevereiro, após Runa e o inevitável período de descanso que se lhe seguiu.

Foram portanto cerca de 14 semanas de preparação.

Resumo de Fevereiro (excluindo RUNA):
  • Sessões de Corrida: 11 = 160 Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 5 Kms
  • Média Peso = 88,2 Kgs


Escrevi em 10 de Março de 2014:

Com 4 treinos semanais, vou fazer o possível para ir minimamente em condições. O objectivo é 'apenas' ir com mais confiança!

As 18 horas de 2013 satisfazem plenamente. Em 2014 tenho menos disponibilidade para treinar, mas fazendo as coisas com alguma ponderação, será tempo suficiente para ir sem estar sempre a recear uma quebra física.

Nas primeiras 6 semanas farei trabalho de base (mais trabalho de base) a meter Kms nas pernas. Nas 4 seguintes tentarei fazer trabalho de resistência e as últimas 3 serão de alguns treinos mais específicos, se conseguir fazê-los (...).

Tenho 3 'longos' planeados, um deles será nos Trilhos de Almourol, onde farei uma estreia participando na prova dos 40 Kms. Os outros irei fazê-los provavelmente juntando dois treinos, um à sexta-feira ao final do dia e outro logo na manhã de sábado, tentando assim dar alguma carga extra e aperceber-me da resposta do corpo.

Uma questão importante é o peso. Parto para esta operação a rondar os 88 Kgs. Seria óptimo chegar a Maio e tirar 2 a 3 Kgs e assim poder fazer a prova com 85 Kgs. Acho que é perfeitamente possível. Mas não me sinto com grande vontade! Sinto-me preguiçoso e algo desmotivado e aqui residirá provavelmente o maior desafio.

Parece que os 53 me estão a afectar ...


Escrevi em 25 de Março de 2014:


Na terça, ainda a recuperar da sessão de domingo, quis apenas meter algumas rampas. Consegui fazer 5x500 e já foi bom!

A sensação que tenho, sempre que quero fazer algum treino mais específico, é que o corpo se recusa simplesmente a colaborar. Sinto logo que tenho pouco ou nenhuma margem para inovar, para além da habitual endurance. Nesta terça, na 2ª ou 3ª série, já tinha a sensação de sentir (mais do que já vem sendo hábito) o tendão esquerdo.

Séries, intervalados, rampas, escadas, etc, tudo o que fuja da simples 'CC' de Corrida Contínua, já representa um risco de agravamento de alguns dos sinais que o corpo me dá.

Tendão esquerdo e a articulação do hálux são os principais focos de tensão.

Treinar para uma prova de montanha sem poder fazer treinos com alguma altimetria, é complicado mas parece-me que terá que ser mesmo assim.

Apesar de estar quase em Abril e de Março ter sido um mês de alta quilometragem, continuo a não sentir ritmo na minha corrida, como sentia há uns meses atrás, ou pelo menos tenho ideia de sentir.

Só pode haver uma explicação, que é o peso!

Continuo nos 88 e estes quilos a mais fazem concerteza essa diferença.

Às vezes penso que era preferível deixar de correr e dedicar todo o meu esforço a perder peso. Acho que tiraria mais proveito dessa táctica!


Resumo de Março:
  • Sessões de Corrida: 17 = 302Kms
  • Sessões de Piscina: 0
  • Média Peso = 87,8

Abril para além de ser o mês mais técnico na preparação para Portalegre, tem sido também a altura escolhida para testar equipamento.

Tenho feito sessões com mochila, apesar de quase não lhe mexer. Acho que é bom habituar-me aquilo nas costas, ao peso e ao equilíbrio.

Tenho feito sessões nas encostas do Jamor. Evito saturar os mesmos locais de treino, embora com a hora a que me é possível fazer os treinos, as alternativas não abundem.

Treino com frontal o máximo possível.

Aproveito também para fazer terreno o mais acidentado possível e assim tentar corrigir, por pouco que seja, a minha posição, excessivamente direita, o que, aliado ao posicionamento elevado do meu centro de gravidade, me transmite grande insegurança, principalmente nas descidas mais técnicas.

Estou a lembrar-me daquele trilho tenebroso, no UTSM versão de 2013, logo após o PAC3, com cerca de 1Km de extensão. feito com vento e frio, às 5:00 a.m., onde estou ainda para perceber como consegui não cair.

Finalmente nos testes que tenho feito, experimentei num nocturno que fiz em Monsanto, o frontal chinês, que teoricamente com 500 lumens (???) serviria de alternativa ao Black Diamond, que com os seus 90 lumens se revelou limitado na edição de 2013. Recebi o frontal no dia do treino e a coisa não correu muito bem, mas é ainda matéria para explorar melhor.

Outra compra foi um carregador para o Silver. Em 2013 ele queixou-se que eu tinha 10 PAC's à disposição e para ele só houve 1, o de Marvão e onde o abasteci durante apenas os 20' que lá estive. O 'rapaz' esgotou-se às 16 horas e este ano levarei este pequeno carregador, que com 1 pilha AA, permitirá fazer o carregamento em andamento, durante mais algum tempo, o que já será mais do seu agrado.

Resumo de Abril:
  • Sessões de Corrida: 11 = 221Kms
  • Sessões de Piscina: 4 = 10Kms
  • Média Peso = 87,5

Acho que apesar de tudo, irei em 2014 mais preparado do que em 2013 fui. Tenho já a experiência do ano passado e isso é sempre uma vantagem.

Vou com menos sessões, mas com mais Kms nas pernas. O que me preocupa é a perna esquerda, que tem andado a avisar e claro, as alterações ao percurso, já amplamente divulgadas pela organização, que não se poupa a anunciar as dificuldades acrescidas nesta edição, isto apesar de divulgarem também que em 2013 se registaram 23% de desistências (...).

Outro contra, não menos importante, é não ter este ano o António Almeida ao meu lado, para me travar ou puxar, como tão bem fez o ano passado.

Tenho tentado fazer o máximo de Kms possível, embora a falta de conhecimentos e de tempo para treinos, limite e de que maneira os benefícios de tal preparação, que se torna por vezes algo atabalhoada.

Embora tenha mais Kms feitos este ano, não consegui fazer sessões longas, em dias seguidos, como fiz o ano passado, por considerar que são positivas, para habituar o corpo a um esforço mais prolongado.

A 60 horas do evento e amenizadas as dores, sobrevêm as dúvidas, sempre as dúvidas.

Será falta de confiança em mim ou o encarar da realidade e das minhas limitações? As dúvidas sendo as minhas, adivinho-as em muitos daqueles que comigo irão estar na madrugada de dia 17 a sair daquele estádio em Portalegre. Seremos cerca de 500 almas a lançar interrogações sobre a aventura em que estamos prestes a iniciar.

Vem aí o último fim de semana em que posso ainda fazer algo mais pesado e vou tentar juntar pelo menos 2 dias. Quando comecei esta preparação, tinha 12 semanas à frente e tinha outras tantas para trás, com a preparação para Runa, mesmo assim, agora que essas 12 semanas estão a acabar, não consigo arranjar motivos de euforia para a viagem a Portalegre.

Até à véspera aguardarei ou estarei atento a algum sinal que o corpo me dê, porque se ele vier terei de equacionar a anulação da viagem.

Escrevi em 16 de Maio de 2014:

A cerca de 12 horas aumenta o nó no estômago característico das dúvidas daquilo que não conseguimos controlar. Lembro o ano passado e exactamente a mesma sensação. Este medo que depois se transformou em acrescidas cautelas e me levou, pé ante pé, até à meta no estádio, naquele final de tarde. Embora as previsões sejam de céu limpo, há por aqui algumas nuvens ...


Resumo de Maio (até dia 16):
  • Sessões de Corrida: 5 = 87Kms
  • Sessões de Piscina: 2 = 3,75Kms
  • Média Peso = 87,3

sexta-feira, 23 de maio de 2014

II Trilhos das Lampas

Nós vamos onde nos sentimos bem!

Sou muito bem recebido em São João das Lampas pelo Fernando desde a 1ª vez que lá fui, na altura ao 1º treino nocturno da Meia Maratona que por ali se realiza, já há talvez 3 ou 4 anos.

Essa é a razão suficiente para me inscrever nestes II Trilhos, a apenas 1 semana de ir a Portalegre correr o UTSM. E ainda bem que o fiz!

Gosto daquela região e faço com muito prazer esta prova, pela 2ª vez.

De resto pouco há a dizer.

Quem sabe, sabe. O Fernando Andrade tem muitos anos de experiência do outro lado, do lado de quem participa. Para além desta vantagem, o Fernando tem um modo de tratar dos assuntos, de todos os assuntos, mesmo aqueles um pouco mais chatos, dum modo que nos deixa cúmplices desta Organização, da qual, para mim, ele é a cara.

Os acessos são fáceis e o estacionamento não levanta qualquer questão.

O levantamento dos dorsais pareceu-me um pouco 'engasgado', mas para quem como eu vai com a devida antecedência para as provas, não levanta questão de maior. Levei 10' para recolher o meu. Nada de mais.


A este propósito faço questão de partilhar, com o restrito mas distinto grupo de leitores deste texto, o dorsal nº 190, que o Fernando Andrade teve a amabilidade de personalizar para mim, com os nºs de contacto das emergências (podem vê-lo sob o nome) e que mais ninguém teve no seu dorsal. Por aqui se vê a confiança que há nas minhas capacidades atléticas. Mais por isto Muito Obrigado Fernando!!

O percurso é bonito, acessível, excelente por isso para quem se está a iniciar nestas coisas das corridas fora de estrada.

Não gostei do estrangulamento logo no início. Mas paciência, coisas que só quem anda devagar como eu tem que suportar.

Gostei e muito das marcações. Daquelas para serem vistas de dia ainda e especialmente daquelas que são para serem vistas de noite.

Gostei do apoio nas zonas perigosas. Estava lá sempre alguém da Organização, apenas para precaver qualquer situação menos agradável.

Gostei dos abastecimentos. Adequados.

Gostei daquele pormenor de colocar sacos de plástico depois dos abastecimentos, na extensão de alguns metros, precisamente para minimizar (ainda vi pessoal a deitar os copos para o chão) o lixo no chão.

Gostei do Rancho Folclórico a meio do percurso, para animar.

Do ponto de vista desportivo a prova correu muito bem. Fiz todo o percurso ao lado do Joaquim Adelino, para me obrigar a um ritmo calmo e assim foi. O mais importante era passar um final de tarde agradável sem me aleijar e foi um objectivo atingido. Só tive alguma pena do sol se ter escondido atrás dum manto espesso de nuvens, mas pelo menos foi justo e assim não houve pôr-do-sol para ninguém na Samarra.


Parabéns ao Fernando e à restante equipa, que salvo qualquer acidente contará comigo na III Edição destes Trilhos que como já escrevi há um ano, têm pernas para se esticar e para se instalar confortavelmente nos calendários dos que gostam de percorrer os trilhos de Portugal.

Adivinho e desejo longa vida aos Trilhos das Lampas!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trilhos de Almourol

Viagem pacífica, bons acessos e chegada ao Entroncamento cerca de 1hr antes da hora.

Dorsal levantado e vou à procura dum café!

Não me apetece beber um daqueles das máquinas domésticas que há no pavilhão, apetece-me um a sério, mas ainda não são 08:00 da manhã e não é tarefa fácil.

Equipar com cuidado. Acabei por levar a mochila, mais para me ir habituando com aquilo nas costas, porque nem sequer a irei abrir.

Bidon, máquina de fotos e telemóvel vão à cintura.

O mini mapa com os postos de controlo e os Kms deram algum jeito.

Os autocarros para a partida é chato, lembram a viagem (maçadora) de Tróia a Melides, ali enfiado cerca de 50'. Mas tem de ser e aguenta-se.

Martinchel foi o local escolhido para a partida, mesmo junto a Castelo de Bode.



Mais um café e um bolo (...) e ainda dá para umas fotos.

Vejo o Joaquim Adelino e mais umas caras conhecidas.

Partida calma às 10:00. Desta vez fui absolutamente o penúltimo, seguido de perto apenas pelo atleta 'vassoura'.

Passados 3Kms uma looonga fila para transpor o 1º obstáculo. Demorei cerca de 23' a fazer 1Km!!

O declive é acentuado e quase não há zonas planas, ou não há "chão" para se correr um bocadinho. Andamos nas encostas do Zêzere e Tejo e por isso andamos para cima e para baixo, sempre perto de cursos de água e de muita LAMA!!


Nunca fiz nada com tanta LAMA!!

Este tipo de altimetria com este piso desgastou-me muito.

Sesimbra é uma serra e levei menos 40' para fazer 50Kms.

Muita, muita, muita LAMA!! Algum calor e progressão muito lenta e difícil.

Como comecei em último, o facto de ir sempre a passar malta dá algum alento. E convém um dos pontos fortes deste Trilhos, a natureza à nossa volta tem fotos excelentes.



Andei a maior parte do tempo sózinho. Excepto os 1ºs Kms em que acompanhei o Joaquim e depois lá para o final, perto do Km 30, apanhei um companheiro que ia muito em baixo. Andei ao lado dele uns Kms, ele melhorou e passados alguns Kms foi ele a esperar por mim para entrarmos no Pavilhão lado a lado.

Os 2Kms para além dos 42 anunciados foram muito penosos, mas lá consegui correr até à meta.

A partir de meio do percurso começa a vir ao cimo a endurance e começa a gestão do esforço. Devo confessar que gosto quando me sinto cansado mas ao mesmo tempo noto que o corpo reage ao cansaço de forma positiva. Deixo de pensar nos Kms e começo a fazer a gestão.



Intercalando corrida e marcha, vou avançando. O ritmo é o que gostaria de conseguir em 17 de Maio, em Portalegre - UTSM. 10'/Km ou 6Km/Hora seria excelente que conseguisse.

Aqui os dados recolhidos pelo meu fiel Silver.

Tenho de fazer 4 semanas no duro e tentar aumentar a resistência, para depois, nas últimas 2 semanas aliviar.

5* Para os cenários
5* Para as marcações
4* Para os abastecimentos
Dois postos com carência de água. É incrível que após tantos anos com tantas experiências, se continuem a ver postos de abastecimento sem água e com várias garrafas de refrigerante.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Viagem - Cap. III (O regresso)

Desta vez deixei aos meus Filhos um 'PUP'!

E o que é um 'PUP' questionam vocês.

Pois um 'PUP', como está fácil de ver, mais não é que um Pick Up Point, em Português, um local de extracção (!!) ou seja, são as coordenadas GPS de um local, a meio do caminho para casa (cerca de 70Kms), onde alguém me apanhará (ou apanharia) caso eu veja (ou visse) as coisas mal paradas ...

Feita a trouxa para a viagem, despeço-me e reinicio a viagem. Nem 5' tinham passado e cruzo-me com o meu Irmão, que está a chegar. Seguem-se mais 15' de conversa e depois sim, estou de regresso!

Desta vez custou-me menos o arranque que nos anos anteriores. Como não há calor, custa-me menos o recomeço depois da paragem e do almoço.

Recordo aqui os 100Kms de Portalegre e o PAC6 no Marvão. Depois de 2 tigelas de sopa acompanhadas com pão caseiro e já com roupa seca no corpo e com o sol a brilhar, o que me custou arrancar depois desta paragem ... Se não fosse o António Almeida a puxar por mim, tinha ficado cá em baixo no jardim, a fazer uma sesta à sombra de uma árvore ...

Às 13:29 o raposão Jorge envia mais um sms com um incentivo da sua parte, da Augusta e até do João Lima, companheiro de corridas, de barreiras, de sonhos, de objectivos, mas com quem curiosamente nunca falei. É espantosa a força que a corrida tem, a suscitar tal manifestação de companheirismo.

Logo a seguir a este sms do Jorge, entra outro, agora do Egas, também ele novamente no apoio, tal como já sucedera nas 2 edições anteriores.

A sensação de peso e falta de resistência acompanham-me, mas o ritmo calmo e descontraído ajudam de algum modo a minimizar os efeitos.

Passados alguns minutos lembro-me do MP3 e que seria excelente colocar um pouco de música para o início do regresso. Mas definitivamente este capítulo da viagem estava 'minado' e também o MP3 se recusou a funcionar. Estou definitivamente entregue a mim mesmo, sem telemóvel, sem sms e agora sem música ambiente!

Para baixo trago mais água, mas mesmo assim ainda irei comprar mais 0,5lts em Lousa. Com cerca de 60Kms marcham as clementinas e as chipmix. Aos 70Kms compro 1 coca-cola e 1 banana. A 1ª marcha logo um pouco à frente, a acompanhar a sandes de presunto, numa esplanada que encontrei. Passado 1 par de Kms, segue-se-lhe a banana antes que fique amassada!

Por volta das 18hrs o Guilherme pergunta:
"Aguentas? Não vais precisar do PUP?"

Por falta de carga no telemóvel opto por não responder, mas penso cá para mim: "não, ainda não é desta que irei precisar do PUP!!"

O dia começa a arrefecer. Sinto-me bem nas partes em que corro e gradualmente descontraio. À medida que os Kms passam, gradualmente ganho confiança sobre as hipóteses de concluir a jornada.

De vez em quando ligo o telemóvel, apenas para apressadamente dar notícias ao meu apoio, avisando do meu progresso e desligo de imediato.

Tenho que lhe poupar a bateria, caso venha a precisar dele!

Agora também a Joana dá uma forcinha:
"Bora lá Papi! Já não falta tudo!!"

Como a amplitude térmica do dia foi mais baixa, sinto menos a transição para o final da tarde. Estou com curiosidade em ver como vai correr o desvio que desta vez planeei para fugir da zona de Caneças, Carenque e Queluz, que é muito complicada de passar, devido à falta de visibilidade em zona com muitas curvas. 

A encosta de Vale Nogueira é agora a subir e bem a subir! É uma parte difícil, porque arrefeço e está já muito escuro. Para ajudar os cães que aqui e ali vão aparecendo no meu caminho e que complicam, apenas porque são chatos! Quando finalmente chego lá acima, estou à entrada de Caneças. Faço mais uma pausa, como qualquer coisa e bebo água. Dali até ao tal desvio ainda tenho uns 4/5 Kms para fazer, já em estrada sem bermas, sem iluminação e já com muito tráfego. As curvas esquerdas são um constante desafio de atenção e esquiva. Quando me vejo muito apertado lá tenho de saltar para a valeta de escoamento de águas. Respiro de alívio quando chego finalmente ao desvio, mas outra aventura está prestes a começar ...

Por volta das 19:30hrs, envio um sms à Dora a avisar que estarei a cerca de 1hora de casa. Em resposta, recebo:
"Boa! Aproveita a paz se chegares antes do pequeno furacão ..."

Mesmo sem MP3 andei sempre acompanhado, apesar da pouca interacção, dadas as limitações em termos de bateria no tlm. É uma componente muito importante esta do apoio dado pela Família e Amigos.

Dado o meu feitio reservado, nunca me juntei a qualquer grupo ou clube. Neste meu último recomeço, pós-meniscectomia, ainda fiz alguma tentativas com O Mundo da Corrida, mas a coisa não evoluiu. Fiz no fórum alguns convites para treinos no EN, mas nunca houve qualquer resposta. Daí nasceu a brincadeira do Grupo dos Não Alinhados ou dos Desalinhados, que é formado por uma série de membros com particularidades, sendo que ter 4 patas é apenas uma delas. Foi daí que nasceu a amizade especial com algum pessoal, com o qual tendo pouco contacto, tal facto não impede a que surjam atitudes espontâneas como estas que vos venho relatando. Estive até hoje talvez 6 vezes com o Jorge Branco. Corri com ele talvez duas delas. Na prova do Guincho, que ele divulga e na edição 'pirata' do Fim da Europa, acho que em 2012. Pouco conheço dele e o mesmo se passa em relação a mim, no entanto é menino para me enviar sms às 5horas da manhã e passar praticamente o resto do dia no apoio a esta minha viagem. Confesso que não me considero merecedor de tal tratamento e declaro-me em débito, com difíceis probabilidades de alguma vez conseguir saldar tal dívida.

Para ele em especial, mas extensível à Augusta, ao Egas e ao João, o meu obrigado!

Mal sabia eu no que me estava prestes a meter...

O plano que fiz para me desviar daquele bocado do meu percurso, foi apenas estudado nos mapas, seja Google Earth, seja Maps, seja do Garmin. Aquilo dá para se fazer uma ideia, mas este vosso companheiro não quis estar a perder tempo para explorar aquilo no terreno, nem que fosse de carro. Naaaa, este vosso amigo, estudou os mapas e fez uma cábula e pronto, foi só!! Mas o que é certo é que apenas acertei nos 1ºs 3 kms do esquema!!

Passei por baixo da CREL, por uma via que liga a Casal de Cambra, passados cerca de 300mts meti, como planeado, por um caminho em terra. Fiz o tal caminho aos tropeções, sem ver onde punha os pés. Está já muito escuro e o caminho está cheio de vegetação. Vou até ao final, ouço cães à minha esquerda (...) e quando chego ao final, há um outro caminho na perpendicular.

Naquela altura as m/opções eram:
  • Para a dtª: Não é opção, pois voltaria para trás!
  • Para a esqª: Não quero. Não me agradou ouvir cães tão perto em zona que desconheço!
  • Para trás: Idem, também não quero!
  • Resta-me avançar!!
Por trás de algum arvoredo há uma estrada, que calculo seja a que quero alcançar. Para lá chegar tenho à minha frente uma cerca em rede, com cerca de 1mt e arame farpado no topo da mesma!!

Escalo a coisa, protegendo particularmente algumas partes (...) e lá consigo transpô-la! Sigo a tal estrada, na berma, na expectativa de me assegurar que estou no local correcto. Há uma curva larga e longa à esqª, finda a qual o que é que eu vejo?? Adivinham?? As portagens da CREL!! Naquele momento pareceu-me que a hipótese menos má seria avançar mesmo e ter esperança de encontrar uma saída qualquer, o mais depressa possível.

E lá vou eu, a correr pela CREL!!

Passo pela via verde, porque não tinha dinheiro trocado (...) e sigo pela berma. Acelero e faço slalom entre rails, valas de escoamento e outros objectos abandonados por ali. Vou com um olho no chão e o outro na berma, à procura duma escapatória. Não encontro nada onde as chances de não me aleijar compensem o risco, por isso vou avançando. Aguardo a qualquer altura uma patrulha da GNR que me dê uma boleia forçada dali para fora e começo a ver indicações de aproximação de túnel! Estou na CREL há cerca de 2kms, que me parecem já uma eternidade. Finalmente a cerca de 300mts do Túnel de Carenque, há um viaduto, com uma estrada por baixo e cujo acesso me parece possível. Para lá chegar 'só' tenho de passar novamente pela cerca em arame, com o tal farpado no topo e descer uma ladeira. Finalmente lá consigo chegar à estrada sem mais novidades e estou de novo na Estrada das Águas Livres e, apenas para que conste, evitei a parte do trajecto a que me propunha com o tal desvio, por isso e para os devidos efeitos, aparte um pormenor(zito), atingi o meu objectivo, mesmo que para tal tenha andado em plena CREL!

Esta parte serviu para animar a coisa q.b. e estou novamente em Queluz. Começa a chover, agora com mais intensidade, mas depois de cerca de 90Kms não é coisa com que me preocupe minimamente. Atravesso Queluz, em direcção ao Palácio, passo o viaduto sobre o IC19 e entro em Queluz de Baixo. Ligo o telemóvel e a Dora diz-me que está praticamente no mesmo local, visto que os nossos caminhos são a partir daquela zona coincidentes até Queijas. Chove agora com muita intensidade e não consigo recusar a boleia que ela me oferece quando passa por mim. Estou com pouco mais de 100Kms, faltam cerca de 4Kms para casa, mas o facto de os ter ali à mão, aliado ao facto de estar a chover muito , levam a optar por dar por concluída a minha viagem.

Acabou a minha viagem de 2014! (vejam aqui mais pormenores)

Como ponto mais alto, nomeio o facto de a mesma ter acontecido. O simples facto de a conseguir ter feito, com uma preparação muito deficiente, é sem dúvida o mais importante. E acaba igualmente por ser a falta de preparação o ponto menos positivo a nomear já, em jeito de balanço a quente. A falta de preparação retirou-me atenção para outros pensamentos, que não fossem em exclusivo estar sempre a pensar se iria ou não conseguir concluir mais uma viagem! Disponibilidade que viria à tarde, já por volta dos 70Kms, quando gradualmente comecei a sentir que conseguiria fazer todo o trajecto.

Até 2015!

A Viagem - Cap. II (A ida)

Deitei-me pouco depois da meia-noite. Acordei às 03. Fui à janela e lá fora caía muita chuva, batida por vento forte.   Belo augúrio  pensei eu e despachei-me de novo para a cama.   Há-de passar ...

Quando saí de casa, faltavam 2 ou 3 minutos para as 05:30 e a manhã até nem estava muito fria.

Não chovia ...

Queijas dormia ainda.

Avanço em passo apressado para atravessar Queijas.

A Viagem está a começar!

Atravessado o centro da vila, entro numa zona rural, parte da Serra de Carnaxide, que separa os concelhos de Oeiras e Sintra. O caminho é escuro como breu, mas é bem conhecido e inicio aqui a evolução em passo de corrida.

Avanço chapinhando aqui e ali nas inúmeras poças nascidas com a chuva das últimas horas.

Passados alguns minutos entro na zona industrial de Queluz de Baixo, pouco à frente é o IC19 e logo a seguir + Queluz, que não se chama de Cima não sei porquê, se o outro lado se chama de Baixo!
(qualquer dia pergunto ao Luís 'Tigre' que ele sabe concerteza ...)


A 1ª foto é sempre aqui, em Queluz, no Centro de Saúde onde a minha Mãe trabalhou tantos anos. Foi o último centro de saúde antes da merecida aposentação. Nesses tempos, quem trabalhava tendo contribuído uma vida para o respectivo sistema de saúde, ainda tinha direito a uma reforma. Ela ainda foi em boa altura e ainda teve um bom conjunto de anos para gozar dessa reforma. Feita esta paragem sigo em direcção a Belas.

Faço a 1ª hora e levo feitos 7Kms, tal como planeado.

Segue-se um trajecto junto à CREL e do Aqueduto das Águas Livres, que me irá levar a Caneças.

O dia começa a nascer e recebo o 1º sms do dia, claro que do Jorge Branco, que me dá o 1º empurrão:

07:02 03/02/2014
"Directamente do Centro de Controle da Toca da Raposa Manca, votos de boa jornada e aquele abraço."

É o apoio que se repete pelo 3º ano consecutivo e que me acompanha em toda a jornada. (Tenho pena do meu telemóvel ter expirado precocemente, porque me fizeram falta as doses parcelares de adrenalina que o sinal de sms a entrar me ia dando durante o caminho!)

Depois de Caneças segue-se mais uma zona rural. É Vale Nogueira e A-Dos-Calvos. Como a encosta para lá é a descer, aproveito para aumentar um pouco o ritmo, aproveitando o peso e a gravidade.



Aqui levo a 1ª chuveirada. Pequena, ligeira e retemperadora, sem qualquer aspecto negativo, foram apenas uns chuviscos de apenas 5'.

Logo à frente estou em Guerreiros, onde faço a minha pausa para o 2º pequeno almoço. Uma sandes mista e um sumo e siga viagem, debaixo de mais um chuveiro, ligeiro também como o anterior.

Estou na Estrada Nacional 8 e porque no ano passado o dia 03/02 calhou a um domingo, já não me lembrava de tanto movimento. Quando os pesados passam por mim, fico com as pernas todas salpicadas da água que ainda está na estrada. Alguns desviam-se, outros nem por isso. Apesar de tudo vou agradecendo, porque sou eu que estou no sítio que é deles.

Vêm à memória as férias na Consolação - Peniche, por volta de 1984/1985 e os 'estágios' para as primeiras idas à Nazaré. Passei ali as férias de verão com a minha Mãe, durante 2 ou 3 anos, no mês de Setembro e já a treinar para a Corrida do Tejo (ainda da Câmara Municipal de Oeiras), com a qual arrancava a época, a que se seguia a Nazaré. Ali, os treinos em alcatrão tinham como destinos preferenciais Peniche, Cabo Carvoeiro ou Lourinhã e nessas saídas partilhava a estrada com os carros e também com as camionetas de passageiros, cujos motoristas, à força de me verem ali quase todos os dias, já me iam cumprimentando quando nos cruzávamos. Estavam a começar as corridas para mim e tinha 24/25 anos e tanta coisa mudou de então para cá.

Naquela manhã ali ia eu, uma vez mais a partilhar a estrada com as camionetas, mas com mais do dobro da idade e com objectivos bem diferentes daqueles que tinha na Consolação.

Segue-se na minha rota Ponte de Lousa


A manhã vai avançando e a espaços o sol, mesmo meio tapado, vai aquecendo um pouco.

Na Póvoa da Galega faço mais uma pausa, agora para o café e um bolo seco.

Nesta paragem envio notícias para o Centro de Controle e para os meus Filhos, que estão em apoio e me irão levar o almoço, o lanche e o equipamento para o regresso. Tenho agora na trouxa 0,50cl de água, 3 clementinas, 2 bananas, amendoins salgados e meio pacote de chipmix. A única coisa que irá resistir serão as bolachas, tudo o resto marchará.

Aqui, pouco depois do café da manhã, há mais uma dose da Toca da Raposa:
"Espero que o sol que faz aqui na toca, também te esteja a acompanhar desse lado. Toda a força do mundo e um abraço desde o Ribatejo! Embora Alex!"

Dá um ânimo do camandro, do catano e do carago, receber um sms destes quando estamos numa aventura como estive em 3 de Fevereiro!

Por volta das 10:30, são estes os cenários por onde passo.







Estou a cerca de 1 hora do meu destino. Quando há um trajecto relativamente longo para correr, sinto o corpo pesado e sem ritmo. São poucas pernas para tanto peso!! Arranquei para esta jornada com cerca de 88kgs, cerca de 5Kgs a mais e que explicam a sensação de peso.

As dúvidas que estas sensações colocam ocupam-me em demasia e tiram-me cabeça para o que eu queria mesmo. Os cenários aliviam um pouco e distraem.

Chego a Runa  às 12:30, com cerca de 7 horas de viagem.


Metade está feita!

Chego ao meu destino e os meus Filhos já lá estão. Coloco o fiel 'Silver' à carga e mudo de roupa. Depois segue-se o almoço:

Sandes de Presunto, cerveja preta e batata frita.

É agora tempo de fazer finalmente a visita.

Passada cerca de 1 hora sobre a chegada é altura para iniciar o retorno. Durante cerca de 15' ainda deu para carregar um pouco também o telemóvel e arranco.

Estou de regresso ...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Viagem - Cap. I

Na manhã seguinte o que sinto é a sensação do dever cumprido.

Não é uma sensação muito usual, dado ser uma pessoa preguiçosa, mas é por isso ainda mais gratificante.

Se há alguém a quem devo, não somente isso, mas muito mais que isso, é à minha Mãe.

Para trás fica muita coisa, até chegar às 05:30hrs de ontem (3FEV2014). Realce para as já habituais dúvidas, acerca da condição física e das probabilidades de cumprir esta, que se vai fazendo tradição de 3 anos, com algum prazer.

Confesso que ontem pensei demasiado em mim e no meu corpo e por isso tive menor disponibilidade para pensar naquilo que queria. Se o dia 3/2 não for dedicado (quase) na totalidade a pensamentos e recordações doutros tempos, então não vale a pena andar a percorrer 100 kms. Em vez disso vou para uma qualquer prova qualquer, estilo Portalegre e faço a mesma coisa. Será este talvez o único ponto negativo da minha viagem. A fraca preparação e as sensações dos 1ºs Kms levantaram muitas dúvidas acerca do desfecho da jornada e estes receios, ocuparam demasiado tempo da viagem.

Aconteceu até algo que nas 2 edições anteriores não tinha acontecido, que foi ter mais tempo e disponibilidade para os meus pensamentos na 2ª parte da viagem - regresso, do que na 1º parte - ida. Quererá isto significar que uma vez que me tenha apercebido que fisicamente iria conseguir terminar a jornada, a minha cabeça começou então a ter mais tempo para pensar noutros assuntos.

Ontem a ida foi mesmo mais complicada, porque o corpo simplesmente não tinha a rotina de kms. No regresso, com gestão de esforço, lá consegui aliviar os temores dum colapso e assim sobrar mais tempo para o que afinal ali fazia mais falta.

O dia em termos de clima esteve mais difícil que nos anos anteriores. Mais vento lateral, menos sol e alguma chuva, principalmente no final.

Saí às 05:30 e fiz mais ou menos um ritmo de 7Kms/Hora (*). Muitas paragens e tudo feito com a menor atenção possível ao 'Silver', entenda-se relógio.

A dieta manteve-se idêntica aos anos anteriores. Sem complicações, invenções ou inovações e com limites auto-impostos em questão de espaço, o supérfluo é obrigatoriamente descartado. Desde a UMA de 2012 que só de pensar em Géis e Barras fico enjoado. Desde aí aqueles artigos deixaram de constar na minha trouxa de eventos mais longos e dão lugar a artigos mais simples e principalmente mais baratos.

O Alex Jr. na véspera, esteve a brincar com o telemóvel. Embora eu me tenha lembrado desse facto, à noite a carga indicava estar completa, mas o que é certo é que, provavelmente por estar já algo viciada, com apenas 5horas de jornada e alguns sms, a bateria começou a queixar-se, vindo (a coitada) a desfalecer ainda antes da 1ª metade do caminho. Este imprevisto trouxe algumas complicações a nível de contactos com os meus apoios. A meio do percurso, meti à carga o 'Silver' e o Telemóvel, tendo essa carga, mesmo curta, aguentado com alguma contenção os equipamentos até ao final. No regresso vim com o telemóvel desligado e só o liguei a espaços, apenas para ir avisando da minha evolução.


Vai assim começar A Viagem!







(*) Ver dados estatísticos nos capítulos seguintes.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Pirata da Pirata de Monsanto 2013

No dia 20 de Dezembro de 2013 e pela 2ª vez, pirateei a 4ª edição da Pirata de Monsanto.

Esta feliz iniciativa nasceu há 4 anos, pela mão do Parro e do Peregrino. Resultado da vontade daqueles dois utilizadores assíduos de Monsanto. Estive na 1ª Edição, ainda no Parque de Campismo e até fui o autor duma das duas versões dos Diplomas que por brincadeira se distribuíram no final.

Participei na 1ª Edição, pirateei a 2ª Edição, baldei-me à 3ª e voltei a piratear esta que foi a 4ª Edição.

Na 2ª Edição não gostei do caminho que tomou. Deixou de ser aquilo que penso esteve na génese do projecto, que seria encher Monsanto com um grupo de amantes da corrida a pé e passou a ser mais vários grupos de amigos a correr sózinhos.

Não gostei e afastei-me. Desmobilizei um pouco.

Este ano, o 4º ano, concluo que tinha razão quando escrevi algures, que o figurino era errado quando logo após a partida o pelotão de simpatizantes se transformavam em competidores e tentavam chegar ao fim primeiro que os outros.

Esta ano (e acho que já o fizeram em 2012) passaram a dividir o pelotão em 2 grupos, consoante a cadência, fazendo um percurso mais pequeno e outro um pouco mais longo. Este ano, acho que pela 1ª vez, aconteceram 2 ou 3 situações em que os da frente marcaram passo para possibilitar que o restante pelotão reagrupasse.

Era isto que eu queria dizer desde o início. E penso que seja o formato mais interessante para encarar um evento com estas características.

Penso que há 2 ou 3 anos, em determinada altura quando cheguei às rotundas, viam-se dezenas de frontais no meio de Monsanto e reinava uma perfeita anarquia. Uns grupos de pessoal para um lado e outros para o outro e inclusive houve participantes a perderem-se dos restantes.

Parece-me que ao fim de 4 edições a Pirata de Monsanto ganha alguma maturidade, sem no entanto perder a irreverência que também é saudável a acompanhe.

Mais uma vez este ano e para ganhar pernas para Fevereiro, decidi arrancar de casa até Monsanto, para lá me juntar ao pelotão.

Claro que porque o Passos Coelho quer que a gente trabalhe mais, é muito apertado e arranquei de Queijas já muito tarde, já depois das 20:30. Ora sabendo que Monsanto dista cerca de 6/7 Kms de minha casa e pelo meio tenho de atravessar a Serra de Carnaxide, podem vocês concluir que fui sempre a esticar.

Quando cheguei a Monsanto, nem me lembrei que a partida já não é no Parque de Campismo e arranquei directamente para o início do percurso, ali junto ao canil. Poucos minutos depois, com os bofes de fora, quando passava nas traseiras do Parque de Campismo, começo a ouvir vozes atrás de mim e começo a ver luzes de frontais. Felizmente a partida atrasou-se e eu estava à frente do pelotão. Respiro fundo e meto por uma rua que me levará em direcção ao Batalhão dos Sapadores, dando assim hipótese do pelotão me passar, de modo a apanhá-lo depois e me misturar já perto de Montes Claros.

O percurso da Pirata de Monsanto é exigente logo no início e aquela subida toda em Caselas e depois em Montes Claros são difíceis. Para mim, que já tinha mais de 7 Kms nas pernas ainda o foi mais, mas aguentei-me. Por aquela altura o pessoal que ia fazer a volta mais curta separa-se.

Quando chego a Montes Claros a 1ª surpresa. O pessoal estava todo em carrossel à volta da rotunda, possibilitando assim o reagrupamento. Muito bem. Aumenta o grupo e o convívio entre todos.

Seguiu o cortejo por dentro de Monsanto. Muita gente nova. Muitas senhoras. Excelente. Excelente.

Desta vez o grupo mantém-se junto quase até à parte final. Já era querer demais que tal acontecesse. Quando passamos a Belavista já é cada um por si e já não há mais reagrupamentos. Paciência!

Por essa altura um participante coloca-se ao meu lado e fazemos aquela parte os dois. Ele vira-se para mim e pergunta se falta muito?? É a sua 1ª prova com estas características!! Só começou a correr há uns meses atrás!! Digo-lhe que dali até ao final é sempre a descer e o rapaz fica muito mais descansado!!

Mais à frente esqueço-me outra vez que eles não partiram do Parque de Campismo e quando chamam a nossa atenção eu já ia disparado nessa direcção. Peço-lhe desculpa, despedimo-nos e digo-lhe que eu continuo, até casa.

Na Decathlon como qualquer coisa e preparo-me para a 3ª parte, o regresso a casa.

Tenho pela frente a subida de Alfragide, paralela aos Cabos d'Ávila e depois, lá à frente tenho novamente a Serra de Carnaxide. Sofro um bocado para chegar mas lá chego, completamente arrasado.

Não tenho preparação para estas loucuras!!

Fiz 29,8Kms e andei naquilo cerca de 3:20hrs, com uma média de 6:43"/Km.

Aqui fica o registo da minha Pirata da Pirata de Monsanto.

Espero que mais edições se sigam. Desejo que afinem o formato. O meu sonho é ver 1 pelotão único desde o início até ao final. Tenho a certeza que é a opção mais apropriada para as características do evento. Este ano já gostei mais. Os 2 reagrupamentos só aumentaram o interesse daqueles que vão para ali puramente para passar um bom bocado, penso que seja a grande maioria. Gostaria que assim fosse!!

1º Trail da Serra do Montejunto

(Estou a recuperar o trabalho atrasado e publico hoje aquela que foi a minha última prova de 2013. Espero que gostem de a ler)




Quando tenho a oportunidade de agarrar uma 1ª Edição, tento não a desperdiçar e foi o que aconteceu ontem, 1 de Dezembro de 2013, ali na Freguesia de Vilar, uma povoação nos arredores do Cadaval. Vilar formou-se junto ao Monte ou do Montejunto (gostaram desta??) e julgo que a Junta de Freguesia teve a excelente ideia de tirar algum partido desse facto e organizar este evento.

Do programa constavam 3 eventos: a caminhada, o trail curto e o trail longo. Estando em plena preparação para a minha Viagem de Fevereiro próximo, optei pelo trail longo, com 40 Kms e classificado pela organização como de dificuldade física média e técnica fácil.

Inicialmente marcada para as 10hrs, em boa hora a organização antecipou para as 9hrs a partida, decisão de que se devem ter arrependido mais tarde, porque a entrega dos dorsais, sem a já tão velhinha separação entre individuais e equipas, provocou grande congestionamento, o que atrasou de facto a hora de início para as 09:15hrs. Claro que a culpa divide-se entre a organização, que deveria limitar-se a seguir uma fórmula já sem segredos ou novidades e que outras já fazem há muitos anos e entre os atletas, que à boa maneira portuguesa deixam tudo mesmo para a última.

Esteve uma manhã bonita mas muito fria.

O controlo de artigos indicados pela organização como obrigatórios, ficaram pelo regulamento, uma vez que ninguém controlou fosse o que fosse. Por isso e mesmo não se justificando, parti de corta-vento, que tirei e arrumei ainda antes da 1ª légua.

Cerca de 300 participantes partiram para as 2 vertentes de corrida, escoltados por pessoal do btt.

8Kms na 1ª hora, ainda sem grandes dificuldades a não ser o frio. 2ª hora e 14,5Kms e aqui fez-se a divisão. Senhoras e meninos para os 22Kms. Gajas e gajos para os 40! :-)

A temperatura e a altimetria começaram a subir. Montejunto tinha até aquele dia e segundo a organização, 644metros de altura. Mas o doido do meu silver chegou a marcar 651mts!! Conclui-se por isso que ontem, ajudado pelo vento norte, me elevei de facto!!

3ª hora e 22Kms. 4ª Hora e 29Kms. O ritmo continuava mais ou menos uniforme. Cheguei a pensar que despacharia a coisa em 5horas!! Mas às 5horas de prova ainda estava eu nos 36Kms ...

Para trás as dificuldades maiores a virem do vento gelado nas encostas e algumas subidas, como por alturas do Km 29. De resto e em questão da vertente técnica, admito que não considerei fácil, mas se calhar sou eu que subindo mal, desço ainda pior!!

Devo confessar que a gravidade aliada à falta de treino específico, me dão pânico quando enfrento descidas um pouco mais técnicas. O meu centro de gravidade também não ajuda e isso contribui para as dificuldades que tenho principalmente nas descidas técnicas.

Os postos de abastecimento estiveram no geral bem. Por volta dos 25Kms não havia água num deles, mas as minhas reservas deram e sobraram até ao abastecimento seguinte. Ao chegar a esse abastecimento, um concorrente ao deparar-se com a falta de água comentou " ...mais valia não dizerem que havia abastecimentos ..."! Comentei com ele que todos devemos estar preparados para eventualidades destas quando nos colocamos à partida duma prova de trail!! O rapaz devia pensar que estava na Corrida do Tejo!! Como é que alguém, apenas porque a organização informa que há abastecimentos, parte para uma prova de trail de 40 kms à espera que tudo lhe vá parar às mãos? E se ele saísse do trajecto e se perdesse, como faria?? Para além deste episódio mais cómico, os postos estiveram sempre tranquilos, com água, isotónico, fruta e marmelada. Quanto baste portanto!

As marcações estiveram quanto a mim boas, pois nas ocasiões em que andei isolado, nunca senti dificuldade em seguir o percurso. Li depois que terá havido problemas neste aspecto, mas que terá afectado apenas o pessoal que ia mais à frente. Eles que não andassem tão depressa!!

De resto na 2ª metade da prova, sensivelmente depois da divisão entre 22 e 44Kms o pessoal do btt desapareceu de vista. Deviam ser só meninos e foi tudo para os 22Kms!!

Senti-me sempre bem fisicamente e graças à lição de Sesimbra, penso que consegui gerir o esforço perante a minha fraca preparação na altura, agravada pelos 87Kgs com que me apresentei à partida(!!).

É prova a repetir, caso aconteça a 2ª edição.

Tem uma distância acessível, está perto de casa e decorre num local espectacular.

Aqui fica o registo do meu 1º Trail de Montejunto.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

39ª Meia da Nazaré ou Cadê o pires??

(com o atraso que já se tornou imagem de marca deste Blog, publico hoje a história da minha participação na última edição da Meia Maratona da Nazaré, a 39º, que aconteceu no passado dia 11 de Novembro)



Desta vez atrasei-me! Levantei-me 45' depois do que tinha planeado, pelo que a habitual e (muito) calma rotina das manhãs de festa - leia-se corrida, foi alterada.

Com um relativo stress, cheguei à Nazaré às 08:10hrs. A partir daí e uma vez recuperado o tempo perdido, retomei aquela que nos últimos 3 anos tem sido a sequência normal das minhas visitas às Mães.

Iniciei a 1ª fase do dia: "As Apresentações" e desci a rua para ir cumprimentar o mar. Imenso, selvagem e sempre agitado, lá estava ele, sempre no mesmo local mas sempre diferente. Dei um pequeno passeio na marginal e disse para com os meus botões: "estou cá outra vez!!"




Cheguei ao largo onde passado um par de horas, milhares de almas terminariam outros tanto milhares de desafios, todos eles particulares. Subi em direcção à 2ª etapa da visita: A pastelaria Arcádia.


E lá a encontrei, discreta como a conheci em 2010, quando pela 1ª vez tive a sorte de ali entrar. Meia dúzia de mesas, 2 ocupadas e dentro do balcão a azáfama das 2 empregadas a arrumar tabuleiros trazidos directamente da fábrica. " Um pão de deus e um café escaldado ", foi o pedido de pronto atendido e seguiram-se breves momentos de prazer e pura gula! Foi mesmo um momento breve, porque logo logo acabou e vi-me a lamber os dedos, envergonhado. Arranco para a 3ª etapa.

São quase 08:30 e dirijo-me rua acima, ao pavilhão para levantamento dos dorsais. Aqui, sem história para além de estar a entrar novamente naquele velho pavilhão, mesmo a cheirar a bafio, obtenho o tão desejado dorsal, este ano o nº 399. Aqui concluiu a 1ª fase e dirijo-me em passo forçado para o carro, para arrancar para a 2ª.

Prendo o dorsal na t-shirt que irei usar na prova e junto o chip de modo a não me esquecer de nada dali a 2horas. Dispo o fato de treino, pego numa garrafa de água e arranco para a 2ª fase do programa: "O Aquecimento". Este ano, lembrei-me de variar uma vez mais o percurso e escolhi o Norte, como destino para o aquecimento. O plano era começar por visitar a 'vedeta' Praia Norte, se possível ver reflexos do 'canhão', se possível cumprimentar mesmo que de longe o Garrett e depois seguir sempre paralelo à costa, para Norte, em local que pelo Google Earth me pareceu bom.

O começo é sempre a subir, até às imediações do Sítio. Encontrei a Praia Norte, mas foi só isso. Se há 'canhão' ainda estaria a dormir e a dormir estaria, muito possivelmente, o Garrett, porque a praia essa estava completamente deserta de vedetas e ondas.

Não que não merecesse, como mereceu, o registo para memória futura e claro, partilhar convosco mais umas imagens bonitas daquele local.




Para norte uma série de dunas, que sigo maravilhado com a beleza e qualidade do local em termos de piso e paisagem. Passados alguns kms no entanto, começo a sentir reflexos da exigência de correr em areia solta. Ando no meio de pinhal com muita areia e caruma. Subo para oeste à procura de piso mais rijo e começo a encontrar estradão em terra, que atravessa o Parque Aeólico de Nª Senhora da Vitória.





Ando mais algum tempo e por volta da 1ª hora de viagem decido começar o retorno à vila. Corro agora numa ciclovia em direcção à Nazaré e cruzo-me com alguns ciclistas de fim de semana.



Chego à vila pouco depois das 10:30. Andei cerca de 01:20hrs e estava vencido e convencido com este novo trajecto agora descoberto, mas sentia as pernas algo pesadas. É sem dúvida uma zona excelente para correr. Quem me dera ter algo assim perto de mim. Terreno acidentado q.b., mole e com um cenário 6*.

Aqui fica, para os mais interessados e curiosos, o 'aquecimento' a que chamei de 'Praia Norte':

Calmamente hidratei-me, comi fruta, mudei de roupa e em 15' estava pronto para a 3ª fase do dia: "A prova". Peguei numa mão cheia de figos e comecei a descer a rua, que me levou até à marginal e à zona da partida.

Faltam cerca de 5' para a dita, apenas o tempo necessário para acabar os figos e apertar os sapatos.

Por toda aquela zona ecoa a aparelhagem sonora e barulhenta com o chamado animador a falar e a insistir na incontornável onda. Lá à frente este ano a nossa Rosa Mota está acompanhada pelo Garrett. Tem que se aceitar porque na realidade o homem até tem feito um serviço à Vila da Nazaré. Poucos instantes depois dá-se a partida para mais uma Meia da Nazaré.

É mais um ano para as minhas contas. É mais um ano em que tenho a felicidade de poder alinhar naquele final de pelotão que compacto avança lentamente e lentamente se dispersa pela longa marginal. É a rainha das minhas provas de estrada e estou novamente a participar nela.

Percorro uns 250mts a passo antes de começar a correr em passo pequenino. Gradualmente vou avançando e a conseguir realmente correr.

A volta à Nazaré é sempre animada. O pessoal vai cheio de força e a animação é muita. É a festa!

Quando passo pela meta, com cerca de 4Kms de prova, já vou a sentir as pernas e a sentir que não estão a responder como era desejável para aquela altura. Apesar disso mantenho o ritmo de 5'/Km. Saio da Vila e dá para perceber que as pernas não estão para grandes voos. Mudo para um ritmo mais calmo e 'viável' face às condições em que me sentia e sobretudo, com muito respeito pela 'Mãe'!!

Passo os 10Kms acima dos 52'. Sinto-me com falta de energia.

Os abastecimentos continuam na mesma como sempre na Nazaré, simples. Água e esponjas. Ali não há mimos para ninguém!!

Pouco antes do retorno, cruzo-me com o Fernando Andrade e cumprimento-o. Ele vai bem, sempre no ritmo constante que é o dele. Gostava de o conseguir agarrar mas acho que não vou conseguir!!

Faço o retorno e faltam agora cerca de 8Kms. O vento é agora contra, mas este ano sopra fraco. Curiosamente começo a partir daqui a sentir maior disponibilidade física. Apenas o suficiente para afastar os fantasmas doutras edições passadas há muito, em que os Kms 17/18 cobravam os gastos acima das possibilidades. No abastecimento dos 15Kms sinto-me bem e as pernas parecem aguentar-se.

Segue-se aqui a parte nova do trajecto, que obriga a esforço suplementar para passar um viaduto. Estamos no Km18 e esta é a parte que custa mais, entre os 17 e os 20. Mas sinto-me bem e sinto que é 'apenas' uma questão de gerir e aguentar. Ao longe vislumbra-se já a zona do porto. Passo os 19Kms e ando novamente perto dos 5'/Km. Entro na recta final, na longa recta final, que se revela sempre um osso duro de roer. O piso em mau estado recorda-me a aterragem de há umas semanas atrás na Praça da Figueira e redobro os cuidados no andamento. Passo o abastecimento e os 20 Kms e falta 1Km para a meta. Vou em esforço, mas termino feliz mais uma edição da Meia da Nazaré.

Grande confusão à chegada, para o pessoal tirar o chip, receber o saco e abandonar o local. A distribuição de fruta e água está caótica. O pessoal empurra-se e aparecem os habituais alarves que sempre gostam de açambarcar e alambazar. Aceito uma água, ignoro a fila para a maçã, dou o chip e em troca recebo o habitual saco. Arranco de imediato daquela zona e estaciono junto a um banco, ali no largo, predisposto a fazer os alongamento e a recobrar forças.

Instintivamente enfio a mão no saco. O objectivo é alcançar um dos pontos mais fortes da minha participação na Meia da Nazaré: o habitual pires, com uma imagem alusiva à prova e à edição.

Desilusão!! Não há pires!!

Confesso que foi uma grande desilusão!! A habitual (e sempre gostosa) broa, a habitual (e desinteressante) t-shirt e a habitual (e também) desinteressante medalha estão lá. Mas falta aquilo que é o mais típico. Falta um símbolo da Meia da Nazaré!!

Que raio!! Se há, como se compreende e aceita, escassos meios para levar uma prova destas para a rua, quais as razões de gastar dinheiro em coisas que TODAS as outras provas dão e que o pessoal invariavelmente guarda a apanhar pó e cortar naquilo que é ÚNICO e TÍPICO da prova da Nazaré??

Aquele pires, apesar dos temas lá gravados serem de gosto discutível, era a imagem de marca que eu queria como único prémio para o meu esforço. Aquele Pires estava para a Meia da Nazaré como o Sino em barro está (ou estava) para a Corrida dos Sinos, ou a Medalha em Cortiça está para São Mamede. Não há limitação financeira que justifique isto!!

Tou chateado!!

Fiz cerca de 01:48', o que foi um bom resultado dadas as circunstâncias.

Gostei do processo de inscrição, eficaz! Gostei dos abastecimentos, simples e contidos como sempre.

Não gostei do saco final e da confusão na zona da chegada.

Mas a Nazaré tem um grande crédito, mesmo um crédito ilimitado e aquele ambiente faz esquecer o que de menos bom possa acontecer.

Continuarei a ir à Nazaré. Enquanto conseguir ir, é sinal que estou bem. Não contam os tempos ou outros aspectos organizativos. Conta a ida em si, o chegar, o cumprimentar o mar, o sítio, o passeio na marginal, o bolo na arcádia, o aquecimento e depois a prova em si, que acaba com importância relativa, comparando com tudo o que se passa antes e também depois.

Aqui ficam os números da minha participação na 39ª edição da Meia da Nazaré.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Francisco Monte

Esta manhã, ao passar de 'fugida' pelo FB, dei de caras com uma notícia que me chocou.

O Francisco Monte acabara de perder a Esposa!

Nunca escrevi neste blog qualquer texto acerca de quem quer que seja.Trata-se de um espaço dedicado a corridas, a treinos, até a confissões do seu autor, enquanto praticante de uma modalidade desportiva. É por natureza um espaço 'leve', sem pretensões que vão para além de fazer algum registo para a história.

Mas este acontecimento brutal exige-me uma excepção, porque sendo declaradamente o blog 'Amigos de Alex', considero ser justificação mais que suficiente (e infeliz também), para dedicar a um Amigo algumas linhas.

Conheci o Francisco há um par de anos num fórum de corrida. Conheci-o algum tempo depois, em pessoa, parece-me que na I Edição da Pirata de Monsanto. É uma pessoa de relacionamento fácil, cordial e sempre bem disposto. Propositadamente não faço qualquer comentário às suas capacidades atléticas porque considero que essa vertente do Francisco é escusada para o objectivo deste texto.

Depois desse 1º encontro cruzei-me algumas vezes com o Francisco, em corridas. Numa delas, na UMA, tenho ideia de ter visto de relance a Esposa do Francisco, em Tróia e foi a única vez que a vi.

É uma estupidez acontecer uma coisa destas!!


O Francisco está na casa dos 30 anos, está no início da sua vida adulta e tem tudo para a gozar de uma forma considerada natural, ou normal, seja lá o que isso for. Não é natural nem (felizmente) normal que aconteça o que acaba de acontecer ao Francisco.

Sei que a morte é uma inevitabilidade, mas que dói, isso dói. Para mais quando se trata duma pessoa nova.

Espero que o Francisco supere este momento da melhor forma possível e que a devido tempo a dor amenize e ele consiga retomar a normalidade possível na sua vida!

Um abraço Francisco Monte. Força!!



PS. Até há uns anos esta música era quase desconhecida para mim. Nestes últimos anos ouvi-a muitas vezes, porque quando a ouço estou mais perto dela!! É também para ti Francisco.  Por quem não esqueci!